Fred revoltado com expulsão durante Fla-Flu em 2015, dizendo que o Campeonato Carioca tinha que acabar - Foto: Reprodução/Internet

Na última quarta-feira (08/07) aconteceu a final da Taça Rio 2020. Primeiro de tudo: o Campeonato Carioca não tinha que ter voltado, sabendo que a curva dos casos de Coronavírus ainda está muito alta e, além disso, colocando em risco todos aqueles que estão em campo, seja jogadores, comissão técnica, arbitragem, jornalistas e muitos outros. Mas, de qualquer forma, a competição retornou e ainda será disputada a finalíssima do torneio.

A grande questão é que o Cariocão precisa, de forma urgente, de uma reformulação, a começar com a visibilidade para os times pequenos. O Estadual, para os clubes grandes, não serve como parâmetro para saber se terão uma equipe competitiva para o decorrer do ano ou não, então, de certa forma, eles acabam não tendo o interesse necessário no torneio. E quem de fato se interessa? Para os pequenos, o Campeonato Carioca é o momento no ano em que eles têm visibilidade, jogadores têm oportunidade de mostrar desempenho para, quem sabe, ser contratados para um grande. Só que o que acontece sempre são os times pequenos lutando quase que em vão contra os grandes, no intuito de conseguir algo. Não há possibilidade de uma equipe de menor expressão enfrentar de igual para igual os grandes, pelo simples fato de faltar recursos financeiros para a mesma se preparar, realizar contratações e tudo mais.

A reformulação deveria começar de um jeito que os pequenos consigam ter mais possibilidades dentro do torneio, além da Federação de Futebol do RJ (Ferj) tentar buscar, de alguma forma, recursos financeiros para os clubes. Mas nada disso acontece, os clubes pequenos têm que buscar algo por eles mesmo. O ultimo time pequeno campeão carioca foi o Bangu, em 1966. Depois disso, o mais próximo que conseguiu pleitear alguma coisa foi o Volta Redonda em 2005, que foi vice-campeão para o Fluminense. Não é possível que isso seja norma. O Estadual tem que dar oportunidade para os pequenos e não massagear o ego dos grandes.

Outro ponto a ser citado foi a bagunça para a transmissão dos jogos. Desde a medida provisória 984, que está em pleno vigor, os clubes decidem onde transmitir seus jogos. Até aí, ok. A questão do Campeonato Carioca é que ele já tinha um contrato de exclusividade com o Grupo Globo e o mesmo não poderia ser afetado pela referida MP, que foi editada depois do contrato. A Globo estava no seu direito, amparada pela teoria dos fatos consumados. Pode-se discutir se era correto ou não esse contrato de exclusividade, mas isso não importa agora, porque ele foi assinado.

Mas o Flamengo não assinou com a Globo e, com base na medida provisória 984, decidiu transmitir os jogos através do seu canal no YouTube, a ”FlaTV”. A princípio, o clube se encontra na razão, já que não assinou com a Globo – logo, poderia se amparar na MP. No entanto, o clube adversário estava amparado pelo contrato com a Globo, assim como o próprio Campeonato Carioca. E agora? De um lado, um clube que não assinou contrato e poderia transmitir os jogos onde quisesse; do outro, a emissora com direito de exclusividade de transmissão do torneio. Quem está certo? Nessa briga, todos estão corretos, mas ninguém está com a razão. Esse foi apenas o primeiro problema.

O segundo problema é a final da Taça Rio. Fluminense vence o sorteio e ganha o direito de ser o mandante da partida, no entanto, como é de fato público, depois do impasse com o jogo do Flamengo, a Globo decidiu rescindir o contrato com o Estadual. Então, onde o Fluminense iria transmitir o jogo? O clube também escolheu seu canal no YouTube, a ”FluTV”. E aí chega o causídico: a procuradoria do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) moveu ação para que o Flamengo transmitisse o jogo. Mas, calma aí… O mandante de campo não decide onde transmitir? O regulamento diz isso, assim como a própria medida provisória. Esse pedido não faz o menor sentido. E o pior de tudo é que o TJD concedeu, mesmo sendo contra tudo que está escrito.

Com isso, o Flamengo passava a ter o direito de transmitir o jogo, no entanto o próprio clube, em uma nota oficial, disse que não iria transmitir, até chegar também uma decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) dizendo que só o Fluminense poderia transmitir a partida. Que bagunça absurda! Os campeonatos de várzea e o torneio do seu bairro têm mais organização que o atual Campeonato Carioca.

Vale citar, ainda, que, se o Flamengo transmitisse o jogo, seria contra a medida provisória que ele próprio se beneficiou e apoiou com entusiasmo. Tudo parece complicado neste campeonato. Vale lembrar também que essa MP não cumpre os requisitos básicos de urgência e relevância, o que mostra só mais um ingrediente para bagunçar o futebol carioca.

Está na hora de se pensar em outras competições, como uma Copa Sudeste, por exemplo, fazendo como os times do Nordeste. Mas, claro, isso é quase um ideal impossível de ser alcançado. Então, já que essa possibilidade não acontece, é necessário que o Campeonato Carioca seja reformulado, mudando desde a raiz do sistema até os detalhes menos importantes. Caso isso também não seja realizado, façam o que o atacante Fred afirmou há 5 anos, no Estadual de 2015: ”Acaba, Carioca”.



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1 COMENTÁRIO

  1. TjD do RJ e no geral vemos tanta picaretagem…
    É absurdo que isso seja chamado de tribunal tudo bem que não tem nada a ver com Judiciário. É, na verdade, de natureza arbitral. Mas um absurdo dessa estrutura ser tão politiqueira como visto.

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