Foto: Pilar Olivares/Reuters

O Brasil bateu a sombria e mórbida marca de 300 mil mortos por Covid-19 nesta quarta-feira (24/03). Autoridades temem o colapso na redes de saúde pública e privada. Mas o setor funerário também está estrangulado com a sobrecarga causada pelos mortos da pandemia.

De acordo com a Associação de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif), a média de enterros por dia no Brasil é 3.575. Por conta da pandemia, no entanto, essa média diária deve subir para 5.555 sepultamentos, dadas as estimativas de que o Brasil baterá a desesperadora marca de 500 mil óbitos no trimestre.

O jornal “Extra” acompanhou 5 sepultamentos de pessoas vitimadas pela Covid-19, no cemitério do Caju, na Zona Norte do Rio. Segundo o veículo, o que mais chamou atenção foi o duração dos sepultamentos: o mais rápido durou 4 minutos e o mais longo 12 minutos. Segundo Lourival Panhozzi, presidente da Abredif, o Brasil vive um descarte de corpos. Por conta do alto contágio do novo coronavírus, o sepultamento, entendido como um ritual de separação entre o falecido e os seus familiares, simplesmente desapareceu.   

O que estamos fazendo hoje é indigno, com enterros em poucos minutos. Esses corpos merecem respeito. Seria prepotência dizer que não existe risco de faltar urna funerária. Estamos com 500 mil óbitos previstos no trimestre, ou 5.555 óbitos por dia. A média normal era de 3.575. É uma cidade média do Brasil que desaparece por mês”, afirmou Lourival Panhozzi.

De acordo com a Prefeitura do Rio de Janeiro, o protocolo sanitário no período da pandemia exige que os caixões sejam lacrados e que não ocorram cerimônias fúnebres. De 1/03 até o dia 21/03, foram realizados 4.644 sepultamentos na cidade (não apenas de vítimas de Covid), o que representou um aumento de 33% com relação ao mesmo período de 2020.

Antevendo a possibilidade de colapso no sistema funerário, a Associação de Empresas e Diretores do Setor Funerário solicitou aos cemitérios brasileiros que suspendam as férias dos seus agentes funerários. A Associação solicitou ainda que os fabricantes de urnas funerárias trabalhem com sua capacidade máxima.

A Abredif também acionou o governo de São Paulo para que considere o funcionamento das fábricas de urnas funerárias uma atividade essencial. O pedido foi feito diante do aumento do número de cidades no interior do estado que decretaram lockdown para tentar coibir a avanço da pandemia.  A entidade teme que a produção de caixões entre em colapso caso os funcionários das empresas não sejam autorizados a trabalhar.

Segundo a Associação de Empresas e Diretores do Setor Funerário, São Paulo produz aproximadamente entre 50% e 60% de todas as urnas funerárias utilizadas no Brasil. Cidades como Tietê, Bilac, Cordeirópolis e Dois Córregos são algumas das localidades que concentram as maiores fábricas no estado.

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