Moradores de Bangu querem transformar a Casa do Silveirinha em centro cultural (Foto: Reprodução Internet)

Moradores de Bangu, na Zona Oeste do Rio, querem transformar uma antiga casa do bairro em centro cultural e histórico. O imóvel pertenceu ao famoso empresário de Bangu, Guilherme da Silveira Filho, o Dr. Silveirinha, que foi ministro da Fazenda e presidente do Banco do Brasil em mais de uma oportunidade.

Dr. Silveirinha também foi o fundador da icônica Fábrica de Tecidos Bangu e presidente do Bangu Atlético Clube. Foi ele, inclusive, o responsável pela construção do estádio de futebol do time, que, oficialmente, leva seu nome, mas ficou popularmente conhecido como Moça Bonita.

O atual dono do imóvel diz que aceita a proposta, mas que precisa negociar com a prefeitura. Contudo, a situação atual encontrada no interior do prédio contrasta com a rica história do local. O mato e as árvores crescem no terreno escancarando o estado de degradação e abandono do patrimônio. O telhado está cheio de troncos de árvores e a fachada parcialmente pichada.

Com mais de uma década de luta para transformar a casa em ponto cultural para a população, o movimento “Pró-casa do Silveirinha” ressalta o valor histórico do empreendimento e o potencial para educar as crianças e adolescentes do bairro.

Aqui foi uma casa que recebeu presidente da República, como Getúlio Vargas, Luís Carlos Prestes, Dutra, e até o xá do Irã. Nós queremos preservar essa memória e fazer um lugar em que a gurizada possa aprender uma percussão, um violão, um piano“, diz Wladimir Mutt, líder do movimento sobre importância de transformar o espaço.

O movimento ganhou o apoio até da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que prometeu levar o projeto à Prefeitura do Rio.

Uma comunidade que tem uma história linda, uma história importante para o Rio de Janeiro, e que quer transformar esse espaço num espaço cultural e num espaço de vivência onde a comunidade possa conviver, passear com as crianças em segurança e que revitalizará, com certeza, essa região”, diz o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.

Para Alicinha Silveira, uma das filhas do Dr. Silveirinha, a intenção de transformar o casarão em um centro de arte tem o objetivo de resgatar e preservar a memória do bairro, que está diretamente atrelada a história do Rio e do Brasil.

É um sonho antigo meu e de muitos banguenses que a Casa do Silveirinha, onde eu passei a minha infância seja transformada em um centro cultural. Bangu é um bairro muito populoso que não tem nenhuma área verde nem um centro de cultura para ensinar os nossos jovens a história do bairro da nossa cidade e até do Brasil”.

Alicinha também relembra com carinho como o pai se preocupava com o desenvolvimento da região e de como era querido por quem teve a oportunidade de conhece-lo.

Meu pai era um empresário que não tinha ganância em primeiro lugar, ele queria o bem-estar de todos a sua volta, ele foi um empresário que foi penalizado por aumentar demais os salários dos funcionários dele. Ele foi o primeiro a ter creche, cooperativas de alimentos e de material de construção. Ele financiava casas próprias para todos os operários. Ele acreditava que a melhora de vida de todos era o melhor caminhos para os empresários fazem sucesso e colocarem suas produções, mercadorias e serviços à disposição da população“, concluiu.

4 COMENTÁRIOS

  1. Sou torcedor do Bangú apesar de ter ido lá duas vezes, mas sempre tive imensa curiosidade sobre Guilherme da Silveira Filho, acho que foi pai de Castor de Andrade, outro ícone de Bangú também muito admirado em bairro, não apenas pelo seu incentivo e grande trabalho e prol do Clube como também ao carnaval pela Escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel.
    Dr. Silveirinha deu uma jogada de mestre nos idos de 1950 quando comprou o passe do maior jogador do mundo à época, o Zizinho, que era do Flamengo, tornando o Bangú Atlético Clube um dos grandes do futebol carioca é motivo principal de eu ser um apaixonado pelo meu Bangú de Domingos da Guia, do seu filho Ademir da Guia, de Fausto, do campeão mundial Zózimo, do extraordinário time da década de 60, campeão de 1966 derrotando o Flamengo por 3 x 0 no Maracanã lotado, com Paulo Borges e Cia dando shows inesquecíveis em toda a década.
    O Bangú de Parada o jogador mais inteligente que já se viu neste país.
    O Bangú aliás, não só a fábrica foi fundado por engenheiros ingleses que vieram construir no ano de 1892, portanto, quando não havia ainda ninguém jogando futebol no Brasil, tendo então se tornado o primeiro clube de futebol do país, posição que foi roubada pelos paulistas ao construírem uma narrativa de que foi Charles Müller o introdutor do futebol no Brasil.
    O Bangú foi o primeiro campeão de profissionais e o primeiro clube de futebol a admitir negro em seu elenco. Não foi o Vasco como dizem por aí. Foi o Bangú Atlético Clube!
    Parabéns a todos aí de Bangú que lutam pela preservação da verdade histórica deslumbrante desse bairro do Rio de Janeiro ao homenagear o maior dos banguenses Guilherme da Silveira Filho tornando a sua casa um polo de apoio à sociedade local, atuante no desenvolvimento cultural e histórico de sua população.
    Viva o bairro é o Clube de Bangú.

  2. A iniciativa do apoio da OAB/RJ, partiu da Presidente da 31a. Subseção da OAB de Bangu, Dra. Claudete Capella. Sensibilizada com o apelo que perdura por mais de uma década, a ilustre Presidente convocou o Presidente da OAB Nacional, Sr. Felipe Santa Cruz e da Seção do Rio de Janeiro, Dr.
    Luciano Bandeira, que prontamente abraçaram a causa e irão interferir junto ao Prefeito objetivando a desapropriação total da área, para fins sociais e consequentemente a área será revitalizada, proporcionando à sociedade banguense uma área de lazer, um centro social da Prefeitura para atendimento aos cidadãos e um museu homenageando o Dr. Manuel Guilherme da Silveira Filho, homenagem justa para um apaixonado por Bangu, que esteve muito à frente do seu tempo.

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