Juliana Bonifácio, empreendedora e idealizadora do Ateliê Bonifácio - Imagem: Divulgação

Dados do estudo Empreendedorismo Negro no Brasil, realizado pela aceleradora de empresários negros PretaHub, em parceria com a Plano CDE e JP Morgan, apontam que cerca de 51% dos brasileiros que empreendem são pretos ou pardos. Destes, 52% são mulheres. O Ateliê Bonifácio, situado no Centro do Rio de Janeiro, se encaixa na pesquisa. 

Idealizadora do espaço cultural Ateliê Bonifácio, que foi inaugurado em 2019, Juliana Bonifácio, de 26 anos, é graduada em Design de Interiores. Aos 16 anos, a empreendedora saiu do interior do Rio em direção à capital fluminense em busca de trabalho. “Comecei muito cedo para correr atrás dos meus objetivos. Desde então, trabalho para ajudar mulheres, que assim como eu, não tiveram muitas oportunidades”, conta.

Com 15 estilistas independentes e com produções autorais, a loja colaborativa tem a proposta de mudar a visão sobre o ato de compra. “O objetivo é desacelerar o consumo inconsciente e mostrar que dá pra comprar da mão de quem faz produto de qualidade com exclusividade. A gente vem a contraponto da indústria. Além de ser um espaço, somos uma casa. Nosso legado é ‘feliz no simples’, onde todo mundo é bem recebido e consegue consumir produtos que são pensados através do trato pessoal”, afirma a designer de interiores.

Trazendo de moda a gastronomia, a casa é voltada para mulheres negras e empreendedoras. A designer falou sobre a necessidade de romper o racismo no ambiente de trabalho. “O mercado quase não nos permite sermos maioria. Em poucos lugares onde trabalhamos, tinha como liderança pessoas pretas. Aqui, no ateliê, somos a maioria para que possamos lidar com nossas próprias dores e seguirmos em frente”, relata. De acordo com o Instituto Locomotiva, 71% dos negros no Brasil foram vítimas ou presenciaram alguma situação de racismo no último ano.

A fundadora do Ateliê tem um filho de 7 anos e dedica todo sucesso profissional à família. “Toda a minha força vem da rede de apoio dos meus familiares. Tenho uma mãe muito guerreira, que não tem medo de nada. Acredito que também venha da minha ancestralidade essa vontade de correr atrás pelo coletivo. Não posso deixar de falar do meu marido que também me ajudou a chegar até aqui”, afirma.

Redes Sociais do Ateliê Bonifácio

carioca, estudante de Letras na UFRJ. Nascida numa segunda-feira de carnaval, se apaixonou muito cedo pela arte das Escolas de Samba. Moradora da Taquara, é Zona Oeste desde os onze anos; não dispensa um passeio pelo Centro, uma ida ao Parque de Madureira, uma volta pela Cidade das Artes ou qualquer outro evento que consiga ir. Gosta de teatro e música, às vezes se arrisca nessas áreas. Também é pseudônimo de Bárbara de Carvalho.

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