O Retrocesso da Proteção Animal no Rio de Janeiro

Após dois anos de mandato, o prefeito Crivella foi vistoriar as condições precárias da Fazenda Modelo, que não vê intervenções desde dezembro de 2016, quando terminou o período da Administração anterior; Na ocasião, anunciou que iria finalmente proceder desde podas de árvores, ausentes há quase 2 anos, como também pintura, limpeza, etc. – para algum desavisado poderia significar que o prefeito realmente estava dando atenção a uma área claramente considerada não-prioritária, já que extinguiu a SEPDA (Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais), criada em 2000 pelo prefeito Cesar Maia, um pioneirismo no setor, na Administração carioca, e imitada por outras cidades.

A verdade é que Crivella ao extinguir a Secretaria, e criar uma Subsecretaria vinculada ao seu Gabinete, sob o pressuposto de “estar mais próxima”, cortou em 2017 quase 30% do orçamento da pasta anterior, e em 2018 aprofundou os cortes, inviabilizando o Programa Bicho Rio, o maior no gênero no país, que disponibiliza castrações gratuitas à população, e atendimentos clínicos. A rede, que dispunha de 10 postos de atendimento na cidade, incluindo-se a Fazenda Modelo, foi reduzida a apenas uma, e depois, de apenas três unidades operando, quase 30% da rede operativa. Em 2017, o número de castrações recorde atingida no ano anterior – 46 mil – foram reduzidas a quase 33 mil, despencando em quase 70% neste ano, estimam algumas ativistas da causa animal.



O período da atual Administração foi marcado pela controvérsia no setor, após o prefeito nomear uma veterinária especializada em gado de corte, Susane Rizzo, cuja gestão foi objeto de denúncias, reclamações, e sofreu uma acirrada campanha da sociedade civil até ser removida do posto, após um ano e meio; Denúncias de favoritismo, inépcia, maus tratos, desperdício de recursos, mau atendimento foram feitas em passeatas, protestos, audiências públicas na Câmara Municipal, focados na figura da antiga gestora, premiada afinal com a presidência da Rio Zoo, que também não tem mais papel relevante, após o zoológico ter sido entregue à gestão privada do grupo Cataratas.

As críticas mais comuns, alem do retrocesso no programa de castrações, foi a ausência de diálogo com a sociedade, falta de transparência, as condições do abrigo público, o desmonte da ouvidoria, o fim do programa de animais comunitários, entre outros; Mais grave, em janeiro de 2018, a Fazenda Modelo chegou a ser interditada pela DPMA (Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente), após constatar condições insalubres no local.

O TCM também analisa uma licitação dispensada na contratação de pessoal para a SUBEM, subsecretaria da área, vencida por empresa notoriamente sem experiência, e dirigida por um pastor evangélico. O MP também analisa denuncias congêneres. Impressionante como histórias idênticas proliferam em outras secretarias e áreas da gestão Crivella.

Afinal, o prefeito atenuou as criticas, nomeando um novo subsecretário que hoje dirige um órgão com um programa mutilado financeira, e operacionalmente, e que aguardou dois anos para receber novas promessas, que para muitos, novamente não serão cumpridas. A crise financeira para a sociedade civil não pode servir de justificativa para o desmonte de uma política pública referencial, já que o orçamento não cortou despesas para pagamento de pessoal e comissionados, focando o corte na contratação de veterinários, tratadores e pessoal essencial. Infelizmente, a fazenda modelo vivenciou recentemente greves de terceirizados, como tratadores, e somente a situação não se agravou, porque protetores independentes e entidades de proteção enviam doações como remédios e rações, além de proceder campanhas de adoção para animais do abrigo público, o que é claramente impensável.

Enquanto cidades interioranas como Barra do Piraí e Araruama avançam em programas de proteção, a sociedade civil, ONGs como a SUIPA e outras, tentam ocupar o vazio do Poder Público, oferecendo castração a preços populares, assim como a ação de protetores independentes tenta se minorar o abandono, alem dos maus tratos, e o drama de animais silvestres e jacarés desprotegidos na Cidade com uma das maiores diversidades em fauna silvestre, marinha, doméstica, e fluvial do mundo.

Texto de Vinicius Cordeiro com Bruna Franco ativista e dirigente da Ong ADDAMA.

3 COMENTÁRIOS

  1. Nunca vi uma prefeitura tão nefasta como essa. Não só no Rio como na minha cidade também!!!!! Fico indignada como cidadã que sou de não poder fazer NADA!!!!! RECORRER A QUEM????????? Eles fazem as leis … e todos parecem ser coniventes.

  2. Infelizmente está é a realidade da nossa cidade e estado. Vemos os direitos dos animais – que também são vidas -, sucumbindo cada vez mais. O senhor prefeito deveria focar menos sua política de austeridade, na promoção da saúde e bem-estar animal. Estes já sofrem o suficiente devido a cultura nefasta do abandono e maus-tratos.

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