Enterrada oficialmente a Lava-Jato, estão aí Gatos Mestres e Ratos-Mestres domando a classe política e negociando o futuro do estado do Rio de Janeiro a troco de uma eleição de WO. Sabem que estão blindados e que nada vai lhes acontecer. Quem poderia impedir o renascimento da velha política nesse estado vendido de forma vil a interesses pessoais nesse que é o pior momento do Rio do ponto de vista ético? O ex-juiz Sergio Moro. Sua filiação oficial ao Podemos, com o discurso de tentar limpar o que o Mico Rei se empenha em sujar em terras fluminenses, é a novidade de 2022.

Caso se confirme candidato a presidente da República, quem seria o candidato de Moro ao governo ao governo do estado do Rio numa provável nova onda? Não seria, decerto, a floresta das benesses, já encampada por Bolsonaro. Não seria também o grupo de Eduardo Paes, cujo candidato, Felipe Santa Cruz, empilhou dezenas de críticas a Moro. Igualmente não seria a esquerda de Marcelo Freixo, Andre Ceciliano ou Rodrigo Neves, adversários ideológicos de Moro.

O que sobra a Moro no Rio? Do ponto de vista ético, o ex-juiz terá que buscar candidatos alinhados com sua visão de faxina. O Podemos, seu partido agora, tem esse candidato? Pode vir a ter. Uma cara nova, quem sabe?

Há também o bravo PRTB do estado, dirigido pelo ex-Polícia Federal Antônio Carlos dos Santos, que até agora manteve-se firme em seus princípios, distante das garras dos micos e King Kongs, e está abraçado com o general Hamilton Mourão para onde quer que ele vá.

Estaria aí um possível modelo de interseção? Mourão, ignorado, humilhado, escorraçado por Jair Bolsonaro, poderia abrir conversa com Moro? De fato, seria uma chapa fortíssima. Aliás, independentemente de ser forte, os dois juntos, estejam de que forma for, seriam um belo de um tiro de canhão. Duas personalidades limpas, odiadas por Bolsonaro e por Lula.

Portanto, uma forma de o eleitorado do estado do Rio de Janeiro fugir dessa floresta de micos pode ser passar por esses dois caras, Moro e Mourão: durante sua filiação ao Podemos, na manhã desta quarta-feira, Moro atacou Bolsonaro:

“Queria combater a corrupção e o governo me negou apoio”.

E lembrou de suas conquistas:

“Mais de R$ 4 bilhões foram recuperados dos criminosos. E mais de R$ 10 bilhões ainda serão devolvidos. Com grande apoio da população brasileira. A lei se aplica para todos. E nesse momento a lei não está mais valendo para todos. Como se tudo que fosse feito não tivesse valido. Eu sonhava que a Lava-Jato poderia mudar a política. E isso não aconteceu. Nossas únicas armas serão a verdade, a ciência e a Justiça”.

Moro é a vítima do sistema. Desbaratou todo o esquemão que havia, há décadas. Levou Lula à prisão e fez corruptos pediram arrego. Ao deixar de ser juiz para virar ministro de Bolsonaro, deixou o flanco aberto para o sistema se reconstruir e, acredite, criminizá-lo. Sua entrada na política não é de longe oportunista. É oportuna. A questão é que Moro não tem o perfil do embate, da agressividade, do discurso, do que o povo quer ouvir. Terá enorme dificuldade de se comunicar. E admitiu isso em seu discurso de filiação. “Se minha voz pode não agradar, vocês podem ter certeza de que vocês podem ter em quem confiar”. Terá que se preparar e, sim, mudar algumas certezas e conceitos para entrar no jogo de fato. Ainda falta muito. E há pouco tempo.

A Floresta está em polvorosa. Mico Rei não pode comprar tudo. Gato e Rato Mestre estão ali, cheirando esgoto, comendo pó e exalando perfumes baratos. Nem todo mundo está à venda. Mico Rei não passará na porta de Moro. São incompatíveis.


A política dá muitas voltas. Anthony Garotinho, candidato a deputado federal e a explodir de votos em 2022, pode eleger, a reboque, dois filhos de seus desafetos no União Brasil: Marco Antonio Cabral, filho de Sergio Cabral, e Danielle Cunha, filha de Eduardo Cunha.

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