Valéria Saraceni integra o grupo de análise do Centro de Operações de Emergências em Saúde (COE COVID-19 RIO) - Marcelo Piu/Prefeitura do Rio

Diante da situação dramática da Saúde no Rio, com altos índices de ocupação dos leitos hospitalares e unidades de saúde lotadas de pacientes com Coronavírus, a médica concursada do município há 31 anos, Valéria Saraceni não pensou duas vezes em adiar a aposentadoria para fazer parte do grupo de análise do Centro de Operações de Emergências em Saúde (COE COVID-19 RIO). Antes dessa missão, Valéria atuava, desde 2009, como coordenadora da Análise de Situação de Saúde da Superintendência de Vigilância em Saúde da SMS.

Nos últimos anos, já estava pensando em reduzir a minha carga de trabalho. Como tenho duas matrículas de médico (por ter feito dois concursos para o município) e já tinha direito à licença especial, tirei uma delas porque pensava em me aposentar por uma matrícula e continuar a trabalhar pela outra. Trabalharia menos, me dedicaria às pesquisas ou a outras coisas no meu horário livre. E faria o que tivesse vontade de fazer na vida. Mas com a volta do Eduardo Paes, e Daniel Soranz retornando como nosso secretário, começamos essa mobilização e ele já me botou de volta na ativa. E mudou os meus planos – conta Valéria, de 63 anos“.

A médica já atuou em outras pandemias, como a da Aids – Marcelo Piu/Prefeitura do Rio

A empolgação da médica mostra que não foi nenhum sacrifício não ter ainda pendurado as chuteiras. Afinal, essa convocação abriu uma nova possibilidade na extensa trajetória da servidora.

É uma oportunidade muito grande poder continuar fazendo o que gosto, que é a análise de dados, além de fazer uma reflexão da condição da saúde. É muito bom para mim” – diz Valéria, que ainda completa:

Tenho entusiasmo pelo meu trabalho. A gente produz informação que é supervaliosa sobre a saúde na cidade e que ajuda na gestão municipal“.

E no Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta segunda-feira (08/03), Valéria enxerga com bons olhos a atuação feminina na pasta.

Acho que é a maior força dessa secretaria. Então, ter uma quantidade boa de mulheres em áreas que vão refletir no cuidado com as pessoas, acho que isso ajuda muito. As mulheres gostam de cuidar, tem um outro tipo de olhar, mais abrangente, de tentar entender o que a população precisa“, analisa a médica, que diz nunca ter se sentido excluída por ser mulher:

Dentro do município, na Saúde, a gente tem muito mais mulher do que homem. Por tradição, quase sempre tivemos secretários, só na gestão passada tivemos uma secretária. Mas eu nunca tive nenhum problema, algum embaraço por conta de ser mulher. Nunca deixei de ser ouvida, expressar minha opinião, nunca deixei de fazer um trabalho dentro da secretaria ou prefeitura por ser mulher. As pessoas que me chefiam respeitam as minhas opiniões, querem me ouvir, saber o que tenho para contribuir.

Vontade de ser médica do município

O desejo em estar no quadro da Prefeitura vem desde a época da faculdade. Formada pela Uerj, em 1982, Valéria conta que chegou a estagiar no Hospital Miguel Couto.

Eu sempre quis trabalhar no município. Então, quando entrei, passei a gostar ainda mais de atuar na saúde pública, na melhoraria das condições para a população“, conta a médica, que prestou concursos para a Prefeitura em 1990 e 1994.

A carreira da médica não poderia ser mais vitoriosa. Após ingressar na Prefeitura, indo trabalhar no Centro Municipal de Saúde Alvimar de Carvalho, em Pedra de Guaratiba, Valéria passou pelo Miguel Couto, onde atendia muitos pacientes com HIV/Aids. Com uma estrutura montada para o tratamento da doença no Hospital Rocha Maia, e o lançamento do Programa de HIV/Aids,  a profissional foi designada para trabalhar na unidade. Em 1997, recebeu convite para atuar no nível central da SMS,  na área de Vigilância em Saúde, onde ficou até 2019.

Aos poucos, fui largando o atendimento, me desligando de atender pacientes, para focar no melhor cuidado para o maior número de pessoas. Então, capacitávamos pessoas, fazíamos levantamentos de dados, procurava entender o que melhor poderia fazer para um paciente da Aids e levar isso para rede de saúde. Vimos a questão da tuberculose dentro da doença. Trabalhando com DST, fizemos uma revolução da sífilis congênita nos anos 2000 e 2001. Foram momentos muito bons. Até hoje sou consultora do Ministério da Saúde nesse campo da sífilis, porque a gente fez muita coisa pelo município“, orgulha-se.

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