O Rio de 2017: Uma cidade de cinema, com filme de suspense

Rio. A polícia persegue bandidos que roubaram a valiosa carga de uma empresa e ocorre troca intensa de tiros no meio da rodovia. Enquanto isso, governantes corruptos são desmascarados e julgados por seus atos, com disputas jurídicas, pedidos de habeas corpus, ameaças nas entrelinhas e regalias na prisão. Pessoas desempregadas, sem esperança, começam a enxergar o tráfico de drogas como opção. Professores e estudiosos debatem em auditórios de universidade lotados qual seria a solução para evitar o colapso social, mas ninguém encontra uma saída e cada um apenas sabe criticar as posições ideológicas dos outros. Os mais abastados discutem em bons restaurantes se a melhor alternativa é se abrigar na Flórida ou transferir suas atividades para a Europa.

As situações descritas acima parecem enredos de Hollywood, feitos sob medida para o cinema, ou então a sinopse de uma nova série de televisão que vai virar mania e estimular maratonas de episódios nos finais de semana. Acontece que todos esses fatos ocorreram, em um só ano, na Cidade Maravilhosa, o Rio de Janeiro, que sempre teve paisagem hollywoodiana, mas nos tempos de hoje é literalmente cinematográfica, em todos os sentidos. A realidade vem ultrapassando qualquer imaginação vinda da ficção.

Tivemos nesse ano um governo sem recursos e sem muitas iniciativas concretas para mudar essa realidade. Tivemos esquemas de desvio de dinheiro público escancarados em suas entranhas, mas com a Assembleia Legislativa fingindo que não viu. Tivemos confrontos constantes entre policiais e criminosos, gerando uma insegurança paralisante, bairros fantasmas e prejuízos à economia. Tivemos até Ministro dizendo que nossos órgãos de controle eram cúmplices da criminalidade. Nem parece que há pouco tempo atrás o Rio era a capital esportiva do mundo, o palco dos grandes eventos para onde se anunciava um fantástico legado. A ressaca da festa chegou bem rápido, especialmente para os servidores públicos. Tudo que aconteceu no Rio em 2017 não poderia ter sido escrito pelo melhor dos roteiristas dramáticos.

Ocorre que o fim do filme ainda não foi definido. Ainda há a chance de um final feliz. Cada um de nós, cariocas, terá que ser herói, mocinho, cidadão. Temos que ser uma maioria ativa contra vilões, bandidos, corruptos. O novo ano de 2018 está chegando e com certeza trará as últimas linhas do roteiro desse filme de franquia ou temporada de série. Embora a gente saiba que o futuro poderá trazer novos episódios, que pelo menos façamos nossa parte para que esse capítulo tenha final feliz. Observar de perto, cobrar avanços, se mobilizar por causas nobres, votar direito nas eleições, combater as corrupções diárias e sempre ter esperança são as chaves para redigir esse importante script. Assim, nossa cidade cinematográfica pode deixar de dar vida a um suspense e transformar a obra em um grandioso épico.

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Bruno Kazuhiro107 Posts

29 anos, é formado em Direito pela UFRJ, Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ e Presidente Nacional da Juventude do Democratas. Além disso, é coordenador de Juventude da União de Partidos Latino-Americanos e Presidente Adjunto da Juventude da União Democrata Internacional.

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