Wladimir Garotinho, prefeito de Campos - Foto: Reprodução

A guerra fria nos bastidores entre o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, e o secretário de governo de estado, Rodrigo Bacellar, virou tiro, porrada e bomba. Em resposta a um post de Waldimir, que citava uma reunião entre o ex-prefeito Rafael Diniz e Bacellar, o secretário de governo fez insinuações e ofendeu a primeira-dama, Tassiana Oliveira. Wladimir respondeu: “Ofender a minha esposa com insinuações maldosas e ataques machistas mostra o quão desprezível é o atual secretário de governo. Uma pena que o governador do RJ mantenha na sua antessala um cidadão tão mau-caráter. Me encare, seu frouxo, mas não vai tocar na minha família”. Claudio Castro agora está entre os votos de um prefeito com quase 80% de aprovação popular e seu secretário. As duas coisas o governador Claudio Castro, com certeza, não terá.

Em seu post, no começo da tarde deste sábado (25), Bacellar cita a fábula de Esopo, a do escorpião e do sapo, mas logo parte para a agressão. Chama Wladimir de “filho dos ex-presidiários” e ao fim desce o nível ainda mais: “No meio político todos entendem a raiva que o escorpião tem do seu antecessor. Ele reverbera seu veneno por insegurança conjugal, pois sua esposa parece que sempre sonhou ser primeira-dama. Pela relação amorosa que teve com o seu antecessor, o escorpião em toda oportunidade sempre busca atacá-lo de forma insidiosa. Isso é típico de homens inseguros, a gente até entende”.

Os dois já se estapeavam nos bastidores, inclusive na presença do governador. Campos, o maior colégio eleitoral do interior do estado do Rio, com 361.000 eleitores, é um município fundamental para as pretensões de eleição de Claudio Castro, um ilustre desconhecido na cidade. Wladimir tem 78% de aprovação, número maior do que de sua mãe, Rosinha, quando prefeita, no auge de seu governo. Desses, a associação com Castro gera para ele a liderança na corrida de 2022, com 14%, segundo sondagem recente na cidade, 9 pontos na frente de Marcelo Freixo.

Entre as várias broncas de Wladimir está o atraso no projeto de reforma no HGG, importante hospital da cidade, que, segundo ele, Bacellar “sentou em cima”. Outra insatisfação, diz Wladimir, está no aporte de verbas da publicidade do estado do Rio no site Campos Ocorrências, que recebe dinheiro do governo do estado e da Alerj, e senta a mamona diariamente no prefeito

Wladimir diz que já tentou uma aproximação com Bacellar para o bem de Campos, mas desistiu. Nos corredores, diz-se que o secretário e o prefeito já quase se esbofetearam na frente do governador. Wladimir teria chamado Bacellar de “vagabundo” e o governador interviu.

Cidades como Campos, Niterói, Petrópolis, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti, São Gonçalo e a capital carioca são pontos estratégicos para o possível êxito de Claudio Castro. Perder em Campos significaria perder o controle de toda a região.

Vale lembrar também que a Família Garotinho tem um histórico de causas e projetos sociais mais alinhados com a esquerda, além de trajetória política mais canhota. Garotinho, o pai, surgiu no PDT de Brizola, teve como vice a petista Benedita da Silva quando governador do estado, sempre estabeleceu bom alinhamento com Lula e Dilma, e chegou até a ter uma passagem pelo PSB. Não será surpresa se Wladimir explodir a parceria diante da inação do governador Claudio Castro em relação ao secretário Rodrigo Bacellar e pular de lado.

Na visão de Wladimir, Campos está sendo boicotada e ameaçada por Bacellar e Castro tem mais a perder do que ganhar nesse esticar de corda. “Parece que o governador acha que Campos precisa mais dele do que ele de Campos”.

A se observar que, diferentemente do pai, Anthony Garotinho, mais bélico e combativo, Wladimir é tido como da paz, da tranquilidade e do diálogo. No meio político, tem boa relação com adversários políticos. Mas, em relação a Bacellar, nunca conseguiu construir uma ponte. O prefeito tem dito a aliados que o governador Claudio Castro parece “não gostar dos campistas”. “Se gostasse já teria tomado alguma atitude. Os campistas não podem pagar pela picuinha política do secretário Bacellar. Suas atitudes contra o povo campista mostram que ele não está interessado em melhorar a vida da nossa gente, mas sim em seu próprio projeto eleitoral”.

Na noite deste sábado, Wladimir confidenciou a amigos sua fúria e, ao que parece, o cozido de prefeitos que Claudio Castro queria botar em seu prato em 2022 já começou a azedar. No começo da madrugada, amigos em comum de ambos tentaram botar panos quentes. Mas, ao que parece, o prefeito de Campos pode ser o primeiro da aliança gigante que Castro e seus mentores tentam construir a pular fora.

2 COMENTÁRIOS

  1. Ainda bem que deixei essa cidadezinha triste e vim para o Rio. Amo Campos, minha cidade natal mas é uma cidade chacota. Nada supera minha Tijuca, zona sul da Zona Norte da capital, hahahahahahahhah

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