(Rio de Janeiro - RJ, 17/06/2021) Palavras do Presidente da República Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/PR

Três pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos três dias causam enorme desconforto ao presidente Jair Bolsonaro. Na pesquisa CNT, cujo resultado saiu nesta terça-feira, no modelo estimulado, Lula teria 41,3% e Bolsonaro, 26,6%. A Ipsos mostra apenas um cenário de segundo turno, no qual Lula (58%) venceria o atual presidente (25%). E a desta quarta-feira (7), da Genial/Quaest, mostra Lula com 43% e Bolsonaro com 28%. Para o presidente da República, o alívio é saber que as eleições não são amanhã. Pesquisa é retrato de momento, é registro de tendência. E cenários mudam. E esses números vão mudar muito ainda.

Bolsonaro nesse momento enfrenta três crises ao mesmo tempo que se entrelaçam: a CPI da Covid, a suspeita de gravação da ex-cunhada que revitaliza a questão das rachadinhas na família e a Covid em si: ao que parece, a narrativa de que o presidente seria o culpado direto pelas quase 600.000 mortes começou a pegar, mesmo entre Bolsonaristas. Todo esse cenário se reflete também na economia: o dólar subiu a R$ 5,20, a Bolsa despencou 1,4%, o preço do diesel e gasolina aumenta. E pior: o aporte do auxílio emergencial, ao valor máximo de R$ 375, já não recebe tantos aplausos da classe D/E.

Antes dessas três pesquisas, DataFolha e Ipec já sinalizavam uma queda na popularidade de Bolsonaro e o avanço de Lula. Na pesquisa da Prefab Future, divulgada em maio, feita apenas no Estado do Rio, já havia um primeiro indício de queda na imagem do presidente. O que acabou por resvalar nos números do atual governador do Rio, Claudio Castro.

O que chama a atenção nos números divulgados por todas essas pesquisas é a reprovação do governo, todos com registros acima de 40%, o que liga um sinal de alerta no Planalto.

Espera-se que, como é tradição na história da nossa República quando mergulha em crise, o governo Bolsonaro entregue no segundo semestre um pacote de bondades para a população. Essa é a única forma de o presidente fechar 2021 com fôlego para 2022.

Outra questão fundamental é finalizar a vacinação do maior número de brasileiros possível até dezembro. O avanço de outras cepas da Covid-19 como a Delta, porém, indicam que a crise sanitária no país vai até as eleições presidenciais.

Bolsonaro pode se ajudar: ficar em silêncio em alguns momentos poderia evitar crises e repercussões nacionais e internacionais.

Mas isso me parece mais forte do que ele.

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