No Subúrbio do Rio de Janeiro o ritmo é outro!

O Subúrbio do Rio de Janeiro não foi feito para os fracos. Lá você é criado na garra e cresce ao lado do bem e do mal, mas você, com a ajuda ou não do seus pais, escolhe qual caminho seguir. Bullying? Lá é institucionalizado e ninguém faz terapia por causa dele, é quase um rito de aceitação no grupo. Todos se zoam e todos riem. Enfim.

Sem enrolar mais, vamos direto ao ponto. Vejam essas fotos:

No Subúrbio do Rio de Janeiro o ritmo é outro!

No Subúrbio do Rio de Janeiro o ritmo é outro 2

No Subúrbio do Rio de Janeiro o ritmo é outro 3

Hoje cedo ocorreu uma operação do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro e um dos traficantes mais procurados da cidade foi preso, o Fú da Mineira. As fotos eu recebi num grupo de Whatsapp onde tenho amigos de infância e alguns são policiais. Sim, neste grupo circulam algumas informações de segurança pública em primeira mão.

Nas fotos tem um rapaz que foi criado com a galera e está preso. Daí rolou o soco no estômago. Vou usar o termo X. para me referir a ele. Lembro de ter jogado muito futebol com ele na rua onde fomos criados. Sempre foi tranquilo e nunca vi brigando com ninguém. Era um cara bem calmo.

X. serviu no Exército e fez parte de uma tropa de elite, a Brigada Paraquedista, após o tempo de serviço e todo o treinamento militar especializado que recebeu, foi dispensado e se viu desempregado.

Num dado momento da vida, X. se aproximou de milicianos e começou a fazer alguns trabalhos para eles, sabe lá o que isso quer dizer. Em represália, alguns traficantes de uma favela próxima foram até a casa da mãe dele para matá-lo. Não o encontraram e isso foi o escândalo da semana na região. Depois soubemos que ele se afastou da Milícia.

As aparições dele pela região se tornaram cada vez mais raras e assim como muitos garotos de subúrbio, X. curtia ir em bailes de favela (eu nunca curti Funk… sempre adorei Rock…). Num desses bailes, no morro do Chapadão, ele foi apresentado a um dos traficantes locais, alguém num posto de comando. Suas credenciais foram: ter sido PQD (paraquedista na gíria popular) e saber atirar bem. Caiu nas graças da quadrilha local e foi contratado para fazer segurança.

Pois bem, X. agora tinha emprego.

O Estado o treinou e capacitou para ser um Rambo brasileiro, mas na verdade fortaleceu as fileiras do Tráfico de Drogas, facilitando que gente treinada enfrente Policiais com treinamento precário.

Não é difícil perceber que está tudo muito errado. Esses jovens oriundos de tropas especiais deveriam ser aproveitados nas Polícias. O Estado daria emprego a quem já tem treinamento e sabe manejar armas, a lição necessária seria a de cidadania e a prática de SERVIR E PROTEGER. Basta ter integração e vontade de fazer.

O X. ganhou destaque entre os traficantes, mas pasmem os senhores, não queria crescer na hierarquia da quadrilha. Queria só receber sua grana e poucas vezes até dormia na favela. Praticamente batia ponto por lá e saia ao final do expediente.

O mais surpreendente é como ele ampliava seu capital. Ele juntou uma razoável quantia e entregava parte para sua namorada viajar para os Estados Unidos para comprar relógios, roupas etc. para revender aqui no Brasil por valores maiores. Sério, sem querer endeusar quem cometeu crimes, longe disso, vejo que aqui existe uma mente que buscava ser empreendedora.

Agora ele está preso e vai pagar pelos crimes que cometeu, justo. Mas percebam que o Estado errou muito ao não aproveitar mão de obra qualificada e treinada para ser policial e assim permitiu o fortalecimento do outro lado da guerra.

É muito triste você ver alguém que era próximo, vizinho e que jogou bola com você?- o irmão dele joga comigo até hoje – passar por algo assim. Cada um faz o que quer da vida, as escolhas estão aí. Por exemplo, um irmão do X. é da igreja e outro trabalha pra caramba. Só ele escolheu a vida do crime.

Vida que segue.

Advertisement

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui