Marroni: Grande Rio é a favorita; Tijuca e Mocidade provam que Carnaval é na Avenida; e Portela com chão fortíssimo

Tuiuti erra em enredo sem pé e cabeça, estoura tempo e causa novo acidente na armação e Vila Isabel promove arrastão com homenagem a Martinho.

A segunda noite dos desfiles das escolas de samba do grupo especial foi a prova que a magia do Carnaval realmente acontece na Avenida Marquês de Sapucaí.

A favorita da noite, a Acadêmicos do Grande Rio foi a quinta agremiação a pisar na Sapucaí, mas gabaritou os comentários das arquibancadas, redes sociais e imprensa com sua apoteótica aula de que o orixá Exu não é um demônio.

Como em 2020, a escola entrou como favorita e reafirmou a sede de vencer o primeiro título de sua história na elite do Carnaval. O responsável: Joãozinho da Gomeia, que com os carnavalescos Haddad e Bora, devolveu a essência da escola da Baixada Fluminense.

Logo no início, a tricolor de Duque de Caxias pediu licença a Exu. Uma comissão de frente icônica com as oferendas que significam: quem oferece a Exu não passa fome. Magnífica apresentação.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, estavam belíssimos com a fantasia “A Criação”, representaram Exu e Oxalá e fizeram uma apresentação magnífica, dançando como os orixás se apresentam.

A escola veio com chão muito forte, a arquibancada cantou o samba e a bateria sem dúvidas garantiu seu dez.

Teve uma evolução lenta em alguns momentos e deve perder algum décimo. A alegoria três, passou apagada no segundo módulo, se o júri percebeu, também deve canetar, mas logo em seguida, acendeu. Uma curiosidade: o autor do samba sobre Exu é evangélico e ninguém questionou em momento nenhum sua fé. Que bom!

E as outras escolas que desfilaram? Vamos falar delas:

PARAÍSO DO TUIUTI

Feriado de São Jorge, a azul e amarelo, de São Cristóvão, iniciou tocando para o orixá Ogum. Fim de desfile trágico com acidente envolvendo uma ex-chacrete e um dos carros alegóricos.

A escola teve sérios problemas em evolução, estourou o tempo em dois minutos e começará a apuração com menos dois décimos.

Outro problema da escola foi o quesito Enredo. O carnavalesco Paulo Barros não passou a mensagem e a situação piorou usando sua velha fórmula de usar humanos. Ficou confuso e de difícil entendimento.

Já o samba rendeu muito na Avenida, a comunidade pisou forte e estava com canto e a bateria do mestre Marcão, fez seu dever de casa.

A Paraíso do Tuiuti deverá disputar a permanência na elite do Carnaval com a São Clemente. Se ficar, que volte para “a pegada de africano”, não menos brasileira, mas não essa “made in USA” que vimos no desfile de hoje.

PORTELA

O começo do desfile da Portela foi emocionante, a águia levantou a Sapucaí com seu tradicional grito, mas não veio imponente como dos outros anos. Devem estar guardando para o centenário da escola no Carnaval de 2023.

Fez um desfile clássico, elegante e leve, com uma belíssima paleta de cores, emboladas por Renato e Marcia Lage.

Outro ponto alto é Gilsinho. O que é a voz desse cara!? Mesmo com um samba não tão pra cima, conseguiu fazer a comunidade cantar e segurar importantes décimos.

MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL

Uma das grandes favoritas ao título, a Mocidade Independente de Padre Miguel vai ficar na dependência da boa vontade dos jurados para tentar voltar no G6. O abre-alas causou problemas para entrar na Marquês de Sapucaí e formou buracos na frente do júri.

Belíssima dança do primeiro casal de mestre sala e porta bandeira. Bailaram com leveza, lindamente e chamando a arquibancada. A bateria foi um show a parte. Uma das melhores de todos esses quatro dias, se não, a melhor.

Samba enredo pegou na avenida, deu gás no chão da comunidade. Destaque para o último carro com foto dos baluartes da escola e o trono de Elza Soares vazio.

O carnavalesco Fábio Ricardo foi excelente e tem que seguir na escola. Problema visual da escola foi resolvido, agora é acertar para não cometer erros em evolução, em harmonia e não esquecer escada em cima da alegoria.

UNIDOS DA TIJUCA

O amor venceu! A grande zebra da noite, o pavão do Borel entrou quietinho. A bateria do mestre Casagrande deu um show, a comunidade cantou alto o samba. A voz feminina de Wic Tavares foi um dos destaques e diferenciais.

A Tijuca desfilou provando que Carnaval se faz na avenida. Uma belíssima paleta de cores e acabamento visual nas fantasias, dando combinação com as alegorias. Cores vivas, alegres e fortes. Evolução e harmonia impecáveis, assim como enredo bem desenvolvido.

Logo na abertura, tivemos a ala do bem e do mal, representada pelas cores da azul e amarelo. A comunidade do Borel entrou ferida e provou que o “calado vence”. Vai voltar no sábado.

VILA ISABEL

A azul e branco foi a responsável pelo arrastão e por fechar a noite dos desfiles do grupo especial. Martinho da Vila, o grande homenageado, ovacionado a cada vez que aparecia acima das palha dê Obaluaê. Um rei, uma oferenda da escola ao seu povo.

Criminoso é o anúncio da Vila sobre a troca de Edson Pereira por Paulo Barros. A escola teve um dos mais belos conjuntos alegóricos e fantasias com excelente acabamento.

Destaque negativo ficou para o samba, que não pegou e positivo para bateria, evolução e harmonia. A escola estava certinha e pode ameaçar a Grande Rio nestes quesitos.

Cidadão Baixada. Filho, neto e bisneto de pernambucanos é caxiense, portelense, tricolor, professor de História e Jornalista. É pesquisador na área da pessoa com deficiência, voluntário do Lions Clube Xérem e no Pré-Vestibular Comunitário da Educafro.
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2 COMENTÁRIOS

  1. Marroni, como jornalista vc deveria ter imparcialidade e estudar sobre o tema antes de expressar suas opiniões sobre um determinado assunto do qual claramente não domina, senão, vejamos:

    GRANDE RIO
    Terceiro parágrafo: “…O responsável: Joãozinho da Gomeia, que com os carnavalescos Haddad e Bora, devolveu a essência da escola da Baixada Fluminense.”

    JOÃOZINHO DA GOMÉIA MORREU EM 1971 tendo sido um babalorixá conhecido por suas práticas de disseminação do candomblé fundando uma das primeiras e mais respeitadas “casas de atendimento espiritual” em Caxias onde ficou conhecido como “O Rei do Candomblé”!

    TUIUTI
    Primeiro parágrafo: …”Começo de desfile trágico com acidente envolvendo uma ex-chacrete.”

    Para começar, não foi no início do desfile, mas na dispersão, em frente ao último setor e o problema foi ocasionado pelos maqueiros da LIESA que erradamente sentaram a desfilante em uma cadeira de rodas DENTRO DA AVENIDA, onde é proibida a permanência durante o desfile, justamente para evitar esse tipo de acidente. E, se a agremiação atrasou sua saída, não foi por falha ou desatenção da harmonia, mas pelo acidente causado por terceiros, que foge ao controle da escola e, na minha opinião, por conta disso deve ser desconsiderada a punição.

    PORTELA
    Com um desfile lindo, nos moldes tradicionais e com a “Tabajara” dando um show de ritmo vc não tem mais nada para falar a não ser meter o malho na águia e falar da voz do Gilsinho!?

    MOCIDADE
    Falar que a bateria da Mocidade foi a melhor do carnaval, vc só pode estar brincando, né!? Qual seu conhecimento de ritmo, andamento, harmonia musical para “julgar” esse quesito!? Se vc quer saber, foi uma das PIORES deste carnaval. Caixas emboladas em timbres diferentes, terceiras “soltas (mocidade nunca soube trabalhar dessa forma)”, chocalhos subindo sem o tradicional “cascavel” (que é uma das caras da “Não Existe Mais Quente”), desenho tosco dos tamborins e bossas fora do andamento.

    Quer mais!?

    Perderão pontos preciosos por conta do abre-alas. Por ter desacoplado, um carro transformou-se em três e isso tira pontos de conjunto, alegoria, harmonia… Sem contar com a cadeira vazia da Elza Soares. entendemos que infelizmente ela não pôde ocupar sua cadeira, mas REGRA É REGRA e se é previsto um componente naquela cadeira, TEM QUE TER UM COMPONENTE NA CADEIRA!!! Perderão pontos nos mesmos quesitos por conta disso.

    TIJUCA
    Novamente tanta coisa boa para falar da Tijuca e vc se limita em dizer que “vai voltar no sábado” e uma frase mal redigida e errônea sobre “representação do bem e do mal em uma ala amarelo e azul!? Junto com a Grande Rio foi a melhor escola do carnaval! A mais viva, mais radiante, mais “chão”!!! A melhor bateria do carnaval onde ouvia-se claramente todos os naipes de instrumentos, seja em um andamento mais cadenciado (identidade do Casa Grande – “Casão” para os íntimos) ou mais acelerado, como o samba pediu. E esse papo “tosco” de “comunidade ferida”!? Não desfilou bem em 2020, o enredo foi mal desenvolvido, “passou” na avenida e o nono lugar foi merecido.

    VILA
    Primeiro parágrafo: …”A azul e branco foi a responsável pelo arrastão”. Isso acontece TODOS OS ANOS seja qual for a escola que encerrar o desfile (comentário típico de quem assiste os desfiles pela TV e se impressiona com os comentaristas da Globo).

    Um dos “mais belos conjuntos alegóricos”!? Os carros da Vila raramente tiveram acabamentos perfeitos. As esculturas pareciam de carros do acesso, e, quase assim como na Mangueira, as fantasias encheram o saco de tanto azul e branco. E por falar em Mangueira, a roupa da bateria veio exatamente como a bateria da “manga” de 2011 (duvida!? veja o vídeo https://youtu.be/Yk5YnJiljaY). Total falta de criatividade!!!

    Destaque “positivo” para a bateria da Vila!? Se estivesse falando dos ensaios aqui na 28 eu até entenderia, mas no desfile foi uma meeeeerda. Assim como na mocidade, as caixas embolaram com os taróis e mal se ouvia o ritmo da “Swingueira de Noel”. As bossas eram feitas fora do andamento e mais aceleradas, como se os ritmistas quisessem “acabar logo com aquilo” para voltar ao ritmo de avenida (bem Vila Isabel).

    Martinho é muito mais do que o carnavalesco mostrou. tem muito mais riqueza de histórias pessoais e no meio artístico. Tem memoráveis sambas que ficaram de fora, ou que foram somente “pincelados” no enredo.

    Para finalizar, ao menos em uma coisa concordamos: PAULO BARROS NA VILA, NEM PENSAR!!!

    Ah! E faz o seguinte: se quiser aprender um pouquinho sobre ritmo, bossas, andamento e harmonização de diferentes naipes de instrumentos na bateria, vem bater um papinho. Tenho só 32ANOS de Sapucaí (30 dos quais desfilando em bateriaS no RJ e SP), 16Anos de trabalho na organização do evento, pai ex harmonia e ex vice-presidente da Vila, ex diretor de carnaval da LIESA e mãe ex diretora de ala e de depto. feminino da Vila, então eu acho que conheço “um pouquinho” sobre isso. Não sou “folião de TV”!

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