Praça Paris por Renata StamatoQuando viajei para Buenos Aires, uma das coisas que me causou melhor impressão foram suas praças, que além de bem arborizadas e bonitas, estavam completamente integradas às suas comunidades. Presenciei em algumas, trabalhadores almoçando, pessoas caminhando, conversando, ou seja, a praça muito além do efeito decorativo.

A Praça Paris, ainda é um tesouro do rio mais decorativo do que prático. Seu paisagismo encanta, tal como sua fonte. No entanto, não sinto que as pessoas tenham tanto apreço por ela quanto poderiam.

Morando há cerca de 3 anos na Lapa, também não usufruo tanto assim desse espaço. Somente outro dia por acaso observei os enormes peixes que vivem em seu lago. Já utilizei algumas vezes a praça em meus eternos recomeços no hábito de correr, mas é muito raro os pulmões não serem bombardeados pelo forte cheiro de urina proveniente do seu entorno. Infelizmente a presença da guarda municipal dentro da praça não consegue inibir os “mijões” do lado de fora da grade. Parece que só no carnaval dá ibope prender esses infratores…

Tirando ginástica e corrida, a enorme praça não dispõe de incentivos a práticas recreativas, alimentando apenas o ócio puro. Ali poderiam ser colocadas algumas mesas para se jogar xadrez e dama, uma pista para se jogar bocha e tantas outras coisas mais.

A Praça Paris, no entanto, vem sendo bem utilizada como cenário seja para álbuns de casamento, seja para comerciais de TV. Não sei se é o afeto inconsciente pelo lugar, mas vira e mexe tenho a sensação que é a praça que aparece ao fundo de um comercial, mas nem sempre tenho certeza.

Em um momento no qual se fala tanto na criação do novo bairro Porto Maravilha, em que se fabricará um estilo de vida em um lugar onde não há vida ainda, a Praça Paris poderia deixar de ser apenas um belo cenário para ser um coração de um novo centro mais humano, mais residencial, fortalecendo a qualidade de vida dos moradores de todos os bairros do entorno e até atraindo visitantes com mais freqüência.

Talvez, o governo não tenha esse interesse. Mas cada um de nós pode ocupar a Praça Paris e deixá-la ainda bonita, ainda chique, mas mais carioca a cada dia. Será que pode jogar frescobol por lá?

É jornalista, formado na Universidade Federal Fluminense e trabalha com Comunicação Empresarial. Criado na Barra da Tijuca, mora com sua esposa na Lapa e adora descobrir a cada dia os encantos do Rio de Janeiro em seus contrastes.

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