O show tem que continuar – Perfil de Roberto Medina

O DIÁRIO DO RIO apresenta um perfil do empresário Roberto Medina

Roberto Medina (Marcos Michael)

O Rock in Rio de 2019 havia sido mais um sucesso absoluto de Roberto Medina, empresário, publicitário e promoter responsável por consolidar os eventos de grande porte no Brasil e colocar o país, e sobretudo o Rio, na rota dos shows internacionais. O último festival alcançou um público de 700 mil pessoas, somados os sete dias do evento. Foi o terceiro maior número da história, perdendo apenas para as edições de 2001 e 1985 e empatando com as de 2017 e 2011.

O futuro parecia promissor para o clã Medina, que se preparava para mais um edição de sucesso do maior festival de música do mundo em 2021, mas aí, o planeta virou de cabeça para baixo com a chegada da pandemia do Coronavírus, que cancelou eventos ao redor do globo e fez com que as pessoas fossem obrigadas a se resguardar em casa. Inclusive o próprio Roberto Medina, que contraiu a doença.

Contudo, a crise sanitária não foi capaz de diminuir o ímpeto e a vocação de Medina para ter ideias. No auge dos seus 74 anos e depois de passar um ano isolado entre a casa na Barra da Tijuca e a sua fazenda na Região Serrana, ele ficou matutando ideias e agora quer colocá-las em prática. Ele pretende construir uma “Disney” na Floresta da Tijuca, expandir o mercado de mega festivais para São Paulo e, claro, fortalecer o Rock In Rio, sua menina dos olhos de ouro.

Trabalho com o cenário positivo. Esse meu otimismo vem da confiança no poder universal da música, da qualidade que entrego, mas também do fato de não me afinar com o discurso do novo normal”, disse Medina à Revista Veja.

Roberto Medina – Leo Pinheiro/Valor/Folhapress

Para isso, o empresário sempre teve convicções e posicionamentos firmes, que alguns chamariam de teimosia, mas que o trouxeram de 1985, ano em que o Rock in Rio I foi realizado sem nenhuma perspectiva e com prejuízo para seu investidor, para um 2021 onde a marca não para de crescer, mesmo diante de uma pandemia mundial.

Avesso a extravagâncias (pelo menos não perante o público) Medina afirmou na mesma entrevista que “teve musculatura financeira” para segurar os tempos de crise, mas que jamais passou pela sua cabeça cancelar ou reduzir o evento.

“Em vez de diminuir, sempre tive em mente aumentá-lo quando fosse possível”.

Diante das adversidades para quem tenta investir no mercado de entretenimento, o empresário revela que já teve vontade de deixar o Brasil inúmeras, mas o lado patriótico fala mais alto nessa horas, mesmo tendo morado bastante tempo no exterior.

“Vivi dez anos entre Estados Unidos, Portugal e Espanha e foi ruim, não me emocionava. Ir embora é fácil. Difícil é ficar e fazer o Brasil dar certo”.

Sobre um possível receio das pessoas em relação a realização do Rock In Rio sob a ameaça das variantes do Coronavírus, Medina adota cautela, se diz “totalmente a favor” da obrigatoriedade da vacinação para a Covid-19 e acredita que as pessoas anseiam por poder celebrar a vida como antigamente.

“Não só aqui, como no mundo inteiro, existe um desejo irrefreável de voltar a se encontrar, celebrar, se abraçar e se sentir livre.Você pode estar na gaiola mais bonita do mundo que começa a enlouquecer. O ser humano precisa do olho no olho”.

Quando as primeiras medidas restritivas contra o Coronavírus foram tomadas, em março de 2020, o mecenas do Rock in Rio disse que seu festival seria o primeiro grande evento pós pandemia. A crise sanitária se revelou mais grave, e o evento de 2021 teve de ser cancelado.

Mas isso não tirou o entusiasmo do empresário, que pretende promover o “Maior Rock in Rio” de todos os tempos, com as devidas precauções, salienta.

A vida é ao vivo. As pessoas já se aglomeram no metrô, nas praias, nas ruas. Com todos os cuidados que a ciência impõe, precisamos festejar“.

Roberto Medina quer uma Disney brasileira na Floresta da Tijuca

Os planos audaciosos de Roberto Medina também incluem construir na Floresta da Tijuca, uma das maiores áreas de conservação ambiental do planeta, na Zona Norte do Rio, um parque de diversões nos moldes da Disney.

Segundo ele, o projeto seria voltado para “contar a história das nossas florestas e da nossa biodiversidade“. Ele também revelou que já levou a ideia para o prefeito do Rio, Eduardo Paes, que teria aprovado a iniciativa.

Se a Disney desenhou um parque inspirado nos animais e na savana, nós teremos um parque real, que coloca o visitante imerso numa das mais lindas florestas tropicais do mundo, podendo viver e sentir o dia a dia da fauna e da flora. Será um parque temático da natureza, sem que nenhuma árvore precise sair“, escreveu Medina em artigo publicado no Jornal O Globo.

De acordo com o idealizador do Rock in Rio, a criação da “Disney Brasileira” é uma “oportunidade para que o mundo enxergue o Rio a partir do viés ambiental”.

The TownO Rock in Rio de São Paulo

Roberto e Roberta Medina (Foto: Ariel Martini)

No fim de outubro, Roberto Medina anunciou seu mais novo festival de música. Intitulado de The Town – ou “A Cidade” em português – o evento está programado para acontecer em setembro de 2023 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

O local escolhido para abrigar uma nova cidade da música foi o autódromo de Interlagos. Assim como no Rock in Rio, a filha Roberta Medina, de 43 anos, vice presidente do festival, é quem vai tomar a frente da produção. Além de Roberta, Medina é pai de Rodolfo, 45, vice-presidente de marketing e parcerias do Rock in Rio, e Raíssa, estudante de 16.

Roberto com os filhos Roberta e Rodolfo (Foto: Daryan Dornelles)

Mas não pense que Medina ficará alheio a organização. Somente em falar sobre o local do festival, os olhos do empresário já brilham.

Não encontrava o lugar. Eu estava na pandemia e falei ‘peraí, mas o autódromo está ali, é questão de arrumar’. Esse projeto de São Paulo é uma revisita ao espaço do autódromo. Vamos fazer ali uma cidade inteira do rock”, comentou Medina em entrevista ao Fantástico.

(Foto: Divulgação)

As atrações ainda não foram divulgadas, mas a festa contará com duas músicas tema. Uma delas, inclusive, será uma parceira da carioca Iza com o paulista Criolo.

Medina explicou que serão cinco dias de festa, com shows acontecendo simultaneamente em seis espaços, todos com cenografia temática e inspirada em ícones da arquitetura paulistana, como a Catedral da Sé e a Estação da Luz. O investimento inicial desta edição será de R$ 240 milhões, sem o uso de leis de incentivo. O evento deverá proporcionar um impacto econômico de R$1,2 bilhão aos cofres públicos, além da geração de 20 mil empregos.

Roberto Medina é de esquerda ou de direita?

Nem um nem outro. Embora seja muitas vezes visto ao lado de figuras da política, geralmente para firmar alguma parceria ou celebrar algum contrato que beneficie diretamente seus negócios, ele se considera de centro.

Engraçado, as pessoas acham que eu sou de direita, talvez porque eu me vista como mauricinho. Mas no campo ideológico fico no centro. Sou liberal na economia e progressista nos costumes“.

É sabido, porém, que ele possui um boa relação com o prefeito do Rio, Eduardo Paes e com o governador de São Paulo, João Dória.

Roberto Medina e João Doria (Foto: Renato Wrobel)

Playlist do Medina

Seria Roberto Medina um roqueiro de carteirinha? O presidente do Rock in Rio não fala muito sobre suas preferências musicais, embora fique claro que ele gosta muito da banda de Heavy Metal Iron Maiden e dos californianos do Red Hot Chilli Peppers, que já são sócios do evento. Mas algo que surpreendeu muita gente é que Medina é fã do Rei Roberto Carlos.

Perguntado pela Revista Veja sobre quem gostaria de trazer ao festival, que ainda não trouxe, o publicitário é categórico: “Roberto Carlos, meu maior sonho“.

Sonho é a palavra que define a trajetória de Roberto Medina. E o próximo sonho que o empresário quer realizar é o Rock in Rio que celebre o retorno a vida normal, como ela era antes da pandemia, afinal de contas, o show tem que continuar.

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