Foto: Romério Cunha/VPR

Não é coincidência: Nesta quarta-feira (10/11), o vice-presidente Hamilton Mourão oficializou definitivamente que onde Bolsonaro está ele estará do outro lado. A crítica profunda ao orçamento secreto do governo federal gerou apoio irrestrito à intervenção do governo federal pelo STF e pôs Mourão na rua contra o estado.

Disse o general: “Acho que os princípios da administração pública de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência não estavam sendo respeitados nessa forma de execução orçamentária. Então acho que a intervenção do STF foi oportuna”.

Declarar-se do outro lado do governo, onde está escanteado, ativa um valor inestimável na construção de sua candidatura, seja ao senado, seja ao governo do estado, seja de que estado for.

A questão maior é que, com cuidado, coerência e comedimento, Mourão tem se destacado como único estadista do governo federal. Suas declarações vão ao encontro do que se espera de um presidente.

Mesmo posto de lado desde o primeiro dia do governo Bolsonaro, Mourão não se escondeu na cadeira de vice. Sem caneta, sem influência nenhuma, suas entrevistas diárias em Brasília delimitaram suas diferenças de pensamento de Bolsonaro e o conectaram com ex-bolsonaristas.

Nao foi, portanto, coincidência que criticasse duramente o governo federal justamente no dia em que o ex-juiz Sérgio Moro se filiasse ao Podemos e se assumisse político com um discurso que entre outras coisas, registrou um “chega de orçamento secreto”.

A chapa Moro-Mourão pode ir à frente? Do ponto de vista ideológico e de princípios, sim. Do ponto de vista partidário há muitos detalhes a serem discutidos. Mas não resta dúvida: mesmo distantes, mesmo sem laços eleitorais, o fato de dois elementos simbólicos anticorrupção do lado de fora da aliança Bolsonaro vai gerar enorme estrago na narrativa de Bolsonaro. A eles somam-se o general Santos Cruz, o grupo de Paulo Marinho, os parlamentares que pularam de lado no primeiro ano de governo e os possíveis indiciados na CPI da Covid.

Para quem aplaude a suposta hegemonia de Lula nesse momento, nas pesquisas, é bom começar a fazer contas: Nas próximas pesquisas até o fim do ano, Lula deve partir de 35%, Bolsonaro, de 25%, Moro de 13%. Ciro está se esvaindo e não deve passar de 6%. Partido Novo e PSDB devem chegar a 8%. Façam as contas ideológicas para um segundo turno e vejam que não será nada molezinha para a esquerda.

Mouro-Mourão são uma espécie de chapa perfeita para que o Brasil avance, dessa vez sem amarras familiares

Este é um artigo de Opinião e não reflete, necessariamente, a opinião do DIÁRIO DO RIO.

2 COMENTÁRIOS

  1. Mas que viajem esse post. No máximo é um sonho pessoal do autor que nunca se realizará. Se não tem o que escrever, melhor não escrever nada. Mostra total desconhecimento da vida política. Pura especulação com desejo de uma impossível realização.

  2. Me engana que eu adoro. Até ontem, Moro e Mourão declaravam juras de amor a Bolsonaro, agora são “a solução pro Brasil avançar”. O articulista deve acreditar em Saci Pererê e Mula sem Cabeça. Moro e Mourão são mais letais à Democracia e ao Estado de Direito e Democrático que Bolsonaro e Família, reles bravateiros das redes sociais. Mourão passa pano nas trapalhadas golpistas de Bolsonaro há 3 anos e Moro, que como juiz, aos invés de punir empresários corruptos, puniu empresas, com isso exterminou as Industrias da Construção Pesada, Óleo e Gás e de Estaleiros, gerando desemprego e queda de arrecadação. #ApagaQueDaTempo

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