Morte em supermercado. Quem é o culpado?

Uma onda de indignação e estarrecimento percorre nossas veias quando acompanhamos pelo rádio, TV e jornais notícias sobre balas perdidas ou ocorrências, até frequentes, de seguranças próprios ou terceirizados que pelas mais diversas razões chegam a ferir ou até levar a óbito suspeitos ou inocentes no exercício do trabalho.

O caso mais recente envolveu um segurança de uma grande rede de supermercados no Rio, o Extra, e a morte de um jovem de 25 anos. Mesmo dominando a vítima e sendo interpelado pelas pessoas ao redor para que parasse, o segurança insistiu de forma violenta em mostrar a sua autoridade  e brutalidade. O jovem veio a falecer pouco tempo depois.

Não podemos de deixar de apontar o funcionário da segurança como culpado pelo ocorrido. Mas pergunto: qual a culpa que leva a rede de supermercados ou a empresa terceirizada responsável pela segurança neste ocorrido?

Em primeiro lugar, há de se notar que as grandes empresas têm os meios de contratar assessorias de imprensa que rapidamente conseguem fazer desaparecer as notícias dos veículos de comunicação. Em segundo: o público em geral não consegue mais acompanhar o caso, que rapidamente cai em esquecimento. Não resta dúvida que o segurança no caso será processado e provavelmente enquadrado na lei. Mas as empresas que, de certa forma, são corresponsáveis, o que acontecem com elas além de terem que prestar depoimentos na delegacia responsável por apurar o caso?

Temos que levar a reflexão ao âmbito da Governança Corporativa. Além de ter que ser transparente e prestar contas aos seus stakeholders, o que pedem as boas práticas de Governança Corporativa, o compliance como ferramenta de governança e a serviço dos Conselhos de Administração deveria apresentar a todos  as regras da empresa relacionadas a questões de segurança, proteção a seus clientes e exigências frente a contratação de empresas terceirizadas.

Queira ou não a rede de supermercados e a empresa terceirizada deveriam ser corresponsabilizadas pelo sinistro acontecimento. Mais uma vez pergunto: será que as autoridades investigam a fundo as normas de contratação de empresas de segurança?.

O compliance da contratante deveria, durante o processo de seleção de prestadores de serviços, exigir de forma detalhada os procedimentos e critérios adotados na contratação dos homens que prestarão os serviços de segurança. Afinal, uma das missões dessas empresas é proteger vidas e zelar pela ordem pública. Será que todas as regras, processos e procedimentos são estudados e analisados pelas autoridades? Caso sejam verificados desvios ou descumprimentos, as empresas ou seus gestores são punidos?

Com certeza muito ainda terá que ser realizado nesta área, começando pela transparência das empresas. O público não é levado em consideração. Presume-se também que as contratações tanto de empresas de segurança, como daqueles que farão a segurança propriamente dita, carecem de cuidados especiais.

Ao contratarmos uma empresa de engenharia para construir nossa casa e esta subcontrata uma hidráulica para instalar os encanamentos, que por uma ou outra razão se rompem após um certo tempo, quem será por nós chamada a prestar esclarecimentos e ser eventualmente punida? Não resta dúvida que é a empresa de engenharia.

No caso discutido neste breve artigo, quem deverá levar a culpa: o segurança, a empresas de segurança ou a rede de supermercados?

Thomas Lanz Consultores é, desde 2007, especializada em governança corporativa, sucessão, mentoring e reestruturação societária. Economista formado pela PUC-SP, Thomas Lanz foi presidente de grupos nacionais, como a Carbex e Giroflex, e conselheiro de multinacionais. É conselheiro certificado pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), consultor com certificação do FFI – EUA  (Family Firm Institute) e também faz parte do Conselho Consultivo da Sociedade de Cultura Artística e Presidente do Conselho Fiscal do Akatu – Consumo Consciente.

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