Tá certo que ninguém quer perder o Planetário da Gávea. Aliás, bem que podiam dar uma reformadinha nele. Mas isso é assunto pra outra hora. Só que mesmo tempo em que todos queremos manter o Planetário da Gávea, alguém tem que conter a gastança desenfreada da Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro, a tal de CEHAB. O terreno do Planetário iria a leilão hoje para garantir o pagamento de uma dívida trabalhista, mas uma decisão judicial o suspendeu.

Esta empresa foi criada e teve muita utilidade no passado com a finalidade de construir casas e conjuntos populares. Foi assim com diversos empreendimentos do tipo, principalmente nos anos 60 e 70. A Cidade de Deus é um deles. Alvíssaras ao passado da Companhia.



Só que de uns 20 anos pra cá a companhia virou um mero cabide de emprego para funcionários ineficientes e promoção da mais total e completa inoperância. Salvo a pinturinha de um conjunto habitacional aqui e ali – que poderia ser feita por qualquer empresa de obras contratada mediante licitação, a CEHAB tem servido apenas para acumular dívidas.

Em 2015, de forma inexplicável, mudou-se com sua trupe de funcionários para um dos mais modernos edifícios do Rio de Janeiro, o Palácio Vigia, na Rua da Quitanda, onde, segundo consta, acumulou uma dívida que chega a quase VINTE E OITO MILHÕES DE REAIS, por apenas 3 anos de estada num prédio que, segundo o porteiro, nunca chegaram a ocupar integralmente. O mesmo porteiro, que não quis se identificar, revelou ao DIÁRIO DO RIO que os funcionários da CEHAB nunca se habituaram com o edifício moderno, e eram comuns ocorrências de pessoas destravando janelas dos fundos do prédio – que tem um potente ar condicionado central – para fumar, e jogar coisas pela janela. Funcionários da administradora do imóvel revelaram que, ao sair do imóvel, funcionários da CEHAB levaram torneiras, cifões e luzes de emergência que pertenciam ao condomínio quando se mudaram.

Esta mesma empresa, que não tem qualquer utilidade prática para o Rio de Janeiro de hoje (o “Minha Casa Minha Vida” roubou grande parte de sua efetividade, assim como a falta de orçamento), deve na praça também a seus próprios funcionários e a outros fornecedores. Na justiça, sua defesa é sempre a mesma: coitadinha, não possui recursos e é uma pobre empresa pública.

Só que além de ter milhões de reais em imóveis no coração da ZONA SUL do Rio de Janeiro – além do Planetário, é dona do estacionamento – imagine, um terreno tão nobre usado como estacionamento, hoje, no mundo de UBERs, VLTs e transporte coletivo – da universidade particular preferida dos “patricinhos e mauricinhas” (sic, como dizia minha avó) da Zona Sul, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Este estacionamento tem valor estimado em mais de 70 milhões de reais segundo especialistas, e nem mesmo é o único bem da empresa. A propósito, o terreno está alugado à PUC por um valor muito inferior ao que renderia no mercado privado. E, na verdade, deveria ser este o terreno a ser leiloado para garantir que a CEHAB deixe de ser caloteira e finalmente comece a pagar tudo o que deve na praça: de funcionários a senhorios e fornecedores.

E pra piorar, documento obtido pelo DIÁRIO DO RIO comprova que a empresa não só não é pública como tem o Banco Itaú como um de seus acionistas. E seu balanço de 2015 (último ao qual conseguimos acesso), demonstrava um patrimônio líquido negativo de quase 90 milhões de reais.

Consultamos um conhecido advogado especializado em Direito Administrativo que nos disse que a companhia usa a máscara de Sociedade de Economia Mista na hora de comprar, mas que na hora de pagar, prefere a máscara de Empresa Pública.

Até quando vamos sustentar uma empresa inútil, que só serve para criar e construir dívidas? Com a palavra o novo governador do Rio de Janeiro.

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