Morre Luiz Chor, um dos principais nomes da construção civil no Rio de Janeiro

Chor foi dono da construtora Chozil, que ergueu dezenas de empreendimentos no Rio de Janeiro, incluindo a Embaixada de Israel em Brasília

Luiz Chor e a antropóloga e então primeira-dama Ruth Cardoso | Reprodução / “Algumas memórias — a vida de Luiz Chor" (MW Comunicações, 2011)

Luiz Chor, de 91 anos, um dos grandes nomes da incorporação imobiliária do Rio de Janeiro, e membro atuante da Comunidade Judaica carioca, morreu na madrugada desta quinta-feira (31), após ficar 1 uma semana internado para tratar de uma infecção na traqueia.

Luiz Chor nasceu, em 1930, em Vila Isabel, na Zona Norte da cidade, e foi criado na antiga Praça Onze, principal reduto judaico da época. Chor era filho de Pinchas Chor, imigrante vindo da Bessarábia (atual Romênia) e neto por parte de Moisés Singer, grande nome da comunidade judaica daquele tempo, e também conhecido como “Moishe Schoihet” –  açougueiro e circuncidador de meninos. A mãe de Chor, Anitta, nasceu na antiga Palestina, cidade de Tzfat, berço da cabala.

Graduado em Engenharia Civil pela Escola Nacional de Engenharia, em 1954, Luiz Chor, se tornou sócio da “Construtora Francesa”, ainda nos anos 50. Em 1960 fundou a Chozil em parceria com o seu irmão Jacob Chor e o engenheiro Maurício Zylberberg. A empresa foi uma das incorporadoras mais importantes do Rio de Janeiro até meados dos anos 2000 e ajudou a consolidar o mercado de imóveis voltado à classe média. Ao longo de toda a sua vitoriosa trajetória, a Chozil ergueu dezenas de empreendimentos na Zona Sul, Tijuca e Barra da Tijuca. Faz parte do portfólio da empresa, a construção do prédio da Embaixada de Israel em Brasília, com projeto do arquiteto brasileiro David Reznik.

Em paralelo às suas atividade de engenheiro e empresário, Luiz Chor também desenvolveu atividades no sindicalismo patronal da construção civil. Chor foi um dos primeiros membros da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), tendo presidido o Sindicato dos Construtores (Sinduscon-Rio), entre 1992 a 2004. Na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), exerceu o cargo de vice-presidente do Centro Industrial do Rio de Janeiro (Firjan CIRJ), além de ter presidido o Conselho Empresarial de Responsabilidade Social da federação. Em 2015, tornou-se membro emérito da Firjan.

Em nota, a Ademi  lamentou a morte do empresário e engenheiro:

“Luiz Chor foi durante muitos anos um dos sócios da Construtora Chozil, uma das mais ativas no ramo da Construção Civil no Rio de Janeiro, e ocupou os cargos de presidente do Sinduscon-Rio (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio de Janeiro), entre os anos de 1986 e 1992, e da ADEMI (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário), entre 1984 e 1987. Foi também vice-presidente executivo do Sistema FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) até 2010”.

A Firjan, também por meio de nota, se solidarizou com familiares e amigos de Luiz Chor:

“A Firjan se solidariza com familiares e amigos de Luiz Chor, que deixa um legado marcante como líder empresarial fluminense. Agregador, fortaleceu o associativismo no estado, aumentando o rol de empresas que compõem a Firjan CIRJ.”

O jornalista Victor Grinbaum, que escreveu a biografia “Algumas memórias — a vida de Luiz Chor” (MW Comunicações, 2011), destacou aspectos da personalidade de Luiz Chor, além de enfatizar o importante legado por ele deixado na estruturação da construção civil brasileira.  

“Foi uma honra e um privilégio ter biografado um homem com a personalidade tão interessante como a que o Dr. Luiz Chor tinha. Extremamente reservado e avesso a badalações, ele parecia não ter a real dimensão de sua importância no cenário da construção civil brasileira. Não foi fácil vencer a barreira da sua timidez, mas ao longo de quase dois anos de entrevistas semanais, consegui mergulhar não apenas na sua vida, mas nas histórias de seus antepassados — em especial na de seu avô materno, o mítico Moishe Schoihet, que foi um esteio dos judeus da Praça Onze desde a década de 1910 até o fim daquela região, com a abertura da Avenida Presidente Vargas. Foi minha primeira biografia publicada e que rendeu um livro do qual me orgulho muito. Saber da morte de Luiz Chor foi, de certa forma, o encerramento de uma grande matéria jornalística que comecei a escrever em 2009”, afirmou Victor Grinbaum.  

O também jornalista e diretor-geral do Grupo Menorah de Comunicação, Ronaldo Gomlevsky, lembrou a importância de Luiz Chor como engenheiro e como membro atuante nas “boas causas” da Comunidade Judaica do Rio de Janeiro.

“Luiz Chor, que acaba de nos deixar, foi um dos mais destacados membros da engenharia nacional. Na comunidade judaica, esteve sempre envolvido com as boas causas. Foi um farol de inteligência, de generosidade e de caráter. Deixa um hiato no seio da sociedade brasileira que perde um líder do bem, insubstituível. Que o DEUS ÚNICO DE ISRAEL o receba nos jardins do Paraíso!”, lamentou o jornalista, que também foi presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj).  

O geólogo Hélio Blak também lamentou a morte de Luiz Chor:

“A comunidade judaica e a construção civil lamentam o falecimento de Luiz Chir. Ativista dedicado, foi também um dos responsáveis pelo crescimento da construção civil na cidade desde os anos 60 à frente da Chozil Engenharia,” declarou Blak.  

Luiz Chor foi sepultado no Cemitério Israelita de Vila Rosali, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Ele deixa mulher, três filhos, sete netos e quatro bisnetos. Com informações do jornal O Globo.

Advertisement

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui