Nesta segunda-feira, 13/04, o Brasil acordou com mais uma notícia ruim: o falecimento do cantor e compositor Moraes Moreira. Ele foi encontrado morto, em sua casa, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro.

A relação do baiano Moraes com o Rio de Janeiro é de muita proximidade. No início dos anos 1970, ele, junto com alguns conterrâneos (os Novos Baianos), veio para a Cidade Maravilhosa em busca de mais oportunidades para gravar discos e fazer shows.

No Rio de Janeiro, Moraes e os Novos Baianos moraram, inicialmente, em um apartamento minúsculo, em Botafogo. Certa vez, o cantor e compositor João Gilberto bateu nesse local para conversar sobre música. Eles olharam pela brecha da porta, acharam que João era policial e não abriram. Era época de ditadura militar e eles já estavam na mira do regime.

Pouco tempo depois, João Gilberto ficou próximo dos baianos e os aproximou ainda mais do samba e da bossa nova, ajudando a ampliar o repertório do grupo.

Outro gênero musical forte no Rio de Janeiro que Moraes Moreira incorporou à sua música, sobretudo na carreira solo, foi o choro.

Ainda na Zona Sul carioca, Moraes e os Novos Baianos praticamente acamparam na casa de João Araújo, pai do cantor e compositor Cazuza e dono da gravadora que ajudou a lançar o grupo à época. Cazuza, inclusive, sempre disse que a presença dos artistas em sua casa o ajudou a escolher o caminho das artes como meio de vida.

De apartamento apertado e acampamento na sala dos outros, Moraes Moreira e seu grupo se mudaram, ainda no início dos anos 1970, em 1971, para um sítio em Vargem Pequena. Foi no batizado “Cantinho do Vovô” que os Novos Baianos construíram uma comunidade hippie onde, além de muita paz, amor e futebol, fizeram os discos Acabou Chorare (1972) e Novos Baianos F.C (1973), dois dos maiores LPs da história da música brasileira. O disco de 1972 é considerado, pela revista Rolling Stone, o maior da MPB.

E o futebol, nesse caso, não é metáfora ou conversa fora. Eles realmente tinham um time. E Moraes era dos jogadores.

Um dos maiores sucessos dos Novos Baianos, Preta Pretinha, que tem Moraes Moreira como um dos compositores, conta uma história de Luiz Galvão, membro do grupo, que foi à Niterói conhecer a família de uma menina que ele estava namorando. A ideia era mudar com a moça para o já lotado apartamento de Botafogo. Porém, ela desistiu da ideia e voltou para o outro lado da Baía de Guanabara. Com isso, Galvão ficou a chamar a moça enquanto corria a barca…

Nós, quando quisermos chamar por Moraes Moreira, só precisamos botar para rolar suas muitas e ótimas composições, seja nos Novos Baianos ou na carreira solo. Ele sempre vai estar por perto, seja no Rio, na Bahia ou em qualquer outro lugar.

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