Foto: Marcelo Crivella

Investigações deflagradas com base na colaboração premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, há cerca de um ano atrás resultaram na prisão do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e outros 5 alvos na manhã nesta terça-feira (22/12) em desdobramentos da Operação Hades, deflagrada pelo Ministério Público.

A delação de Mizrahy revelou que o empresário Rafael Alves, irmão do então presidente da Riotur, Marcelo Alves, era um dos cabeças de um suposto esquema de pagamento de propina na Prefeitura do Rio.

Mizrahy afirmou que Rafael Alves tornou-se um dos homens de confiança de Crivella por ajudá-lo a viabilizar a doação de recursos de empresas e pessoas físicas na campanha eleitoral de 2016. Depois da eleição, o empresário conseguiu um cargo para o irmão na Riotur e, segundo o doleiro, montou um “QG da propina” na prefeitura mesmo sem ocupar cargo.

Com base na colaboração premiada de Mizrahy, o Ministério Público estadual (MP-RJ) abriu um procedimento para investigar a denúncia da criação de um balcão de negócios na Prefeitura do Rio para a liberação de verbas a empresas mediante pagamento de propina.

Investigações que levaram à descoberta “QG da Propina”

Em 10 de março, a Polícia Civil e o MPRJ cumpriram 17 mandados de busca e apreensão. Agentes estiveram na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, e em endereços de Marcelo Alves, então presidente da Riotur, do irmão dele, Rafael Alves, e Lemuel Gonçalves, ex-assessor de Crivella.

Um inquérito foi aberto no início de dezembro pelo MPRJ, com base na delação do doleiro Sérgio Mizrahy. Ele foi preso na Operação Câmbio Desligo, um desdobramento da Lava Jato no Rio.

No depoimento, Mizrahy chama um escritório da prefeitura de “QG da Propina”. O doleiro não soube dizer se o prefeito Marcelo Crivella sabia da existência da estrutura.

Segundo a delação, o operador do esquema era Rafael Alves. Rafael não possui cargo na prefeitura, mas tornou-se um dos homens de confiança de Crivella por ajudá-lo a viabilizar a doação de recursos na campanha de 2016.

Depois da eleição, o empresário emplacou o irmão na Riotur e, segundo o doleiro, montou um “QG da Propina”.

Mizrahy afirma que empresas que tinham interesse em fechar contratos ou tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael, com quem deixavam cheques. Em troca, ele intermediaria o fechamento de contratos ou o pagamento de valores que o poder municipal devia a elas.

Marcelo Alves foi exonerado da Riotur dias depois da operação, em 25 de março.

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