Sargento RochaA luta contra o crime é muito mais complicada do que imaginam alguns, vencer uma batalha, ou duas, ou três não significa vencer a guerra. Pode-se acabar com o inimigo de ontem mas surge um novo e ainda mais forte, está aí o “Tropa de Elite 2” que mostra isso muito bem.

 

Com o ataque ao tráfico de drogas e um maior espaço dado as milícias, começa uma relação entre as duas vertentes criminosas em que as autoridades devem ficar atentas. Hoje em sua nesletter, o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, comenta sobre os problemas que podem advir desta situação. Leiam:

MILÍCIAS E TRÁFICO DE DROGAS: UMA RELAÇÃO EXTREMAMENTE PREOCUPANTE!
1. (RJTV-1, 21) Gravações mostram milícia do RJ negociando armas com traficantes. Grupo vendia fuzis e munição para tráfico do Alemão. O grupo de milicianos preso na manhã desta terça-feira (21) em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, negociava armas com traficantes do Conjunto de Favelas do Alemão, na Penha, no subúrbio do Rio.

 

2. No dia 4, essa relação entre milícias e tráfico de drogas era levantada numa matéria do Globo: "Em cartas, Beira-Mar pede união com milícia. Várias cartas foram encontradas pelo comando das operações do Complexo do Alemão. Escritas à mão, as cartas estavam na casa de Marcelinho Niterói, braço direito de Beira-Mar e que está foragido. Nos textos, sugere que seus comandados se aliem à milícia e organizem sequestros de autoridades para trocá-las pela libertação de milicianos da Zona Oeste."

 

3. No dia 14/12 este Ex-Blog chamava a atenção para o enorme risco dessa associação, numa nota de abertura: "AS MILÍCIAS: SEM DROGAS E…, COM DROGAS! As milícias surgiram na Colômbia como autodefesas dos fazendeiros sistematicamente sequestrados pelas FARC. Recrutaram ex-militares e militares com experiência no combate às FARC e ao tráfico de drogas. Cresceram e ampliaram seu campo de atuação em autodefesas de regiões. Esse quadrilátero Farc-Tráfico-Milícias-Exército terminou levando as milícias a entrar no negócio das drogas. As milícias terminaram se espalhando."

 

4. "As milícias no Rio começaram oferecendo segurança a comunidades e abrigo nessas a policiais sob o risco de viver com suas famílias em comunidades controladas pelo tráfico de drogas. O pagamento da segurança se ampliou para outros negócios, no campo da extorsão Setores da própria polícia, diferenciando milícias de polícia mineira (extorsão sobre a polícia e o tráfico de drogas também), terminou entendendo que as milícias terminavam convergindo."

 

5. Em seguida a essa nota, numa nota em seu Twitter, este Ex-Blog informou que, em Caxias, policiais falavam em uma super-milícia, aglutinando 900 milicianos.

 

6. Novas notícias como as de ontem, confirmando essa relação -entre milícias e tráfico de drogas- e incluindo nas milícias militares das forças armadas além de policiais, são preocupantes. Extremamente preocupantes. Lembre-se que o bandido Fernandinho Beira-Mar foi preso na Colômbia, num negócio de armas e drogas em 21 de abril de 2001.

 

7. (Luiz Carlos Azenha que cobriu a prisão de Fernandinho Beira Mar na Colômbia). Beira-Mar foi tratado na Colômbia como um traficante de segunda classe. Depois de anunciar a prisão como outra vitória do Exército e da polícia, os colombianos dispensaram Fernandinho como se fosse um pé-de-chinelo. Ele foi rapidamente deportado para o Brasil. Na entrevista que fiz com Fernandinho, na porta do avião, ele falou com a suavidade de um malandro do morro, como se estivesse surpreso com a prisão: “Não devo nada.” Depois de fugir do Brasil, onde estava jurado de morte, o traficante foi para a Bolívia. Ele se associou ao maior cartel local. Numa disputa por poder, mandou matar os dois irmãos que comandavam a gangue. Com medo de vingança, fugiu de novo, desta vez para a Colômbia. Teria se ligado à guerrilha num negócio lucrativo: mandava cocaína para a Europa, passando por território brasileiro, e recebia de volta o armamento, usado para “pagar pedágio”.

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