Leblon pode ter tributo à memória de Ivo Barroso

Projeto do vereador Rogério Amorim prevê mudar o nome da Rua Aperana no Leblon para o nome do tradutor e escritor Ivo Barroso

foto: YouTube/Reprodução

O tradutor e escritor Ivo Barroso, morto em 5 de outubro passado, pode se tornar nome de rua no Leblon, na Zona Sul do Rio. É a proposta do projeto protocolado pelo vereador Dr. Rogério Amorim (PSL) esta semana – a ideia é trocar o nome da atual Rua Aperana, no Alto Leblon.

Barroso foi um mineiro que, como vários outros da geração dele, adotou o Rio e deu uma contribuição inestimável para nossa cultura. Tal como Drummond, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos, foi um mineiro que fez do Rio sua praia – diz Amorim.

Nascido em 25 de dezembro de 1929 em Ervália, cidade da Zona da Mata de Minas Gerais, Ivo Barroso vivia desde os 16 anos no Rio de Janeiro, onde se formou em Direito pela antiga Universidade da Guanabara (atualmente Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e em Línguas e Literaturas Neolatinas pela Faculdade Nacional do Rio de Janeiro (hoje pertencente à UFRJ). Foi editor do Suplemento de Literatura do Jornal do Brasil, onde publicou textos e poemas originais, além de traduzir os autores clássicos como Shakespeare, T.S.Elliot e Rimbaud. Também publicou livros originais de poemas e foi assistente de Antônio Houaiss na edição das enciclopédias Delta-Larousse (1972) e Mirador (1976), e de Carlos Lacerda na “Enciclopédia do Século XX” (1973). Foi premiado em 2017 pelo governo brasileiro com a Ordem do Mérito Cultural. Suas traduções de T.S.Elliot receberam o Prêmio Jabuti, o maior da Literatura no Brasil. Nos últimos anos, Barroso vinha postando textos em seu blog Gaveta do Ivo.

A proposta de alterar a Rua Aperana tem, primeiramente, para o vereador, o objetivo de não afetar homenagens já ocorridas a figuras da história do Rio.

Tenho respeito pela memória e pela história, são princípios na vida de quem se diz conservador. Sou contra, por exemplo, todos os projetos que pregam mudança de nomes homenageando os militares, tal como a Ponte Rio-Niterói, batizada como Presidente Costa e Silva – lembra. – “Aperana”, a rua que teria o nome alterado, significa em Tupi “caminho falso” – ou seja, sendo uma rua sem saída, o nome parece ser apenas uma designação circunstancial, então podemos homenagear um escritor e tradutor de grande importância para a cultura brasileira – conclui.

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