O prédio onde fica a sede do Sindicato de trabalhadores de bloco do Estado do Rio de Janeiro, localizado em frente ao Moinho Fluminense, na Rua Sacadura Cabral, Centro da cidade do Rio, está passando por uma reforma que, ao que tudo indica, descumpre normas impostas às obras em imóveis históricos.

Dois andares extras foram erguidos em cima do prédio, portas e janelas de alumínio colocadas no lugar das de madeira, uma grade e um muro adicionados, bloqueando a visão para o bem histórico, além da colocação de um piso de cerâmica no pátio externo e ar condicionado na fachada. Tudo isso foi feito na obra, que continua acontecendo, como pôde acompanhar in loco a reportagem do DIÁRIO DO RIO.

“Muro em frente à imóvel histórico e construção de andares extras em prédios dessa categoria não é permitido. Isso está errado”, opina a pesquisadora de imóveis históricos Camila Gomes.

Equipe do DIÁRIO DO RIO esteve no local e fez imagens

“Ampliar cômodos, construir mais andares, modificar fachada, tudo isso é normal em uma obra em um imóvel comum. Mas em um imóvel histórico, considerando a legislação, fiscalizada pelos órgãos responsáveis, a obra pode ser embargada e o local lacrado até a regularização do projeto. O proprietário pode ter, ainda, que pagar uma multa”, disse o arquiteto e urbanista Raphael Costa.

O órgão fiscalizador responsável pelo prédio sede do sindicato de trabalhadores de bloco do Estado do Rio de Janeiro é o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade – IRPH. Procurado pela reportagem, o IRPH não respondeu os emails e ligações.

“Parece tratar-se de só um prédio sem fiscalização, mas é uma síndrome de omissão, abandono e de profunda ignorância sobre como cidades funcionam e como são fonte de inspiração para a vida das pessoas no cotidiano. Mesmo uma cidade pobre pode ser bem cuidada e oferecer otimismo. E o Rio não é exatamente uma cidade pobre. É uma cidade mal gerida e com um prefeito que não lidera seus servidores. É a única área de renovação portuária no mundo que une história, inovação, sustentabilidade, memória africana, integrando comunidade local com o futuro e necessários novos moradores, reafirmando a centralidade de oportunidades da região metropolitana e promovendo um Rio melhor. O Porto Maravilha precisa de novos moradores e preservar os atuais. Quem vai querer viver num bairro central abandonado?”, afirmou o arquiteto e urbanista Washington Fajardo.

O sindicato de trabalhadores de bloco do Estado do Rio de Janeiro também não respondeu os contatos do DIÁRIO DO RIO.

A Prefeitura do Rio de Janeiro, também procurada, não se manifestou a respeito da situação.

Washington Fajardo, um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento do Porto Maravilha durante a gestão Eduardo Paes, ainda completou: “Não entende ele [o prefeito] que por causa do abandono perde receitas, investimentos e faz correr quem queira colocar dinheiro na cidade. Pois cidade é leitura e percepção. Se está mal tratada, algo de podre existe. E quem vai pagar para descobrir? Depois não pode reclamar que não tem capacidade financeira. Já são três anos de abandono. Cidades prosperas são organizadas e ordenadas, e atraem investimentos e animam as pessoas a sonhar mais alto e se dedicar mais. Este é o ciclo virtuoso. Cidades largadas, feias, degradadas, assustam, oprimem os sonhos e se convertem cada vez mais em lugares de fuga e de frustração. Este é o ciclo vicioso”.

1 COMENTÁRIO

  1. Nesse lugar tem festas quase todo fim de semana.
    Eles não estão nem aí se é patrimônio histórico eles só querem é faturamento e com o prefeito que temos a região portuária está abandonada

Comente

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui