Marcelo Sarquis em meio aos Chapéus Panamá

Em nosso país, Marcelo Sarquis, de 54 anos de idade, com sua empresa Aba, é o derradeiro importador de um produto milenar. O Chapéu Panamá é fabricado no norte do Equador por pessoas de origem indígena, de forma quase artesanal. Há relatos de que a peça já era feita há 4 mil anos antes de Cristo.

Bem depois disso, no Rio de Janeiro, Marcelo Sarquis entra na história. No início dos anos 2000, ele, que era vendedor de diversos produtos, se deparou com um cliente que queria um “chapéu molinho”. Sem saber bem o que era, Marcelo foi pesquisar na Internet e uma ideia subiu à cabeça.

Marcelo descobriu como conseguir o tal “chapéu molinho”.  Fez contato com o Consulado do Equador e com a Câmara de Comércio Brasil-Equador e descobriu uma pessoa que conseguia os Panamá. Então, ele comprou 24 peças e levou até um chapeleiro do centro do Rio que era especialista no assunto. O homem comprou tudo sem coçar a cabeça para pensar. 

Com a certeza de que seria um bom negócio, Marcelo, no ano de 2002, foi atrás da segunda a leva de Chapéus Panamá. Comprou 500 e virou importador. Mesmo sem saber se tornou um dos mais importantes do ramo.

Uma vez, me chamaram para um evento de importadores de Chapéu Panamá no Equador. Na data, eu não podia ir. Então, eles mudaram a data do evento por minha causa. Disseram que eu era o único importador com etiqueta do governo do Equador”, conta Marcelo.

Para ter essa etiqueta é preciso vender o produto original. E o produto original é feito por indígenas, em suas casas, nas cidades de Cuenca e Monte Cristo, norte do Equador. Os Panamás originais são feitos com uma palha que só nasce na região onde são fabricados e é considerada a mais leve e mais resistente do mundo.

Equatoriana fazendo um Chapéu Panamá

Tanto cuidado implica no preço. Que tem suas variações. São quatro tipos de Chapéus Panamá: regular, semifino, fino e super fino. O primeiro é o mais barato e custa R$ 247. O último, mais caro, sai por R$ 5 mil. O semifino é R$ 380 e o fino, mil reais. Como os nomes sugerem, a espessura de cada um é o diferencial.

Quando foi citado, no início do texto, que os Chapéus são feitos há mais de 4 mil anos antes de cristo não foi coisa da cabeça do repórter. Relatos históricos mostram que as tribos da região já usavam os Panamás – que à época não tinham o nome e o acabamento atual. Com a colonização espanhola nas Américas, a moda foi parar na Europa. No século XVIII, reis e imperadores usavam o assessório. Já no início dos anos 1900, nobres e outros ricos europeus entraram na onda.

No Brasil, no decorrer do século XX, a peça ficou famosa e entrou na aba de muitos fatos históricos. Entre tantas, cito três figuras marcantes do nosso país que usavam, regulamente, Chapéu Panamá: Getúlio Vargas, Santos Dumont e Tom Jobim.

Tom Jobim – Santos Dumont e Getúlio Vargas (ao centro) e Roosevelt (à esquerda)
 Ambos de Chapéu Panamá

Os antigos malandros da Lapa, do samba, chamados por Chico Buarque de “barões da ralé”, entraram de cabeça na moda do Chapéu Panamá. O assessório é indispensável no traje clássico da velha malandragem.

Chapéu de Malandro

Saindo do passado, voltando para o presente e visando o futuro, Marcelo acredita que a venda de Chapéus Panamá vai continuar em cima. Segundo ele, o produto é procurado por todos os tipos de público, de anônimos a famosos, de diferentes classes sociais, seja nas feiras e lojas para as quais ele vende as peças ou em seu escritório no Rio de Janeiro, onde sempre vai alguém procurar por um Panamá. E os motivos para tal não faltam, como explica o próprio Marcelo:

É o melhor chapéu do mundo. Ele é leve, gostoso de usar e deixa todo mundo elegante”.  



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9 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia!!! Sou fã de carteirinha desse chapéus,pena e muito caro não tenho condições de comprar ,mais acho que deveria ter o club do chapéus Panamá combina con wisk e charutos.e elegância fica a dica

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