Opinião: Witzel é uma ameaça à segurança pública

Semana passada, o editor Quintino Gomes Freire apresentou sua opinião favorável à postura machoautoritária do governador Wilson Witzel, que, a bordo de helicóptero da polícia, quis demonstrar sua capacidade operacional em Angra dos Reis. Dentro do espírito de fraternidade democrática que cabe ao DIÁRIO DO RIO, venho discordar! Witzel é um perigo, uma ameaça, para o Estado do Rio de Janeiro.

O cidadão fluminense já teve um bocado de azar com suas escolhas eleitorais. Mas Witzel leva o caos a um nível mais profundo! Trata-se de um tiro no escuro, uma pessoa a quem poucos conheciam até pouco tempo. Parte desse flerte foi ligada à descrença na maioria dos partidos que (direta ou indiretamente) regeram o Estado nos últimos anos. Parte foi justamente por conta dessa imagem de “homem forte” que o governador quer projetar.



Só que tal imagem é, no mínimo, inapropriada. Um governador, figura pública que tem escolta e segurança pessoal, nunca deveria estar embrenhado em operações policiais. É um alvo fácil para a criminalidade e para a consequente desmoralização da polícia se algo de errado acontecer.

O governador também apela para a mesma tática utilizada por seus predecessores imediatos: ocupar territórios, invadir favelas, caçar criminosos. Esse tipo de medida é ótima para “mostrar serviço”, especialmente a um público de direita conservadora a quem Witzel constantemente acena. Entretanto, é um modelo que nunca deu certo e só traz a escalada de violência à cidade. Isso porque, a despeito da descrição “guerra civil” do editorial, não vivemos situações de combate aberto em campos neutros. A conquista (e a reconquista) de territórios pelas polícias se dá em locais densamente habitados, onde vidas inocentes coexistem com criminosos de alta periculosidade, os quais – diga-se de passagem – nem sempre são narcotraficantes. Muitas comunidades são controladas por milícias.

Não é possível ocupar um território à força se há pessoas vivendo nesse território. Ou o Estado arca com o urbanização, infraestrutura e melhoria de todas essas comunidades, ocupando-as formalmente com o que sempre deveria ter feito ou, enquanto isso não é feito, só resta ao Estado apostar em ações de inteligência para saber desembaraçar as redes de criminalidade de forma precisa e sem assassinar cidadãos de forma acidental.

A ação de Witzel mostra que nenhuma das duas medidas foi tomada. A favela é ocupada pelo governo apenas quando eclode um tiroteio com traficantes (mas com a milícia, raramente). Os tiros a esmo que frequentemente vitimam inocentes são prova disso. Claro que criminosos também são responsáveis por essas vidas ceifadas, mas do Estado, espera-se uma conduta moralmente superior à de bandidos.

O mero detalhe da tenda de oração haver sido inicialmente citada como depósito de armas demonstra que ações básicas de inteligência não foram empregadas. Com a quantidade de geotecnologias à disposição do governo hoje em dia, ao invés de empregar a força, Witzel poderia priorizar um mapeamento preciso das favelas, a infiltração de agentes nos territórios para conhecimento da ação de redes de criminalidade e tantas outras ações que os principais especialistas em Segurança Pública sugerem. E não, subir num helicóptero como prova de coragem.



Por fim, a ação da deputada Renata Souza, de denúncia e crítica às atitudes de Witzel, faz parte de seu papel enquanto parlamentar democraticamente eleita e presidenta da Comissão de Direitos Humanos da ALERJ. Infelizmente, os aliados do partido de Witzel parecem ter aderido à mesma truculência de seu chefe, ao fazer manobras para tentar silenciar a oposição. Truculência nunca resolveu a situação do Rio de Janeiro, nem tampouco resolverá agora.

4 COMENTÁRIOS

  1. Obrigada Luiz, parece que o ódio do povo deixa as pessoas cegas… ele é um incompetente além de um perigo para nós como sociedade.

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