Para que serve um bairro? Em termos administrativos, a cidade do Rio de Janeiro está organizada em Regiões Administrativas, Regiões de Planejamento e Áreas de Planejamento. Os bairros compõem essas unidades administrativas e até podem vir a contar com funcionários (normalmente comissionados sem vínculo de estabilidade e indicados por caráter político). Contudo, os bairros se agrupam nessas outras unidades e não deixam de ser unidades administrativas oficiais do município.



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A densidade dos bairros obedece, via de regra, o ritmo de ocupação da cidade. Assim, não é surpreendente perceber que a Zona Oeste (APs 4 e 5) possui bairros de áreas maiores, ao passo que as zonas Central (AP 1), Norte (AP 3 e partes da AP 2) e Sul (partes da AP 1 e AP 2) possuem bairros de áreas menores e mais densamente povoados. Porém, com a expansão e ocupação de novas áreas, sempre surgem propostas (algumas bastante curiosas) de “emancipação” de bairros.

O problema é que cada novo bairro que é criado demanda um esforço administrativo considerável para a municipalidade. Bases geográficas e de informação precisam ser atualizadas. Os projetos de criação de bairros muitas vezes carecem de lógica cartográfica, não especificando corretamente os limites dos mesmos (se pela calçada, se pelo eixo da via, ou se pela testada dos lotes). Tampouco tentam seguir uma lógica urbanística, como seguir os desenhos de PAL (Projetos de Alinhamento e Loteamento) ou de setores censitários. Vão ao gosto do vereador que os propõe.

A última novidade é o bairro do Jabour, pequenino enclave cercado de Senador Camará por todos os lados. Ele se junta aos recentes Vila Kennedy e Gericinó, ambos rodeados inteiramente por Bangu. Tanto Jabour quanto Vila Kennedy não tiveram vetos do prefeito Crivella. Em administrações anteriores, apesar da criação de novos bairros, havia uma certa lógica na criação de bairros, sendo consultados os órgãos responsáveis e analisada a lógica em tê-los à luz da densidade dos bairros vizinhos.

Com a criação de Jabour, todo o retrabalho feito para Vila Kennedy terá que ser reconduzido. Atlas escolares, mapas online, mapas impressos, bases de IPTU e ITBI terão de ser readequadas para um bairro minúsculo, cercado inteiramente por outro e num tamanho completamente desproporcional ao de seus vizinhos. Tendo em vista que se trata de uma unidade administrativa sem grande repercussão no dia a dia da cidade, a pergunta que fica é: por que então criá-lo?

Luiz Coelho
Luiz Coelho é planejador urbano, sacerdote anglicano e artista visual. Tem formação em Engenharia Cartográfica (IME), mestrado em Informática (UFAM) e é doutorando em Planejamento Urbano e Regional (UFRJ). Também é formado em Teologia pelo SETEK, com doutorado em liturgia por Sewanee: the University of the South. É servidor público municipal, atualmente lotado no Instituto Pereira Passos e serve a Paróquia Anglicana São Lucas, em Copacabana. É membro filiado ao PSOL.

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