Atendimento CariocaSe há algo que está longe de representar bem a cidade do Rio de Janeiro são os serviços e não, não é só o serviço público, mas também os privados, como restaurantes, táxis, bares e por aí vai. Locais onde se esperaria uma excelência, afinal é você que decide se vai ou não vai usar.

O Gilberto Scofield Jr. fez um artigo hoje em O Globo que simplesmente fala tudo que a maioria dos cariocas pensam sobre os serviços na cidade. Alguns trechos:

É certo que a qualidade dos serviços nunca foi exatamente uma maravilha. Mas, diante dos preços cobrados aos cariocas hoje, esta deficiência se transformou num deboche e numa irritação. Os serviços no Rio são caríssimos e inexplicavelmente ordinários.

No Rio, tudo parece tocado pela incompetência ou pela falta de qualidade. Ou os dois juntos.

Gilberto enche de casos que garanto vários cariocas já passaram, como este no Jobi:

No Jobi, o garçom pede uma cadeira vazia na mesa ao lado, ocupada por uma solitária mulher. A ocupante disse que esperava uma amiga, que já estava chegando, mas o garçom garantiu que não tinha problemas, que ele arrumaria outra cadeira. Quando a amiga chegou, a mulher chamou o garçom, mas ele disse que não podia fazer nada. Diante de reclamações indignadas, o garçom apontou a fila na porta: “Se você quiser ir embora, não tem problema. Tem um monte de gente querendo entrar”.

Concordo com os últimos parágrafos, falta no Rio de Janeiro treinamento nos funcionários. Só isso explica os péssimos motoristas de ônibus, que devem passar o dia no trânsito e deveriam ser treinados para isso, mas não, são simplesmente jogados na rua após conhecer o trajeto de sua linha. Ou mesmo motoristas de táxis que não conhecem os principais pontos do Rio de Janeiro, já peguei táxi que não sabia onde era a Cinelândia ou a Praça Mauá, e isso porque eu estava no Centro:

Veja o que diz Gilberto sobre as razões do péssimo atendimento:

Há quem explique essa vagabundagem nos serviços apelando para a História. O Rio sempre padeceu de bons serviços para a população porque sempre foi uma cidade dividida desde a Colônia. Para a elite — os senhores de engenho, a corte, os nobres, os governantes da capital, o topo do funcionalismo, os ricos —, tudo. Para os outros, a resignação. Quem mandou não ser “alguém”? Quem mandou não ter “conexões”? Ou seja: se você frequenta o lugar, é um rei. Se não frequenta, que se vire.

Eu prefiro acreditar nos mais pragmáticos: falta investir em treinamento. O que parece é que uma economia turbinada pelo consumo e por programas de redistribuição de renda saiu contratando quem estivesse disponível para trabalhar. E essa mão de obra simplesmente não foi (não é) treinada adequadamente. Só isso explica um cidadão ir a uma região administrativa da prefeitura e ouvir ali que “é mais fácil ligar para o 1746”.

Uma terceira corrente vê passividade nos cariocas. Para essa gente, o carioca não reivindica e não reclama. Uma cidade cheia de belezas naturais parece ser o suficiente e desculpar todas as falhas. Desde que a cerveja esteja gelada, tudo bem que a mesa é bamba e a cadeira, de plástico.

Em 2011, durante o TED xRio, o economista Sergio Besserman tinha falado exatamente sobre isso. Que o Rio de Janeiro tem ativos, o ambiental, temos florestas urbanas, e devemos investir nele. Outro é que o Rio tem Alma. E o 3o ativo, é algo que não valoramos e que devemos ficar conscientes, que é a cultura de trabalho do carioca, que trabalhamos muito mas que temos de procurar a excelência em nossos serviços (não tem como concordar mais). No post você pode ver o vídeo de 15 minutos que Besserman fala sobre a necessidade de mudar nossos serviços.

E, claro, não poderia faltar o humor. O pessoal do Comédia MTv no ano passado fez um vídeo em que mostra um casal de paulistas visitando um restaurante carioca. Claro, que como piada, apostam no exagero. Mas será que é tão exagerado?

1 COMENTÁRIO

  1. O que falta no RJ é ele ser destruído, completamente destruído e sua população completamente aniquilado, só assim para resolver. Tudo o que vem do RJ é uma grande porcaria, de serviços a produtos tudo do RJ é péssimo. O carioca não serve pra nada fora ocupar espaço, falar merda com sotaque escroto e sujar o país.

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