Monumento em homenagem a Zumbi e seu ‘antecessor’

Monumento em homenagem a Zumbi e seu ‘antecessor’

23 de novembro de 2018 0 Por Felipe Lucena
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No mês da consciência negra, o Monumento para Zumbi dos Palmares, na região da Praça XI, fica em evidência. Mais que justo. E essa evidência deve estar presente sempre. Contudo, antes da homenagem para Zumbi, outro herói negro teve destaque na mesma área. Trata-se do marinheiro Marcílio Dias.


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O Monumento que representa Zumbi dos Palmares foi inaugurado em 1986 e se encontra no mesmo lugar hoje em dia, na Presidente Vargas, próximo ao Sambódromo. Virou um símbolo na luta contra o racismo no Brasil, em uma parte da cidade que abriga muita história afro.

Durante a sua inauguração, um grande show aconteceu na Praça XI com a presença de mães-de-santo, afoxés e grupos de dança negra. Desde que foi inaugurado, o monumento se mostrou também resistente, como o seu líder inspirador, tendo já sofrido várias pichações públicas, devidamente removidas pela SECONSERVA e pela COMLURB“, informa uma notícia do Jornal do Brasil de 1987, encontrada no Arquivo Geral da Cidade.

O monumento em homenagem a Zumbi foi idealizado por Darcy Ribeiro para homenagear o líder negro e fortalecer a consciência negra. E teve o cantor e compositor Martinho da Vila como um dos maiores incentivadores da obra.

Mais de quatro décadas antes da inauguração do Monumento para Zumbi dos Palmares, em junho 1948, o escultor Luis Paes Leme criou um Monumento retratando Marcílio Dias, que foi doado pelo Clube Naval e colocado na Praça XI.

Foi uma homenagem em referência ao aniversário da Batalha do Riachuelo, na Guerra do Paraguai, e da morte de Marcílio Dias, marinheiro negro, que foi herói neste conflito” diz o historiador Maurício Santos.

Marcílio Dias

Marcílio Dias sagrou-se herói na Batalha Naval do Riachuelo, em 11 de junho de 1865, no início da Guerra da Tríplice Aliança. Quando a corveta Parnaíba, onde chefiava o rodízio raiado de ré, foi abordada por três navios paraguaios, travou uma luta corpo a corpo contra quatro inimigos, armado de sabre, abatendo dois deles. Na luta teve seu braço decepado”, destaca a pesquisadora Vera Dias, no blog História dos Monumentos do Rio de Janeiro.

Em 1978, o Monumento que homenageia Marcílio Dias foi removido para que as obras do metrô fossem realizadas. No ano seguinte, foi recolocado no mesmo lugar.

No ano de 1983, um acidente de carro derrubou o Busto. Após ir para uma delegacia de polícia, o Monumento foi para o antigo Departamento de Parques e Jardins, onde os danos foram recuperados.

Foi reinstalado em 1986, alguns meses antes da inauguração do Monumento para Zumbi dos Palmares, na mesma Praça XI. Todavia, a dupla de bustos que homenageiam heróis negros conviveu por pouco tempo.

O Monumento [a Marcílio Dias] permaneceu na Praça XI até ser roubado em 1988, conforme registram o ofício 520-0-DGPJ, de 19 de dezembro de 1988, e as notícias dos jornais da época”, conta Vera Dias.

Notícia sobre o roubo do Monumento a Marcílio Dias

O busto foi recuperado. E foi reinaugurado na Praça Barão de Ladário, em 1995, em frente ao I Distrito Naval, onde ficou até 2012. Devido às obras do Porto Maravilha, o Monumento precisou ser novamente removido.

Hoje em dia, o busto está sob a guarda da Marinha do Brasil, na espera de uma nova oportunidade de voltar à área pública.

 

Há quem deseja colocá-lo no local de origem, na mesma região que o Monumento para Zumbi. É uma boa ideia. Na história, a representatividade dos dois segue presente. Sempre.

 

 

 

 

 

Felipe Lucena é jornalista, roteirista e escritor. Filho de nordestinos, nasceu e foi criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Apesar da distância, sempre foi (e pretende continuar sendo) um assíduo frequentador das mais diversas regiões da Cidade Maravilhosa.


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