Foto: Rogério Santana

Meu telefone não parou de receber mensagens desde que divulgamos aqui no DIÁRIO DO RIO a primeira pesquisa que lê o atual cenário político eleitoral do estado do Rio. Gente estarrecida com os números, desfavoráveis a Bolsonaro e ao governador Claudio Castro. A Prefab Future Pesquisas abriu a série de 2021 exibindo um cenário desconfortável na região para o presidente, cujo Ruim/Péssimo gira em torno de 44%. O governador Claudio Castro, que não tem alternativa a não ser sentar-se no colo de Bolsonaro, tem 40,3% de ruim e péssimo, acompanhando seu tutor no que de pior ele tem. A pesquisa DataFolha divulgada nesta quarta-feira (12) acentua a sensação de que Bolsonaro está com a cabeça a prêmio.

O DataFolha mostra uma assustadora migração de votos da modelagem Espontânea para a Estimulada. A Espontânea é quando o entrevistador pergunta ao eleitor em quem vai votar. Nesse módulo, só estão na cabeça do povo Lula (21%), Bolsonaro (17%) e Ciro (1%). Ao exportar a métrica para a modelagem Estimulada, quando o entrevistador apresenta os candidatos numa cartela de forma circular, Lula cresce quase 100% – vai a 41%, enquanto Bolsonaro cresce apenas 30%, indo a 23%. O sinal é claro: a eleição está violentamente polarizada. Não há nesse momento espaço para outra via, e Lula começa a virar o “Fora Bolsonaro” em pessoa.

Se você olhar os números dos outros candidatos distantes da esquerda, a soma chega a 41%, isso, obviamente, se imaginarmos que o eleitor de Moro, Mandetta ou Dória votaria em Bolsonaro contra Lula. Não há na pesquisa DataFolha os cruzamentos de migração. Porém, na simulação de segundo turno, Lula vai a 55% e Bolsonaro, 32% – este justamente o estável teto do presidente.

A sensação nacional de que se votaria em Bolsonaro para não ter Lula de volta, segundo as sementes do DataFolha, parece se dissipar até na cabeça do anti-esquerda. Lula seria um mal menor do que Bolsonaro. E é essa a tônica da eleição de 2022: quem fará menos mal ao Brasil. Não será a briga do melhor, mas do menos pior.

A pesquisa Prefab Future, que mantém o governador Claudio Castro colado em Bolsonaro em sua rejeição, mas sem agregar o seu positivo, explica o passeio de moto de Bolsonaro no Rio anunciado pelo presidente no próximo dia 23. Como em toda sua gestão, ele pretende fazer uma aparição com apoio popular na cidade  para tentar descredibilizar os números que apontam sua derrocada. Além de causar a aglomeração de sempre, Bolsonaro seguirá pregando para os mesmos.

Claudio Castro, por sua vez, tem agora dinheiro do loteamento da Cedae para distribuir a prefeitos e acelerar seu governo com obras em cidades-chave para sua eleição. Diferentemente da eleição nacional, a disputa no estado do Rio tem espaço para uma terceira via, especialmente se surgir um candidato centro-esquerda, moderado, player esse que ainda não apareceu. A possível polarização com Marcelo Freixo favoreceria Castro, visto que a esquerda vem sendo rechaçada no estado nas últimas duas décadas. É seu melhor cenário. Há também muitas conversas entre bolsonaristas e outras alternativas além de Claudio Castro, o que inviabilizaria a eleição do governador.

A pesquisa DataFolha, com 2.071 entrevistas em 146 cidades e margem de erro de 2%, aponta o possível nascedouro de um “Volta Lula”. Agora com uma narrativa embaixo do braço de que é inocente e foi perseguido por cuidar dos pobres. É com esse discurso que Lula vai para as ruas. E sem o ônus da gestão pavorosa da pandemia, exclusividade de Bolsonaro.

18 COMENTÁRIOS

  1. Mário Marques, ex-jornalista de O Globo e Jornal do Brasil…
    Tô bom de parar de entrar por aqui neste site.
    Quem confia numa porcaria de jornalista que já tenha trabalhado no Globo, no Jornal do Brasil antes isento na época de Nascimento Brito e hoje totalmente faccioso?
    Quem confia num jornal chamado Folha de São Paulo?
    Quem confia num Ibope, instituto de pesquisa que falhou e mentiu tanto na eleição presidencial que quebrou, morreu sem prestígio.
    Quem confia e vai confiar num Datafolha que trilhou caminho idêntico ao Ibope, inclusive combinando resultados mesmo sendo concorrentes e só não quebrou ainda por estar escorada na Folha?
    Quem vai continuar confiando no Diário do Rio depois de jogar uma matéria ridícula dessa em suas páginas?
    Deveria propor ao Lula sair às ruas e ver sua popularidade como foi visto de Bolsonaro dia 1° de maio, domingo passado e hoje em Maceió. Manda o Lula rodar meia hora por esses lugares, acham que vai?…………só rindo aqui!

  2. Super concordo, ainda tem muito tempo pela frente, e muita água pra rolar, nem de longe tem eleição que possa bater martelo. A história sempre mostrou isso no Brasil. Não acredito que o povo brasileiro queira PT de volta, — isso é coisa de intelectuais e artistas: Utopia é com a maioria deles mesmos, e se dá no mundo inteiro: Discurso para pobres, minorias, mas não tem nada para oferecer. Se puderem se abancam nos governos e não querem sair nunca. A maioria não sabe, mas já tivemos artistas na história brasileira que eram do serviço público, e viviam compondo música e andando pelos bares de Ipanema.

    E mais, pesquisa pode servir para uma discussão, inflar torcidas, filiados, mas não valida nada neste momento.
    Acordos e mais acordos estão sempre nos bastidores, tristes de nós acreditar no que dizem.
    A maioria do povo não tem ideia do que rola nos bastidores políticos.

  3. INFELIZMENTE , O CENARIO POLITICO ATUAL, E O CITADO, MAIS TEMOS MAIS 19 MESES PARA O APARECIMENTO DE UM TERCEIRO CANDIDATO, QUE SAIA FORA DAS QUALIFICAÇÕES DESTES DOIS CATERVAS, ENTRE OS DOIS LULA E BOLSONARO, NÃO SE SABE QUEM E O PIOR, QUE DEUS NOS LIVRE DOS DOIS.

  4. Mil vezes Lula contra Bolsonaro
    Sem discussão
    Mais equilibrado. Menos prepotente.
    Tem uma política mais inclusiva, e não exclusiva e seletiva para alguns poucos.
    Fala para diferentes públicos. Tem oratória.
    Sabe fazer verdadeiro discurso na ONU e nas reuniões que participam os chefes dos países no exterior. Não é esse fiasco do Bolsonaro. Brasil tem que voltar a ser respeitado internacionalmente. Não tratado como pária do mundo.

    • Você ta brincando, como tem oratória, sabe fazer dircurso na ONU ? O cara é semi analfabeto, eleitor como você que acaba com o nosso País !

      • Só assistir aos vídeos do Lula comparando com aqueles parcos minutinhos gastos pelo Bolsonaro que, sem conteúdo algum, enchendo linguiça, ao final ainda solta um “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos.” – e antes ainda colocava EUA no meio puxando saco (com as bolas) de Trump – se humilhando.

  5. Quem acredita em pesquisa da Datafolha é burro ou está de má fé.

    O Datafolha falava que a Manuela seria eleita para prefeitura de Porto Alegre no 1° turno em 2020

    O Datafolha falava que a Dilma seria eleita senadora por Minas Gerais em 1° lugar mas ela chegou em 4° lugar em 2018

    O Datafolha falava que o Bolsonaro não iria para o segundo turno e se fosse perderia para todos os outros candidatos em 2018

    O Datafolha falava que o Paes teria 67% dos votos e o Crivella teria 33% dos votos no segundo turno em 2020

    Mas o Paes teve 58% dos votos e o Crivella teve 42% dos votos no segundo turno.

    Para piorar a situação os evangélicos estão fechados com o Bolsonaro.

    Eles não falam ou tem vergonha de falar isto,mas eles seguem em que eles forem mandatos a votar.

    Por isto o Crivella apesar da péssima administração,teve uma votação expressiva no segundo turno.

    Por isto acreditar no Datafolha é burrice ou está de má fé

    O Lula nem vai participar da eleição.

    No acórdão da nossa elites ele seria solto,mas não se candidataria a presidente.

    O Brasil sempre foi o país dos gritos e dos acordos.

    Por isto o país do futuro ficou no passado.

    O futuro virou passado e o Brasil ainda nem chegou no futuro.

    O Brasil sempre foi o país dos acordos e dos gritos.

    O único que não quis acordo acabou se matando (Getúlio Vargas)

    Na verdade Getúlio Vargas foi o único presidente que existiu neste país eternamente subdesenvolvido.

    • Quanto foi encontrado na conta dele???
      Acho que tem bem menos do que somados os milhões com compra e venda de imóveis do Bolsonaro e que inclusive participou suas ex-mulheres – tudo no dinheiro vivo. Negócios de famiglia. Rachadinhas. Milícias…

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