(Rio de Janeiro - RJ, 17/06/2021) Palavras do Presidente da República Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/PR

Não. Mas isso é o que menos importa

Há credibilidade na união de Joice Hasselmann, Alessandro Molon, Gleisi Hoffmann, Taliria Petrone e Kim Kataguiri? Decerto não. Cada um deles por motivações próprias, de poder ou de sobrevivência, querem a cabeça do presidente Jair Bolsonaro. Joice espuma ódio por ter sido escorraçada do PSL; Molon está no limbo da política; Gleisi luta para tirar o PT do lamaçal em que se meteu; Taliria Petrone pediria impeachment se Bolsonaro apenas respirasse; e Kim Kataguiri quer provar que ele e seu grupo estavam certos em ter pulado do barco bolsonarista. Há motivos para impeachment? Inúmeros. Muito mais do que teve Dilma. No fundo, no fundo, o que está em jogo é 2022. Kim e sua turma já expuseram nas redes sociais a real: num post no Instagram de Kim, estava escrito: “Se ele não cair, Lula volta!”. A imagem traz Bolsonaro sentado e uma sombra de Lula. Uma estratégia que pode funcionar junto à opinião pública.

A questão segue na mesma linha do que já registrei aqui dia desses. A tese do ex-deputado federal Eduardo Cunha segue firme: “Em impeachment não se tira presidente. Se coloca presidente”. O general Hamilton Mourão está longe de se alinhar a uma manobra à la Temer, que nas sombras negociou cargos, projetos e verbas com parlamentares para tomar o lugar de Dilma, em 2016. Mourão está na dele. Evidentemente, caso o presidente da Câmara, Arthur Lira, aceite o pedido que entre eles se denomina superimpeachment, Mourão precisa tirar o pijama e se preparar. Pode ter que assumir.

A questão eleitoral de 2022, do ponto de vista das teses e da lógica, está resolvida. Num segundo turno entre Mourão e Lula, a tendência é Lula naufragar. Mourão é mais comedido, mais elegante, mais preparado, mais aberto à imprensa e absolutamente comprometido com causas conservadoras. Reitera por aí que é “liberal na economia e conservador nos costumes”, o que agrada à direita e ao centro.

O que o eleitor de esquerda, que vive numa bolha de realidade própria, não entende, é que quem votou em Bolsonaro não votou porque queria Bolsonaro. Votou porque não queria mais a esquerda, eivada num rombo de bilhões de dólares dos nossos bolsos. Pois Mourão seria a nova opção. Com o vice assumindo e Bolsonaro provavelmente criando um novo candidato para mostrar força, não importa: a polarização direita versus esquerda estaria garantida com mais vantagem para a direita. É mais provável que Mourão cresça nas pesquisas do que Bolsonaro emplaque um poste. E, no segundo turno, não há dúvida. Quem não quer Lula e esquerdas vai para o outro lado. Agora sem a vergonha da rejeição a Bolsonaro.

O negacionismo aqui é de um lado e de outro. Da parte dos bolsonaristas, Bolsonaro é mito e está certo na condução da pandemia. Para os esquerdas, Lula é inocente, é honesto e o juiz Sergio Moro é que é o bandido. Ambos os lados são patéticos. Essa é a mais pura verdade.

Se hoje temos Renan Calheiros conduzindo a relatoria da CPI da Covid, em 2016 tínhamos Eduardo Cunha pilotando o impeachment. Não importa quem está no comando. O que importa é o volume de parlamentares liderados por quem manda.

O “superpedido” feito nesta quarta-feira (29) apresenta 46 assinaturas e unifica os outros 123 pedidos já postos à mesa do presidente da Câmara. O documento protocolado tem 271 páginas e elenca 23 crimes de Bolsonaro durante a pandemia. Até agora estão juntos no pedido PT, PSOL, PCDOB, PSB, PDT, UP, PCO e Rede, além de entidades representativas da sociedade.

O presidente Arthur Lira já adiantou que não aceitará o pedido. E Bolsonaro fez uma ameaça velada em Ponta Porã (MS): “Não será com mentiras ou com CPI integrada por 7 bandidos que vão nos tirar daqui. Só tenho paz e tranquilidade porque sei que, além do povo, eu tenho as Forças Armadas comprometidas com a democracia e com a nossa liberdade”.

Por enquanto parece que nada sai do papel. Mas é bom lembrar que Cunha sentou em cima de vários pedidos de impeachment antes de aceitar um, e, sem cerimônia, pôs a votação em plenário.

Em política, acordos acabam quando um trator ameaça te atropelar. Por enquanto, Lira enxerga o trator estacionado.

Mas de olho na chave, que está na ignição.

4 COMENTÁRIOS

  1. Impeachment não precisa de deputado honesto pra andar. Foi assim com a Dilma. Impeachment é político, ponto. Infelizmente não vivemos em um parlamentarismo, ou então o louco de Brasília já teria caído há muito tempo.

  2. Quem esses babacas pensam q são?
    Umas nulidades,com meia dúzia de votos,corruptos,q querem fingir q o presidente não recebeu CINQUENTA E SETE MILHÕES DE VOTOS,e graças ao fim da corrupção q grassava em gov.anteriores,provavelmente teria muito mais eleitores agora?
    Pendurem uma melancia podre nas genitálias,talvez assim chamem mais atenção!!

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