Rio de Janeiro - Cerimônia de juramento à bandeira e entrega de Espadins da turma Almirante Bosisio na Escola Naval com presença do presidente da República Jair Bolsonaro. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Não. Não vai ter impeachment mesmo. Raposa velha da política, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (MDB/RJ), que acaba de lançar o livro “Tchau, querida – O Diário do impeachment”, com sua filha, Danielle Cunha, costuma dizer algo como “em impeachment não se tira presidente. Se coloca presidente”. Noutras palavras, Cunha diz que Temer (MDB/SP) estava a postos em 2016 e com acordos firmados para assumir no lugar de Dilma. E não parece agora que isso esteja acontecendo da parte do vice de Bolsonaro, o general Hamilton Mourão (PRTB). A CPI, a Globo e a esquerda pulam de felicidade com as novidades que vêm da CPI. Mas a possibilidade é remota.

O impeachment de um governante é resultado de várias variáveis, todas longe de nossa vista. O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), jamais teria sido retirado do Palácio Guanabara se seu vice, Claudio Castro (PL), não entrasse em acordo com a Alerj. E, por incrível que pareça, aconselharam Witzel a botar Castro para negociar a paz com os deputados e com o presidente André Ceciliano (PT). Deu no que deu. Outra variável é a popularidade. Para ser deposta, Dilma tinha de 7 a 10% de aprovação. Bolsonaro, nesse momento, transita entre 23 e 30% segundo as últimas pesquisas, número muito alto para se pensar em impeachment.

Mourão, por sua vez, tem dado declarações mais críticas ao governo, mas com elegância e comedimento. Não soa um sinal que sugira um distanciamento, mas, sim, de pedir mais respeito e consideração do presidente. Trata-se afinal de um general, acostumado a altos escalões e a ser tratado com deferência. Bolsonaro, se tiver um mínimo de aconselhamento, deveria se reaproximar de Mourão. Caso contrário, com o avançar das pancadas na CPI, Mourão pode começar a ser assediado por deputados que querem a cabeça do presidente e, dependendo das circunstâncias, sucumbir.

O frenesi em torno do possível impeachment de Bolsonaro se deve às declarações de um personagem controverso. O deputado federal Luis Miranda, que emigrou para os EUA anos atrás, tem um histórico polêmico em sua tentativa de virar uma antena para investidores brasileiros naquele país. Muitos ficaram sem receber o retorno do capital enviado. O deputado alega que denúncias de youtubers afugentaram os que tinham dinheiro aportado. Suas aparições no YouTube são próximas de sua aparição na CPI: gosta de aparecer, chorar, se fazer de vítima e se locupletar de forma oportunista. Suas insinuações de que teria gravado o presidente soam blefe. Portanto, o que a opinião pública chama de “chance única” para tirar o presidente é um castelo de areia. Miranda será demolido com facilidade.

A CPI está a reboque dos acontecimentos. No começo o foco era a demora na compra das vacinas; depois passou a debater o tratamento precoce; e agora tenta pregar uma narrativa de corrupção. Acontece que, juridicamente, a tal vacina indiana Covaxin não chegou a ser comprada, não houve gasto público e as responsabilidades sobre as negociações não recaem sobre o presidente. A insistência na compra da vacina indiana parece-me mais uma birra de Bolsonaro para combater o avanço do Butantã do governador de São Paulo, João Dória, do que propriamente um indício de corrupção. Bom lembrar que Bolsonaro faz gestão com o fígado.

Do lado do jornalismo há uma enorme empolgação. É fato que Bolsonaro agride e ofende jornalistas, trata-os sistematicamente mal, corta verbas federais dos veículos de imprensa e o jornalismo, justo, quer sua cabeça de qualquer maneira. Nesse momento não há uma sequer notícia pró-presidente. E já acabaram há muito as análises imparciais. A GloboNews meio que funciona como uma fogueira na qual a cabeça do presidente arde todo dia.

No Congresso, que tem mais de 100 pedidos de impeachment à espera de um aceite do presidente, Arthur Lira (PP/AL), não há adesão. Lira já declarou publicamente que a CPI da Covid é um erro e que politicamente não há clima para isso. Tanto o jornalismo quanto a oposição devem aumentar a pressão sobre o deputado, que segue fiel a Bolsonaro. Mas é só um desejo. O impeachment está muito distante.

8 COMENTÁRIOS

  1. Ninguem que tenha dois neurônios acredita nesse papo de genocida, nessa CPI e na Globo. Mas mesmo não acreditando, essas pessoas precisam ficar repetindo essas narrativas. Enquanto isso, no mundo real, Bolsonaro vai pavimentando sua reeleição. Ou vcs acham que os comerciantes que fecharam as portas e as pessoas que perderam o emprego culpam o Bolsonaro? Nenhum dos que conheço culpam.

  2. Duvido. Vai ter sim.

    Governo Bolsonaro virou um Titanic e quem quiser sobreviver terá que pular fora no bote chamado impeachment do bozó.

    Mourão já sente a brisa fresca da presidência.

    Tá mais claro que a água.

    Só não ver quem não quer.

  3. Quer dizer que “juridicamente” o imbróglio da covaxin não vai dar em nada? Será que este senhor já ouviu falar no crime de prevaricação? Outra coisa notável é essa história de desqualificar a testemunha. Ou seja, o problema não é a tentativa de cometer um crime que foi interrompida por conta das denúncias, mas sim, por em dúvida o caráter do denunciante… E a Madison Biotech, uma empresa de fachada que ia receber mais de 40 milhões com essa roubalheira? Isso o autor da matéria nunca ouviu falar, né? Que bonito!!!

  4. Já que citado o caso do Witzel, mesmo o Impeachment deste foi um absurdo.
    Não votei nele. Não gosto dele. Mas basta ver os acontecimentos políticos como já citado na matéria com a ordem cronológica e as circunstâncias.
    Início de conflito político com o Presidente, desvios de recursos de pastas ocupadas por indicados de seus até então aliados e falta de habilidade política lhe custaram o cargo.

  5. Pode ser por qualquer um outro. Crime, Doenças, Fatalidade, etc.

    Não precisa ser por Impeachment…
    Embora esse (Impeachment) fosse o caminho mais natural e esperado, já que por muito, mas muito menos se tirou uma Presidenta eleita – não vou entrar na questão da competência, habilidade pessoal dela.

  6. Não vai ter é vergonha na cara do autor e do Diário do Rio, publicando um artigo desses depois do que saiu na sexta. Não engana ninguém quem fica desmerecendo a CPI e defendendo o Bolsonaro. Bolsonaristas enrustidos que em 2022 vão votar no genocida novamente.

  7. Quem disse que o impeachment é necessário? Ele só precisa ser condenado culpado pelo povo. E apesar de tentar camuflar, ficou claro quem você defende ao menosprezar as denúncias.

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