Camisa do Andaraí Atlético Clube (Foto: Divulgação)

É fato que mais de uma dezena de empresas vêm produzindo camisas comemorativas de times brasileiros e europeus. Hoje um aficionado pelo Flamengo, de 1981, ou pelo America, de 1974, pode facilmente encomendar exemplares desses anos. Sabe-se que a paixão futebolística não tem limites, mas era difícil imaginar que essa fronteira seria transposta para clubes extintos, alguns até nem tão conhecidos.

O agitador cultural e professor de geografia, Pedro Henrique Gomes, 37 anos, morador do Méier, é um dos idealizadores da iniciativa. Há cerca de 12 anos, possui um projeto de incentivo à leitura, além do forte engajamento em atividades culturais e educativas, sobretudo nas ruas.

Ao longo da adolescência, quando visitava um grande amigo, obrigatoriamente passava pela Rua Monsenhor Jerônimo, 135, sede do Engenho de Dentro Atlético Clube. Com os colegas de faculdade jogava bola na quadra. Mas sempre me perguntava sobre o que representava aquela agremiação. Ao pesquisar a respeito, me aparecia algo curioso: era o “Terror do Futebol Suburbano”. Infelizmente o time não mais existe, restando apenas uma modesta sede social. Foi daí que nasceu a ideia da produção da fanzine “Grande Méier FC – Os Fantasmas Azuis do Engenho de Dentro”, revela.

Além do incessante levantamento histórico, Pedro, não satisfeito, ainda passou a tentar reviver o fardamento dessas equipes, tendo todo o cuidado de levantar cores e modelos na tentativa de ressuscitar os uniformes.

A partir de informações levantadas na internet, procurei uma empresa que fabrica camisas retrô e consegui que fossem produzidos os modelos de três agremiações históricas do Grande Méier: Metropolitano Athletico Club, Japoema Football Club e, obviamente, o Engenho de Dentro Atlético Clube (foto). Também disponho de um exemplar do saudoso Andaraí Atlético Clube (foto), o time de Dondon, imortalizado no samba de Nei Lopes, o qual também deu origem a outra fanzine de minha autoria“.

Camisas do Metropolitano Athletico Club, Japoema Football Club e Engenho de Dentro Atlético Clube (Foto: Divulgação)

O próprio Engenho de Dentro, em seu Instagram, promove no momento uma campanha junto a torcedores e simpatizantes para fabricar o modelo tradicional de sua camisa, notabilizada por listras verticais azuis em fundo branco. Em 2012, um exemplar referente ao centenário da agremiação chegou a ser produzido e comercializado com sucesso.

O empresário Renato Oliveira, 39 anos, é outro entusiasta da iniciativa. Ele é fundador e proprietário da Otaner, uma confecção existente desde novembro de 2017, a qual disponibiliza produtos na loja Botão FC, localizada no Shopping Boulevard, outrora praça esportiva do Andaraí e, posteriormente, do America. Inicialmente Renato se dedicava apenas à produção de estampas de jogos de futebol de botão. Hoje, não só detém licença para comercializar camisas do America, como ainda visa a fabricar camisas de times inativos. A do Andaraí (foto) já é encontrada em seu negócio. Na lista de pedidos se encontram nomes como Confiança, Vila Isabel, ADN de Niterói, SC Brasil, Magno, Mavílis, Modesto, Mackenzie, Valim, Irajá, Ríver, Mangueira, Riachuelo, Ramos, Catete, Fidalgo e muitos outros.

A maioria dessas agremiações desapareceu por causa de dificuldades financeiras, estruturais ou devido ao advento do profissionalismo no futebol carioca. Algumas ainda mantêm sedes sociais, mas uma grande parte estaria realmente fadada ao esquecimento completo se não fosse a sanha de grandes historiadores e pesquisadores como o saudoso Raymundo Quadros e o intrépido Sérgio Mello, 51 anos, este último, com passagens pelo Jornal dos Sports e Record TV. Graças a esses baluartes, a memória do futebol carioca estará plenamente assegurada, servindo ainda de inspiração para esse tão saudável e benéfico “revival” de camisas.

André Luiz Pereira Nunes é professor e jornalista. Na década de 90 já escrevia no Jornal do Futebol e colaborava com Almir Leite no Jornal dos Sports. Atuou como colunista, repórter e fotógrafo nos portais Papo Esportivo e Supergol. Foi diretor de comunicação do America.

2 COMENTÁRIOS

  1. André, sei que o artigo não foi para isso, mas meu avô foi jogador, técnico e diretor do Japoema. Só descobri isso depois que ele morreu, e já faz mais de 20 anos. Você só colocou como contatar um dos vendedores, o Otaner. E do outro, que tem a camisa do Japoema ?

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