Foto: Divulgação/Jongo da Serrinha

O grupo cultural Jongo da Serrinha, originalmente localizado em Madureira, na Zona Norte da cidade, estará presente no Carnaval carioca de 2020.

Com 60 anos de história, o grupo ocupará a Praça XV, no Centro do Rio, juntamente aos blocos Batuquebato e Cordão do Boitatá, que levará o tema ”Ancestralidade que liberta”, homenageando também o Mestre Buka e matriarca jongueira Tia Maria, que no final desse ano estaria completando 100 anos.

O 1º encontro é no sábado (22/02), às 16 horas, com o Batuquebato, que tem o jongo como enredo do seu desfile. Já no domingo (23/02), a festa será, a partir das 09h, no baile multicultural do Cordão do Boitatá, que promove uma folia já tradicional de muita música, com variedades de ritmos, participação de diversos artistas e muitas fantasias.



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A narrativa do Jongo da Serrinha com o Cordão do Boitatá vem dos tempos do Mestre Darcy e sua mistura com a cidade. Mas foi em 1997 que o bloco brincou, pela 1ª vez, pelas ruas do Centro do Rio, reverenciando aqueles que vieram antes deles e seus cordões.

Em 2020, em busca de apoio mútuo, em meados de janeiro, a turma se encontrou em Madureira e foi lá que, muito emocionado, Kiko Horta, diretor musical do Boitatá, afirmou que o grupo jamais poderia esquecer do grande legado que o Jongo da Serrinha tem oferecido ao Rio de Janeiro.

”Eu queria agradecer por essa formação. Numa cidade como o Rio, a Casa do Jongo é um dos locais de mais relevância, pela importância do trabalho que é feito, onde a cultura brasileira tem a real possibilidade de exercer seu papel. Assim, tudo o que a gente puder fazer, vamos fazer, porque a cidade tem que aprender com a Serrinha’‘, declarou Kiko, com os olhos marejados.

Confira aqui a agenda dos blocos de rua do Carnaval carioca de 2020 do DIÁRIO DO RIO

Deli, neta de vovó Maria Joana e voz forte no Jongo da Serrinha, lembrou que Tia Maria amava estar no Boitatá.

”É um prazer estar aqui junto desse bloco tão incrível. Vai ser um Carnaval com muita energia e cheio de emoção, pois temos a certeza que nossa matriarca estará conosco. Esse jongo, que vem resistindo há tantos anos, não está sozinho. Com o Boitatá e todos os nossos ancestrais nos dando força, vamos fazer um lindo Carnaval e uma bela homenagem à nossa querida Tia Maria”, reforçou a cantora.

Com a crise do estado e o pouco investimento do poder público, o Boitatá buscou, por meio de uma campanha pela Benfeitoria, colaboradores para, efetivamente, conseguir colocar o bloco na rua.

E deu certo. Além dos bailes deste final de semana, que vai acontecer dia 23, foi possível também desfilar com o famoso cortejo pelas ruas do Centro no último dia 16/02. Já o Jongo da Serrinha, a colaboração é permanente e serve para manter ativa as atividades realizadas em sua sede, ”Casa do Jongo”, localizada na Rua Silas de Oliveira, 101, em Madureira.

Batuquebato e Jongo da Serrinha na Casa do Jongo – Foto: Divulgação

Já a união com o Batuquebato surgiu em 2019, quando os músicos do bloco levaram seus alunos para uma oficina na Casa do Jongo. E foi justamente a partir desses encontros que surgiu a proposta de fazer o 1º enredo, tendo, então, o jongo, ícone da cultura popular brasileira, como o grande homenageado.

Gabriel Policarpo, músico, percussionista e criador do Batuquebato, explica que o grupo existe desde 2012 e, como admirador e pesquisador dos ritmos brasileiros, e com sua vivência desde criança no samba, teve a ideia de, em 2020, criar um enredo, fundamentando ainda mais o trabalho do bloco.

”Nosso repertório sempre foi com artistas brasileiros. Tocamos Alceu, Martinho, João Nogueira, mas nesse ano, a partir da oficina, tivemos um motivo e ficou mais claro pra nós a concepção do enredo. Logo pensamos no jongo, que é uma cultura nossa, do Brasil que queremos. Fizemos a letra e quando fomos na Casa do Jongo, agora em janeiro, e eu vi a gente na roda, tudo realmente fez muito sentido”, contou Gabriel.

O grupo esteve presente no grito de Carnaval, organizado pelos professores e alunos da Casa do Jongo, na sexta-feira pré-carnavalesca.

”Ficamos muito felizes com toda a recepção, as oficinas e os ensinamentos de uma cultura popular tão rica. Como isso é importante para o estado do Rio de Janeiro! Estamos radiantes em ver o Jongo da Serrinha embelezando nossa música e o que falamos em nosso samba é uma forma de reverenciar e agradecer por tanta beleza”, finaliza o criador do Batuquebato.

A colaboração para o Jongo da Serrinha se mantém ativa o ano inteiro. Por meio do site oficial da vaquinha virtual, é possível tornar-se assinante. As contribuições variam de R$ 20 a R$ 100 e auxiliam na manutenção da Casa do Jongo, que funciona como um Centro de Memória permanente, e que atende, diariamente, crianças, jovens e adultos através de diversas oficinas de dança, capoeira, percussão, teatro, entre outras.

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