(Foto: Marcelo Piu/Prefeitura do Rio)

Mais de 20% da população fluminense que recebeu a primeira dose da vacina contra Covid-19 não compareceu para ser imunizada na segunda etapa da vacinação. Com mais de 1 milhão e meio de pessoas vacinadas, o estado do Rio de Janeiro ocupa a 5ª colocação entre os mais tiveram abstenções, ficando atrás apenas do Amazonas (31,31%), Roraima (26,12%), Sergipe (22,97%) e Acre (21,11%). O número alarmante pode impactar no efeito do medicamento, alertam especialistas.

Os dados compilados pelo jornal Folha de S.Paulo levaram em consideração apenas a aplicação da Coronavac (principal vacina em uso no Brasil), uma vez que o intervalo entre doses do imunizante de Oxford/Astrazeneca é de 90 dias, as taxas de abandono dessa vacina, portanto, só podem ser calculadas a partir do final deste mês, mas certamente teremos um aumento no percentual de “esquecidos“. Os números foram extraídos do DataSUS, sistema de informações do Ministério da Saúde.

No primeiro mês de vacinação no RJ — de 17 de janeiro a 17 de fevereiro apenas pessoas de grupos prioritários como idosos, trabalhadores da saúde e outros perfis definidos no Plano Nacional de Vacinação da Covid-19 foram vacinados.

A segunda dose teria de ser aplicada até 28 dias após a primeira. A autorização emergencial da Anvisa para Coronovac define a aplicação da segunda dose em um intervalo de 14 a 28 dias após a primeira etapa da imunização.

Alerta de especialistas

Em declaração a Folha, médicos e pesquisadores comentaram o cenário de desistência no Brasil

Para Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, que produz a Coronavac, é melhor receber a segunda dose com algum atraso de até duas semanas do que não recebê-la. Ou seja: quem passou dos 28 dias após a primeira parte da vacina ainda deve requerer a dose faltante.

O virologista Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, diz que atrasar uma ou duas semanas na aplicação da segunda dose não deve ter um efeito importante. “Acima disso é preciso ter estudo“, diz.

Na prática, não sabemos até quando dá pra esperar para tomar a segunda dose da Coronavac“, diz a microbiologista e pesquisadora da USP Natália Pasternak.

O rastreamento dos vacinados no Brasil pode ser feito no DataSUS porque cada pessoa imunizada é registrada no sistema com um código de identificação, no qual há informações sobre idade, dose da vacina recebida e a qual grupo prioritário pertence. Não há, claro, informações pessoais sobre cada vacinado que permitam identificá-lo.

Nenhum percentual de abandono é OK. Temos que tentar chegar muito perto do 0 ou, no máximo, 1%”, diz Pedro Hallal, epidemiologista, professor da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas e coordenador do estudo Epicovid-19.

RJ registra a maior média móvel de mortes desde o início da pandemia

Pela quarta vez em apenas 10 dias, o RJ bateu recorde de mortes por conta da pandemia de Coronavírus. A alta no número de óbitos foi calculada com base na média móvel e registrou 381 vítimas fatais em 24h e foi divulgado pelo consórcio de imprensa, neste sábado (10/04).

A média atingiu 26 mortes por dia, 30 a mais que o recorde anterior, de terça-feira (06/04), e uma variação de 80% em relação há duas semanas, o que aponta tendência de alta.

Boletim

De acordo com o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde neste sábado (10/04), o RJ contabiliza 39.298 mortes e 628 mil casos confirmados da doença.

1 COMENTÁRIO

  1. Há um erro no texto: “A média atingiu 26 mortes por dia, 30 a mais que o recorde anterior, de terça-feira (06/04), e uma variação de 80% em relação há duas semanas, o que aponta tendência de alta.” Pelo que está escrito e o que eu aprendi de matemática, o recorde anterior seria de menos quatro. Sugiro revisarem o texto.

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