MPF diz que Witzel teria intermediado contratos da esposa em esquema na saúde do RJ

E-mails que servem como prova para o MPF mostrariam Witzel intermediando conversas da primeira-dama, Helena, com Hospital Jardim Amálida Ltda

Respectivamente, Helena Witzel e Wilson Witzel - Foto: Domingos Peixoto/Agência O Globo

Devido à quebra de sigilo telemático, o Ministério Público Federal (MPF) verificou 2 e-mails supostamente enviados pelo governador Wilson Witzel – afastado do cargo nesta sexta-feira (28/08) após determinação do Superior Tribunal de Justiça (STF) – à sua esposa, Helena. Nos textos eletrônicos, constariam conversas do governador fazendo o intermédio dos contratos entre a primeira-dama e o Hospital Jardim Amália Ltda (Hinja), pertencente à família de Gothardo Lopes Netto, ex-prefeito de Volta Redonda e que também foi preso nesta sexta, sendo tido como braço-direito de Witzel.

Em sua decisão pelo afastamento do governador, o ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), disse que os 2 e-mails foram enviados com ”a minuta de um contrato de prestação de serviços advocatícios entre ela e o Hinja”. Vale destacar que, após o envio à Helena, Witzel mandou para si próprio o mesmo e-mail.

E-mails enviados por Wilson Witzel – Foto: Reprodução/Internet

O Governo do RJ tem contratos com a empresa GLN Serviços Hospitalares e Assessoria Ltda e ela possui o mesmo endereço do Hospital Jardim Amália Ltda em Volta Redonda. Um dos contratos da GLN com o estado gera o pagamento de R$ 445 mil por mês e de R$ 5,3 milhões anualmente para custear assistência oncológica. A resolução que permitiu os repasses é do dia 27 de janeiro de 2020.

O ministro também diz que as investigações teriam mostrado que a minuta inicial havia sido feita por um advogado que atuava para o hospital e ”observa-se que a primeira-sama, apesar de ser advogada e ser quem figurava como contratada, não participou diretamente da negociação do próprio contrato de prestação de serviços”. No contrato, o Hinja tinha se comprometido a pagar R$ 30 mil mensalmente após um adiantamento de R$ 240 mil. No entanto, Helena Witzel teria recebido R$ 280 mil.

O MPF relatou ao STJ que não localizou provas da prestação dos serviços. ”Apesar de a contratação envolver somas consideráveis (com adiantamento de valores expressivos), não se encontrou evidência da prestação de serviços”, disse o ministro em sua decisão.

Durante as investigações, o MPF também observou uma conversa entre Gothardo e Witzel na qual o ex-prefeito de Volta Redonda teria enviado ao governador um convite para a inauguração do Hinja, dizendo o seguinte: ”Seu amigo progredindo, investindo e acreditando no RJ”.

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