Foto: Reprodução

Recentemente, tomei conhecimento de três notícias que mostram o estilo Wilson Witzel de governar. A primeira mostrava que ele fez flexões junto com membros do BOPE. A segunda dava conta de que o governador segurou uma metralhadora apreendida pela polícia. A terceira informava que Witzel participou pessoalmente de uma operação policial ocorrida em Angra dos Reis, sobrevoando com helicóptero uma área de confronto entre policiais e bandidos. Após saber destes fatos fiquei me perguntando: Será que esse estilo de Witzel dá resultado na segurança pública ou é apenas um show midiático que o apresenta como “linha-dura”?

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Resolvi ir ao site do importante e útil Instituto de Segurança Pública, gerido pelo próprio governo, que já apresenta dados obtidos nos 3 primeiros meses da gestão do atual governador. Na comparação entre janeiro a março de 2018, época em que o Rio estava sob intervenção federal na segurança, e janeiro e março de 2019, período onde o estado já estava sob a coordenação de Witzel e suas duas secretarias de segurança – já que agora as polícias Civil e Militar têm, ambas, uma secretaria para chamar de sua -, as variações dos números para todo o estado do Rio foram: Furtos – aumento de 13,9%; Estupros – aumento de 4.7%; Homicídios – redução de 26%; Mortes por intervenção de agente do estado – aumento de 17,9%; Lesão corporal dolosa – aumento de 8,7%; Policiais militares mortos em serviço – redução de 11 para 8; Assaltos – redução de 2,2%; Roubos – redução de 9,5%.

Como se pode ver, alguns índices pioraram, especialmente os furtos, sendo que os gravíssimos estupros estão entre os que aumentaram. Outros índices melhoraram, especialmente os homicídios, que se reduziram consideravelmente. Além disso, houve redução do número de policiais mortos em serviço, enquanto houve aumento do número de pessoas mortas pelos policiais. Os números permitem concluir que a segurança dos cidadãos do estado do Rio não mudou muito na comparação com 2018, exceto no que diz respeito aos homicídios – um importante fato – e no que se refere à atuação dos policiais, que podem estar se sentindo mais respaldados para “atirar primeiro” no âmbito da gestão de Witzel, afinal de contas, o próprio governador trata do tema frequentemente. Vale ressaltar que a intervenção federal na segurança reduziu quase todos os índices e sem dúvida gerou efeitos que podem estar interpretando um papel até hoje, como por exemplo na redução dos roubos e dos homicídios. Ao mesmo tempo esses efeitos já podem estar passando quando olhamos o aumento de lesões corporais dolosas e furtos.

Com mais tempo de Witzel no governo poderemos ter mais noção do que é efeito residual da intervenção e do que é resultado de sua gestão. Em poucos meses, não será mais possível surfar nos números que podem ser fruto da intervenção e os dados serão da gestão atual, para o bem ou para o mal. Enquanto isso, a redução de homicídios pode ser comemorada pelo governador, mas vale acompanhar a evolução dos números nos próximos meses. Ademais, provavelmente o governo e muitos outros celebram a mudança de postura dos policiais que os números permitem supor. O governo mais “linha-dura” pode estar deixando as forças de segurança mais à vontade para puxar o gatilho quando acharem necessário.

Em resumo, ainda é cedo para avaliar os efeitos completos da política de segurança de Witzel, mas os números mostram que as metralhadoras, helicópteros e flexões do governador não deram tanto resultado assim, até agora, na maioria dos pontos analisados. Melhor prevenção, integração e inteligência provavelmente ajudarão bem mais do que o governador se colocar como personagem de filme de ação. Vidas reais dependem disso.

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