Não é novidade para ninguém que a economia do nosso estado do Rio de Janeiro sofreu duros golpes nos últimos tempos, causando desindustrialização, desemprego e queda da renda e da qualidade de vida. A arrecadação do governo do estado, obviamente, sofreu o impacto desse cenário, o que piorou a situação das contas públicas, paralisou investimentos, travou projetos e chegou a fazer com que os servidores tivessem salários atrasados, o que só foi regularizado após a inescapável renegociação da dívida do estado com a União, articulada – reconheça-se – pelo governador Luiz Fernando Pezão e pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.



Ocorre que a economia e a situação fiscal do Rio não chegaram ao patamar atual apenas pela redução do valor do barril de petróleo. Se por um lado é verdade que a redução dos royalties nos afetou duramente, por outro lado é preciso ressaltar 3 fatos fundamentais para compreender nossa situação atual:

a) No momento de bonança, o Rio não soube diversificar sua economia, se acomodando com a dependência do petróleo, deixando de aproveitar, por exemplo, nossos potenciais turísticos, logísticos e criativos;
b) O aumento dos custos previdenciários não foi tratado com atenção, sendo sempre deixado para o futuro, como uma bomba-relógio que hoje pressiona as contas públicas;
c) O Rio de Janeiro foi – acreditem se puder – o estado do Brasil que menos cresceu entre 2002 e 2016. É isso mesmo. Já estávamos mal há tempos e o petróleo e a situação internacional permitiram uma maquiagem que, hoje descoberta, denuncia, para dizer o mínimo, uma grave negligência das instituições, que ignoraram nossa desaceleração em comparação com o resto do país.

Todos os elementos citados demonstram que o maior desafio do novo governador Wilson Witzel e sua equipe será uma recuperação econômica do Rio que seja sustentável, valorize as vocações do estado e dos municípios, rompa a dependência do petróleo, resolva a questão previdenciária, estabeleça o Rio como o pólo logístico que podemos ser e, principalmente, nos coloque em condições de enfrentar a retomada dos pagamentos da dívida que invariavelmente chegará. Vencer este desafio não será fácil e todos nós temos que ajudar e torcer a favor, com otimismo e cidadania. É importante que os eleitores tenham feito suas escolhas em outubro com tudo isso em mente e sabendo que, para o bem do Rio, o novo governo, a nova composição da Assembleia e o Tribunal de Contas precisarão mostrar serviço para além dos discursos fáceis.

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