empresário Carlos Wizard Martins; presidente da CPIPANDEMIA, senador Omar Aziz (PSD-AM); relator da CPIPANDEMIA, senador Renan Calheiros (MDB-AL) Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O empresário Carlos Wizard usou seu tempo na CPI do Covid nesta quarta-feira (30) para desmentir que tenha participado de gabinete paralelo, ou “governo paralelo”, como ele mesmo definiu. Por quase 20 minutos, falou de valores, princípios, do pai, disse que sua intenção sempre foi salvar vidas e ajudar os brasileiros.

Enfático, forte e incisivo, Wizard, criador da escola de inglês Wizard e dono de múltiplos empreendimentos, teve passaporte retido, condução coercitiva decretada e seu sigilo bancário e telefônico quebrados. Sua vida foi devassada.

Portanto, responder às perguntas dos senadores poderia enterrar definitivamente o cerco. Mas Wizard preferiu o silêncio. Conforme liminar concedida pelo ministro Luis Roberto Barroso, o empresário respondeu a todas as perguntas com um “me reservo ao direito de permanecer em silêncio”.

O artigo 186 do Código de Processo Penal garante o direito ao silêncio. E o empresário usou esse ativo com soberba. Ao que parece, Wizard seria uma ponte entre o governo e a compra de vacinas. Mas sua presença sistemática causou desconforto ao governo e de uma hora para outra ele sumiu.

Wizard demorou a reaparecer. Apenas com a interferência da CPI da Covid, foi levado a Brasília. O relator da CPI, o senador Renan Calheiros, suscitou as relações de Wizard com outros empresários, também ligados a suposto comércio de vacinas.

O empresário passa todo o tempo confrontado com vídeos e declarações controversas em vários momentos distintos da Covid-19 no Brasil. E toma na cabeça dos senadores oposicionistas. Em silêncio.

A medição de Wizard sobre sua situação, entretanto, é clara. Suas declarações poderiam comprometer ainda mais o andamento de seus negócios e implicá-lo ainda mais. Está sendo humilhado.

Mas é uma humilhação que vai lhe poupar milhões de dólares.

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