Foto Leonardo Prado/Câmara dos Deputados

Prefeito de Campos, Governador do Estado do Rio de Janeiro, candidato a presidente com mais de 15 milhões de votos, deputado federal mais votado da história do Rio. Todos esses títulos não garantem a Anthony Garotinho uma proximidade maior com o governador Cláudio Castro, como ele mesmo confirma na entrevista abaixo: “Estamos namorando, mas parece que ele não quer casar”. Garotinho também não tem tempo a perder. E seu tempo parece menor do que o de Castro. “A indecisão do governador Cláudio Castro em definir com a direção nacional o espaço para o União Brasil tem aumentado a pressão para minha candidatura a governador”.

Mario Marques: Muito se falava sobre uma possível conspiração para que o senhor não participasse das eleições de 2018. Afinal, o que há de verdade nisso?
Anthony Garotinho: Totalmente verdadeiro. Existem grupos poderosos que se servem do dinheiro público. Eu os combati e os denunciei. A maioria foi presa ou responde a processo, mas ainda há um grande número em postos estratégicos.
Sou um candidato perigoso para essa gente, eu sou anti-sistema.

MM: O senhor está inelegível? Como está essa questão?
AG: Na última eleição fizeram uma covardia comigo. Fui tirado da disputa por um crime de calúnia transitado em julgado. Estou elegível, falta pagar uma multa e vou disputar a eleição.

MM: Existe nesse momento um certo desligamento da política: o senhor está se dedicando aos programas de rádio, à família e nem é visto na prefeitura de Campos, onde seu filho é prefeito. Isso indica de alguma forma um afastamento das eleições 2022?
AG: De forma alguma, estou trabalhando na minha profissão. Este ano completo 45 anos de rádio. Vivo de publicidade. Pouca gente sabe, mas eu acabei com a aposentadoria de governador e não recebo nada, nem Rosinha. Quanto a meu filho só dou conselhos quando ele pede. Ele precisa criar sua própria forma de governar, mantendo os princípios trabalhistas, nacionalistas e cristãos, que são a base de nossa formação política.

MM: O senhor, afinal, é aliado do governador Cláudio Castro ou não?
AG: Gostaria muito de ser mais próximo dele, Claudio é um bom menino, mas tem se cercado de pessoas complicadas. Além disso a máquina pública é burocrática, ele toma decisões, mas elas não viram realidade. Estamos namorando, mas parece que ele não quer casar.

MM: O senhor tem uma característica primordial de ser combativo, denunciativo, barulhento. Não acha que isso lhe causou mais desgastes do que avanços?
AG: Faço jornalismo investigativo, isso cria problemas. Imagina como apanhei da Globo quando mostrei o esquema de propina da emissora com a CBF? Eu desmontei o governo de Sérgio Cabral com as reportagens que mostravam a corrupção em todos os setores. Muita gente foi presa, outros tiveram que devolver dinheiro. Quando denunciei o esquema de fraudes nas loterias da Caixa, tive que ganhar proteção policial. Aliás por outro caso, que prefiro não revelar aqui, minha família é protegida 24 horas com escolta armada. É o preço de falar a verdade. Tudo na vida tem um preço.

Clarissa Garotinho durante visita à Zona Oeste do Rio – Foto: Divulgação

MM: Qual o peso da Família Garotinho nas eleições 2022?
AG: Minha filha Clarissa é deputada federal atuante e boa articuladora, acertou os detalhes da ida do nosso grupo para o UNIÃO BRASIL. Meu filho vem fazendo um ótimo governo em Campos, a maior cidade do interior do estado. Segundo pesquisas que vi recentemente tenho entre 15% e 17% dos votos do estado, e, o que considero mais importante, em torno de 1 milhão de votos consolidados, fruto do trabalho que fizemos, principalmente para os mais pobres. Além disso tenho companheiros em todos os municípios do estado. É um grupo forte.

MM: A vida comum e especialmente a vida dos políticos é passível de erros e acertos. Qual foi seu principal erro nessa trajetória?
AG: Foi não ter voltado para o PDT logo após as eleições presidenciais que disputei em 2002, quando tive mais de 15 milhões de votos. O Brizola queria, a Rosinha, a Clarissa e eu também, mas Brizola faleceu poucos dias antes de nossa volta. Aí o partido caiu nas mãos do Lupi, que transformou em PDT numa ação entre amigos. Ele impede minha entrada, pois sabe que sou um político trabalhista e popular.

MM: Imagine-se como apoiador de Cláudio Castro. Agora imagine-se num palanque com Cláudio Castro e Bolsonaro. Essa imagem é possível em 2022?
AG: A indecisão do governador Cláudio Castro em definir com a direção nacional o espaço do partido tem aumentado a pressão para minha candidatura a governador.
Minhas divergências com Bolsonaro são quanto à política econômica. Os valores da família, política de gênero e outros princípios estamos de acordo. Menos armas.

Foto: Gerson Gomes

MM: Quem é o Garotinho do futuro?
AG: Sou progressista na economia e conservador nos princípios.

MM: Existe nas pesquisas quantitativas das últimas eleições uma rejeição significativa ao seu nome, especialmente na capital. O que fazer para diminui-la?
AG: Quem tem posição tem oposição, por isso tem tanto político em cima do muro.
Prefiro falar o que penso, mesmo que isso me custe alguma rejeição.
Agora se tiver debate a rejeição diminui, porque minhas posições são muito claras.

MM: De Zero a 10, que nota daria para o governador Cláudio Castro?
AG: Ele está tentando acertar, por isso não dou nota nenhuma por enquanto.

MM: Veremos em 2022 uma disputa Bolsonaro versus Lula?
AG: Em política tudo muda muito rápido, mas a possibilidade de alguém quebrar essa polarização é difícil. O Lula está forte, mas Bolsonaro vai crescer com o Auxílio Brasil de 400 reais. O jogo ainda não está jogado.

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui