Mauricio Souza (Foto: Reprodução GE)

De três dias para cá, Mauricio Souza, jogador de vôlei do Minas e da seleção brasileira, saltou de 150.000 para 2 milhões de seguidores no Instagram. Isso quer dizer que, diretamente, 2 milhões de pessoas – e subindo – apoiam os valores conservadores do atleta, expostos em seus últimos posts. Indiretamente esse número pode ir a quanto? 20, 30 milhões? Talvez. O que importa é o seguinte: o caso acordou dezenas de milhões de eleitores bolsonaristas acuados e envergonhados e/ou arrependidos. Tudo pode mudar. Olho vivo nas próximas pesquisas.

Mauricio Souza, um bolsonarista assumido, teceu críticas, duas semanas atrás, à DC Comics, que lançou o filho de Clark Kent (o Superman) bissexual. Disse Mauricio: “Ah, é só um desenho, não é nada demais. Vai vendo onde vamos parar”.

De lá para cá a vida do atleta ruiu. Especialmente o site do Globo Esporte praticamente criou uma editoria dedicada a pressionar os patrocinadores do Minas a demitir o jogador. E isso aconteceu. Mas Mauricio não recuou. Seu posicionamento final no Instagram reafirmou suas posições. “Hoje em dia a gente não pode dar opinião sobre nada. A gente não pode mais expor valores de família, valores que a gente acredita…”

Ao não baixar a guarda, e enfrentar seus algozes, Mauricio foi ainda mais atacado. O apresentador do Globo Esporte, Felipe Andreoli, chamou-o de covarde e criminoso. O jogador CasaGrande, agressivo, tachou-o de mau-caráter.

O departamento de pesquisas da internet, então, acabou por resgatar posts antigos de Andreoli muito mais homofóbicos. Num deles, Andreoli escreveu: “O sonho dos cuecas desse Twitter é que nós do CQC fôssemos viados. Foi mal, caras. Não somos. Mas vocês que gostam tanto do assunto não sei”.

Pela régua do Globo Esporte, Andreoli deveria igualmente ser demitido. Mas não será. O que demonstra claramente o julgamento seletivo da emissora e seu jornalismo de esquerda, expresso nos posicionamentos de seus jornalistas em vários posts distintos em redes sociais. Mauricio foi trucidado pela imprensa porque é um bolsonarista. Ponto. Isso está mais do que claro.

Esse artigo, enfim, não é sobre Mauricio. Nem sobre Andreoli. É uma reflexão e um start para o que está por vir em 2022. Bolsonaro se elegeu em 2018 não por facada ou por motivos econômicos. Bolsonaro se elegeu por uma gigantesca onda reativa contra o ataque anticonservador de esquerda. O mesmo que tritura a família de Mauricio. O vermelho contra as cores do Brasil; os ateus contra os evangélicos; os usuários de drogas contra os caretas.

Os conservadores, maioria nesse país, são vistos pela esquerda como gente menor. Como gente burra. Como gente do mal. E a resposta a isso foi a eleição de Bolsonaro em 2018, sem marqueteiro, sem dinheiro e sem aliança com ninguém.

Uma boa parte dos que votaram em Bolsonaro se arrependeu. Bolsonaro foi omisso na questão da vacina, Bolsonaro fala uma besteira a cada duas palavras, Bolsonaro perdeu o rumo na questão econômica. Bolsonaro é, de fato, um pavoroso presidente. Mas o caso Mauricio Souza levanta a seguinte questão: estariam os eleitores arrependidos de Bolsonaro se reagrupando e fazendo novas reflexões sobre uma possível volta da esquerda ao poder? Mesmo sem aprovar com louvores a gestão Bolsonaro?

A pesquisa PoderData Band, divulgada nesta quarta-feira, indica um primeiro sinal de que sim, isso está acontecendo. A diferença entre Lula e Bolsonaro num possível segundo turno caiu 10 pontos. O que aconteceu de relevante para que Bolsonaro reagisse? Absolutamente nada do ponto de vista político ou econômico. Ao contrário: Bolsonaro foi criminalizado de todas as formas no relatório final da CPI da Covid, o dólar disparou, a gasolina ficou impraticável.

Então o que está acontecendo? Entre os 2 milhões de seguidores de Maurício Souza, que podem virar 4 milhões em breve, muitos são bolsonaristas arrependidos. O simples fato de se sentirem representados por Maurício Souza, humilhado por ser uma voz corajosa conservadora, pode botar 2022 em outra perspectiva.

Bolsonaro, ao que tudo indica, pode resgatar os votos perdidos nessa batalha de costumes. Seu maior cabo eleitoral é a própria esquerda, que pede o fim da polícia militar, banheiros misturados, dinheiro para turnês de artistas milionários e legalização do aborto.

Para entender melhor um possível reajuntamento dos eleitores de Bolsonaro é bom lembrar Churchill: “É melhor morrer em combate do que ver ultrajada a nossa nação”.

É preciso aguardar as próximas pesquisas. Mas tudo leva a crer que Bolsonaro ressuscitará dos mortos. O despertar da onda conservadora começou.

E Mauricio Souza? Se todas as portas do esporte se fecharem para ele estará, no mínimo, eleito deputado federal.

15 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns Maurício.! Parabéns a polícia militar e parabéns aos que não se deixam serem moldados e controlados por uma ditadura branca, disfarçada de boas intenções.

  2. Morro de rir com os comentários, é TUDO a mesma MERDA, só levantam bandeiras diferentes, POLÍTICOS SÓ SERVEM PRA TE FUDER, ele sendo de direita, esquerda, centro ou da PUTA QUE PARIU.

  3. Comentei ontem aqui em casa. A perseguição é seletiva, o que o Felipe Andreoli falou é mil vezes pior, vários comentários , alguns inclusive racistas. E nada vai acontecer com ele. Achei bastante exagerado tudo o que aconteceu com o Mauricio .. e a resposta mais uma vez virá das urnas. (infelizmente)

    ps: Não voto no Bolsonaro. Ele não tem a mínima capacidade de governar esse país.

    • Tem um tempinho embora não distante que Andreoli fez tais discursos (né?) fizesse o mesmo, hoje, seria diferente para ele, pela repercussão que tomaria, a vigilância, logo, viria a causar reação imediata, que, aliás, no caso do Maurício, veja na petição da entidade civil representante do movimento no link abaixo, que o jogador teve manifestações numa escalada de proporção e que veio a tomar repercussão com a sua última.
      O comportamento, a opinião, que cause sofrimento, atinja o próximo na dignidade, não é correto. Se o sujeito se incomoda com a realidade, então fique em casa trancado, sem conexão externa, com sua religião, e jogue as chaves fora. Mas vivendo em sociedade e não aceitando a realidade, como ela é, qualificando de errada, feia… sem respeito ao próximo, na dignidade que cada um tem de si, ferindo o sentimento com palavras, gestos e no que escreve, então não tem que reclamar, depois que passa do limite individual, de que está sendo cancelado e se fazer de vítima.

  4. O autor do artigo fala, num trecho, como se o “fim da polícia militar” fosse algo absurdo de ser defendido e coloca a pecha pejorativa negativa na esquerda por tê-la como pauta.

    O fim da militarização da Polícia não significa o fim da Polícia.

    Isso devia ser pauta de todo democrata.

    O que vemos hoje na militarização senão uma organização de castas com privilégios para os de cima???

    – Auxílio moradia do oficial superior em em 3, 4, 5 mil dependendo da patente.
    – Veículo de transporte oficial.
    – Alimentação com ambiente diferenciado em relação aos demais e, talvez, como ocorre nas FFAA, até cardápio próprio da cozinha internacional.
    – Viagens de grupos para eventos supostamente de capacitação ou avaliação de novidades a serem adquiridas e incorporadas pelas instituições, com tudo pago, muitos levando a família junto virando um passeio a maior part do tempo.

    Mas enquanto tudo isso para os de cima, os demais abaixo, nas castas inferiores são mantidos em verdadeiros infernos diários, colocados na carnificina da Política da guerra às drogas (sem o adequado preparo, proteção, planejamento e ação de inteligência) custando vidas. E enxugando gelo.

    Nenhum país democrático do mundo adota uma Polícia militarizada senão para realidade específica. Veja Portugal, talvez o único exemplo, que tem na utilização em áreas não urbanas.

    • Fico em dúvida se você fala tanto destes tipos de privilégios por bons motivos (quer o fim dos privilégios, intoleráveis, que são recebidos pelos funcionários públicos…) ou se você fala por maus motivos (eles têm, eu queria ter e não posso. Por isso quero o fim deles).

      Suponho ser o segundo, mais provável. O que funcionário público mais gosta é de ruminar “um atrasado antigo do governo que está na justiça pelo sindicato… sempre de percentual quebrado 28,76%”

      A solução pra tudo é arrocho, dado que não se pode demitir.

      • Neolight, não tem que supor nada… não defendo nenhuma forma de privilégio sob desculpa alguma. O salário mínimo do Brasil deveria servir de parametro indexador para que acabassem com aumento dos salários altos no funcionalismo. Tem aumentar o mínimo, e muito, antes…

    • ninguem fala dos privilégios da dna Dilma, Lula e Fernando Henrique, que não são nada. mas tem as despesas pagas por nós. e o pessoal do STF, com mordomias vergonhosas para soltarem bandidos.

  5. A questão é que o jogador seguiu destilando frases não apenas numa ocasião, mais várias, e teve, inclusive, em resposta a um colega seu assumidamente homossexual, falando que que hoje o certo é o errado… com a desculpa de que seus valores apoiados na religião garantem falar o que quer… depois, supostamente arrependido, vai se desculpar numa plataforma onde sua conta tem centenas de seguidores quando aquelas postagens foram em outra onde tem milhares.

    Muito idiota ele que resolveu se preocupar com cu de personagem de desenho animado quando o dele nada tem com isso.

    https://www.metropoles.com/brasil/grupo-lgbt-pede-que-mauricio-souza-seja-investigado-por-homofobia

  6. Para chegar a 10 milhões, ele teria que continuar falando besteiras e receber o apoio da familícia. E essa familícia já abandonou antigos aliados de olho nas eleições, não vai querer mais um problema. A melhor saída seria ele continuar falando suas abobrinhas e expor a familícia que está no Planalto como falsos conservadores.

  7. Ainda tem muita água pra rolar até out/22. A ver. Quem está no executivo e tem a caneta tem historicamente muito poder. E Loola ainda não foi exposto nem atacado ainda para lembrarem das cacas que este senhor se envolvera. Loola não foi inocentado em nenhum local, discutiu-se e desconstituiu-se a competência do juiz julgador de seus processos. Então, hemos ainda de vê-lo enfrentar todos aqueles processos ainda.

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