Foto: Brenno Carvalho

Apesar da pandemia, 2020 não será um ano ruim para o mercado imobiliário carioca. De acordo com a projeção da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ), no começo do isolamento a expectativa era que 2020 pudesse ser um fiasco como 2017, que foi o pior desde 2000. Agora, analisando retomada do setor, deve ficar parecido com 2019, que foi um bom ano para o mercado.

A recuperação em “V”, que representa crescimento tão rápido quanto a queda, pode se tornar uma realidade para o mercado imobiliário brasileiro. Os dados divulgados recentemente mostram possibilidades do setor retomar ou até superar os números de antes da pandemia.

Um exemplo de como andam os resultados positivos após a pandemia foi a venda surpreendente das unidades de um edifício de luxo que foi lançado na orla de Copacabana. O prédio teve praticamente todas as suas unidades vendidas em menos de duas semanas, a valores de Ipanema e Leblon, segundo especialistas.

Um outro exemplo foi o alto índice de velocidade de vendas de um empreendimento em Botafogo, próximo ao Rio Sul, num terreno que pertenceu à Santa Casa de Misericórdia. Os valores de Botafogo começavam em 18 mil reais por metro, com unidades sendo vendidas, segundo especialistas, por até 32 mil reais por metro quadrado no caso de Copacabana.

Lucy Dobbin, superintendente de vendas da Sérgio Castro Imóveis, contou que a recuperação É real e que o departamento de vendas da empresa está dando ótimo retorno desde Julho.

Não resta nenhuma dúvida sobre o crescimento rápido do mercado imobiliário neste último binestre. E creio que terminaremos 2020 com resultados melhores que 2019. Nos primeiros meses de pandemia, de março a maio, vimos um cenário de grande insegurança que afetou diretamente o mercado. Raramente conseguíamos mostrar um imóvel habitado. Alguns compradores imaginaram que até o final do ano, os preços cairiam brutalmente e retraíram as intenções de compra. E não foram raros os vendedores que suspenderam as vendas para aguardar os acontecimentos, mas passado a fase inicial, em junho, o cenário mudou.”

Josué Madeira, fundador da Enjoy Imóveis, explicou que havia muita expectativa quanto ao ano de 2020, pois no primeiro trimestre do ano os resultados foram 32% acima do mesmo período de 2019, mesmo tendo parado as operações no dia 15 de março. Segundo ele, o mês de abril foi catastrófico, mas em maio o setor iniciou sua retomada.

A pandemia trouxe preocupação e desafios para todos, entretanto, a partir de maio os negócios começaram a fluir.  De junho em diante os negócios retornaram, em julho tivemos nosso melhor mês da história e agosto, mesmo não sendo melhor que julho, foi ainda assim 30% melhor que nossa média de 2019, dissipando as preocupações e nos fazendo focar em aproveitar o momento. No ano, até agosto, estamos 23% acima do que fizemos no mesmo período de 2019, acreditando que há espaço para mais crescimento”, ele contou.

Edison Parente, vice presidente comercial da Administradora de Imóveis Renascença, destaca o período de isolamento como um dos motivos para a alta do mercado. Segundo ele, as pessoas que deixaram de procurar os imóveis agora estão voltando às buscas e isso está ajudando o setor nesta retomada.

O mercado está vindo numa crescente devido a uma demanda represada. As pessoas estavam com medo de sair de casa, estavam com outras coisas na cabeça… Mas quem quer alugar imóvel, em sua grande maioria, tem um prazo. Ou o contrato está acabando, ou está casando, ou se separando… sempre tem um limite de tempo e os clientes agora já não têm muita opção a não ser começar a procurar os imóveis. Esse mês de agosto foi o melhor agosto da história da empresa, justamente porque essa demanda represada está começando a definir suas vidas.”

Alguns fatores podem estar relacionados a esse crescimento do setor. A taxa Selic, que está muito baixa, é um destes, pois desfavorece os investimentos em renda fixa. Isso torna a compra de imóveis uma opção de investimento. André Toledo, diretor da Block Imóveis, explicou um pouco sobre a influência da taxa Selic no mercado.

O dinheiro aplicado passa a não render, já que a Selic está muito baixa. E os imóveis têm uma rentabilidade muito interessante e estão com preços muito bons, então isso proporciona um excelente negócio para quem está comprando e para quem está vendendo, porque se torna lucrativo para ambos.

A quantidade de tempo que se passa dentro de casa devido à pandemia e às medidas de distanciamento também influencia no aumento do interesse dos compradores. Por passar mais tempo em seus lares, as pessoas estão se preocupando mais com seus imóveis. Outro fator é que a taxa de juro média do financiamento imobiliário é a menor da história, portanto, gerando maior interesse das pessoas em adquirir imóveis. 

“Depois de muito tempo confinados, surgiu a demanda por imóveis mais adequados às necessidades de espaço. Uns querendo imóveis maiores, com varandas, terraço, etc.  Outros, espaços menores, que exigem menos cuidados. Outro impacto positivo foi a grande  oferta pelos bancos de linhas de crédito super atrativas, com  taxas de juros nunca antes praticada”, Lucy Dobbin explicou.

André Toledo também destacou que as taxas de juros afetam diretamente o mercado imobiliário. De acordo com ele, os números atuais geram uma expectativa de crescimento, pois a demanda continua aumentando.

“As taxas de juro estão muito baixas, os preços estão convidativos… isso fez movimentar muito o mercado. Nós já batemos o número de vendas do ano passado, tanto em unidades vendidas quanto no valor geral de vendas (VGV) e estamos com uma perspectiva enorme, porque o mercado não para e a procura segue aumentando.”

Considerando os bons números e os resultados positivos que vêm sendo apresentados, fica cada vez mais clara a percepção de que a retomada possivelmente será em “V“, fortalecendo ainda mais o mercado imobiliário. 

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