O livro Um crime da solidão – reflexões sobre o suicídio, é composto por artigos sobre o tema, publicados por Andrew Solomon em jornais e revistas.

O suicídio de alguém famoso e bem-sucedido, geralmente é motivo de espanto, pois o senso comum assume que uma pessoa assim não teria “motivos” para querer morrer. Solomon fala sobre o suicídio de pessoas famosas, como Anthony Bourdain e Kate Spade, e o efeito que esse tipo de notícia pode causar em quem tem depressão. Será que alguém pode se sentir encorajado a se suicidar ao ler essas notícias?



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Solomon discorre sobre a morte do ator Robin Williams, conhecido por sua personalidade frenética: “Com frequência, parece que os indivíduos mais animados experimentam desespero na mesma proporção de sua alegria”. É o caso também de Terry, amigo de Solomon, presente no texto que abre o livro. Após o suicídio do amigo, que era sempre muito animado e excêntrico, o autor percebeu que aquele entusiasmo poderia ser uma forma de Terry “manter o desespero à distância, (…) como se ele soubesse que mesmo a invasão da mais leve sombra bastaria para engoli-lo inteiro.”

Outra história próxima ao autor é a de sua mãe, que, com um câncer terminal, pediu a ajuda da família para acabar com seu sofrimento.

Num artigo sobre a escritora Virginia Woolf, Solomon relaciona o estado de espírito da autora e o conteúdo de seus livros: “(…) a percepção de uma tristeza em tudo sussurra mesmo através das mais brilhantes evoluções de sua obra”.

Andrew fala também sobre a grande incidência de depressão e suicídio entre os gays. Um dos motivos seria a maior possibilidade de rejeição por parte da família. Discute ainda a questão das pessoas muito pobres, que raramente procuram tratamento, por acharem que é normal que se sintam mal nas condições em que vivem – não relacionam o mal-estar a uma possível depressão.

O autor conta também sua própria história com a depressão, que o levou a realizar uma extensa pesquisa sobre o tema e escrever o livro “O demônio do meio-dia” (outro ótimo livro).

Em função de sua experiência, Andrew Solomon trata do assunto de forma sempre empática e clara. Aborda os problemas sem querer trazer uma solução, mas sim, gerar reflexões acerca de um assunto triste e, muitas vezes, polêmico.

“Os Estados Unidos são o único país do mundo em que o principal método de suicídio é a arma de fogo. (…) Historicamente, os estados com fraco controle de armas apresentam índices de suicídio consideravelmente mais altos do que aqueles com leis mais severas. Quem precisa procurar por uma arma em geral acaba tendo tempo para refletir melhor antes de usá-la, ao passo que alguém que pode agarrar uma arma num momento de raiva não dispõe desse tempo.”

O tema pode parecer incômodo para algumas pessoas. Porém, num mundo onde 800 mil pessoas cometem suicídio por ano (segundo dados da OMS), a discussão é necessária.

Livro: Um crime da solidão – reflexões sobre o suicídio
Autor: Andrew Solomon
Editora: Companhia das Letras
Tradução: Berilo Vargas
Páginas: 110

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