Montenegro cita ‘500 mortos por dia’ e descarta retorno do Botafogo às atividades agora

Carlos Augusto Montenegro, membro do comitê-gestor do Botafogo - Foto: Vitor Silva/Botafogo

Em meio à possibilidade de retorno dos times do RJ aos treinos, além da sugestão do presidente da República, Jair Bolsonaro, de finalizar o Campeonato Carioca em Brasília, Carlos Augusto Montenegro, membro do comitê gestor do Botafogo e figura influente nos bastidores do Alvinegro, disse estar ”perplexo” com os pedidos do retorno do futebol e definiu a situação como uma ”estupidez”.

”Por que essa maluquice com o futebol? Por que que tem que treinar de qualquer maneira? Por que começar dia 20/05? Então vai ter uma fila de gente indo tratar os internados, uma outra fila de pessoas enterrando gente e outra fila de jogadores indo treinar? Que isso, cara?! Acho que as pessoas perderam a cabeça. O Ministério da Saúde falar que pode treinar é ridículo”, disse Montenegro em entrevista a um canal no YouTube ligado ao Botafogo.

O ex-presidente alvinegro enfatizou, ainda, que a equipe só volta às atividades quando a situação se normalizar.

”Se vier pressão de CBF, Ministério da Saúde, Federação, para que se inicie os treinos nessa situação, em que todos os técnicos dizem que pode piorar, o Botafogo não vai jogar. Vai continuar treinando em casa, com os atletas em casa. Os atletas em casa pelo menos estão protegidos. Como que vou tirar eles de lá? Para ficar treinando. Isso é uma estupidez, cara. ‘Ah, vai perder ponto’. A gente perde ponto. Cada ponto que a gente perder vai ser uma vida salva”, completou o dirigente.

Carlos Augusto Montenegro durante live em canal no YouTube nesta sexta (01/05) – Foto: Reprodução/Internet

Um dos impasses em relação ao futebol carioca é sobre quem deve dar as ordens sobre o retorno às atividades. Para Montenegro, essa função cabe à Prefeitura.

”A OMS não tem nada a ver com isso, ela só dá orientação para os países. Ela não deve saber cada caso de cada país. Não vai ser ela que vai dizer quando as atividades vão voltar. No Brasil, você tem o Ministério da Saúde, que teoricamente teria que orientar. E tem os governos estaduais e municipais vivendo o problema de perto. Eu digo que, hoje, quem dá a última palavra é de baixo para cima. Quem diz se pode voltar à normalidade primeiro são os prefeitos e secretarias municipais de saúde. Depois, o governador e os secretários estaduais de saúde. E aí por diante”, opinou ele, ainda complementando.

”Além disso, você tem o bom senso de notar que não pode ir treinar com 500 mortos por dia. Você não pode fazer isso. Isso é de uma estupide. O [ex] presidente do Atlético-MG falou que é coisa de débil mental. Estão querendo fazer o futebol como bode expiatório. Eu vejo no mundo todo mundo preocupado com a doença. A NBA acabou, os torneio de tênis foram cancelados, a Fórmula 1 até agosto não vai voltar. Natação, basquete, vôlei, pingue ponte, amarelinha, ‘purrinha’… Tudo quanto é tipo de esporte, ninguém fala em voltar. Todo mundo quieto. Agora, o futebol é uma pressão tremenda para arriscar a vida dos jogadores e comissão técnica, entendeu? Como se fosse um circo, vamos lá botar os palhacinhos jogando, mesmo sem público, e dane-se eles. Vão jogar, correr atrás da bola para alegrar as pessoas domingo de tarde em casa. É uma falta de respeito, uma coisa horrível”, lamentou Montenegro.

Antes de encerrar, o dirigente disse que não iria conseguir dormir caso colocasse um jogador alvinegro para treinar e o mesmo acabasse contraindo o vírus.

”Você está combatendo uma doença traiçoeira, invisível, ninguém tem noção do que fazer. Tem gente que não sabe ainda se, mesmo tendo pego, pode pegar de novo. É tudo desconhecido. Eram 100 mortes por dia, agora são 500. Quando passa de 100 para 500, aumenta a pressão para voltar a treinar. É uma estupidez, cara. Se depender do Botafogo, o futebol só volta quando as coisas estiveram perto da normalidade. Como vou dormir à noite se um atleta meu sair para treinar e se contaminar? Aí vai para o hospital e não tem vaga para ele. Como vou dormir à noite, cara?”, concluiu.

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