Chico Alencar – PSol

Foto Chico Alencar Formado em História na Universidade Federal Fluminense, defendeu tese de Mestrado em Educação na Fundação Getúlio Vargas sobre o movimento das Associações de Moradores do Rio, do qual foi um dos líderes no início dos anos 80. Foi fundador e presidente da Associação de Moradores da Praça Saens Peña (AMOAPRA), e também diretor e presidente da Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro (FAMERJ).
Deu aula durante mais de duas décadas em diversos colégios da rede pública e particular. É professor licenciado de Prática do Ensino de História da UFRJ. Dirigiu, entre 87 e 88, a Coordenadoria de Apoio ao Educando, da Secretaria Municipal de Educação, que encaminhou a primeira eleição direta das direções das escolas públicas do Rio de Janeiro.

Chico é autor e co-autor de diversos livros didáticos e infanto-juvenis:

Foi vereador, pelo PT, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro por dois mandatos (eleito pela primeira vez em 1988 e reeleito em 1992). Foi um dos líderes na luta pela moralização da casa, participou da elaboração da Lei Orgânica e da discussão do Plano Diretor da Cidade, quando apresentou sugestões e emendas reivindicadas pelos movimentos populares. Foi também presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Teve aprovados mais de 30 projetos de lei, sempre voltados para a melhoria do serviços públicos e da qualidade de vida dos cidadãos.

Em 1996, foi candidato a Prefeito do Rio. Com 642.000 votos, obteve a terceira colocação.

Foi eleito Deputado Estadual ( /RJ) em 1998, com 70.095 votos – o terceiro mais votado do Estado. Foi presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania e Vice-presidente da Comissão de Educação da Alerj.

Eleito Deputado Federal em 2002, com 169.131 votos, foi o mais votado do PT/RJ e o sexto mais votado no Estado, para a legislatura 2003-2007. Tem pautado seu mandato na defesa dos direitos humanos, da ética no serviço público e na educação de qualidade. Atualmente, é membro do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.

Em setembro de 2005, depois de um longo e doloroso período de questionamento à política econômica e às prioridades do Governo Lula, e considerando as flagrantes violações à ética na política, desfilia-se do PT e ingressa no Partido Socialismo e Liberdade – PSOL.

Respostas às Perguntas do Diário do Rio

Qual canção tem a cara do Rio?
Não respondeu

Por que você é pré-candidato a Prefeito do Rio?
Não respondeu

Na sua visão, qual(is) o(s) maior(es) legado(s) de D. João VI para o Rio?
Não respondeu

Qual deve ser a principal prioridade de um prefeito?
A principal prioridade de um prefeito, em especial do Rio, deve ser… prefeito. Isto é, governar, dinamizar o poder público, torná-lo presente, fazer de cada funcionário municipal um servidor, uma pessoa dedicada a governar junto com o Prefeito e os Secretários, na direção do bem comum, na opção preferencial pelos sem-direitos, que são 2/3 dos moradores da cidade.

Hoje, na emergência, isso se traduz em atendimento básico de saúde, combate a endemias e prevenção de epidemias. A prioridade de um Prefeito que governe com participação cidadã é também estimular a cultura da organização popular, da solidariedade, da indução ao gregário, ao espírito coletivo, na contramão do individualismo consumista e da competitividade agressiva reinante. Até o planejamento da gestão deve ser participativo!

Um Prefeito de verdade, que não se esconde atrás de assessores ou equipamentos de informática, deve combinar os despachos de gabinete, inevitáveis, com a presença cotidiana nas ruas, nos bairros, ali onde o poder de fato se exerce (ou se omite), sentindo o pulsar da vida urbana. O Prefeito tem a obrigação de resgatar a cidade como espaço público, e não de domínio de máfias privadas. Lugar de encontro e confronto dos citadinos, em busca de uma vida melhor. Assim seja, assim cobremos de quem vier a nos governar.

Qual a importância do servidor público municipal para a administração da cidade? E quais são as suas políticas para os servidores públicos municipais?

Como o norte do nosso programa de governo é promover um verdadeiro choque de poder público no Rio de Janeiro, os servidores públicos serão a base da nossa administração. Para tanto, queremos que todos os profissionais da rede pública participem da gestão da nossa cidade.

Cada médico, cada professor, cada gari, cada engenheiro e demais servidores terão poder de decidir, em suas respectivas instâncias, as diretrizes políticas e executá-las. Vamos chamar cada funcionário público para ser prefeito junto com a gente.

Mahatma Gandhi e Che Guevara são as figuras internacionais mais admiradas por Chico Alencar Qual é a figura internacional que o pré-candidato mais admira? Por quê?

Diante de um mundo tão vasto, acho que vale a pena citar pelo menos duas grandes figuras: Mahatma Gandhi e Che Guevara. Gandhi por sua perseverância na tentativa de unir um país tão dividido quanto explorado, e o Che pela capacidade de indignação diante de tanta injustiça cometida pelo sistema capitalista em nossa América Latina.

Paraquallugar do Riovocêgosta de ir nas suashoras de lazer? O quevocêmaisgosta nesse lugar?

Só tendo chegado na vida eterna para curtir todas as delícias do Rio! Não dá para ter UM lugar predileto. Eu retorno à minha infância indo, numa manhã outonal, à Quinta da Boa Vista, entrando no Jardim Zoológico. Aliás, retorno ali também ao Brasil imperial… A praia, do Leme ao Pontal, qualquer uma, num domingo de verão, rejuvenesce, desde que alerta para os males da poluição que pode pintar aqui e ali. Complete-se com um Maraca, com o Mengo e sua flamante e cantante torcida, se possível contra o Vasco, com essa mania de ser vice.

Na Lapa de hoje e de outrora, o espírito do velho e perene amigo Mário Lago me conduz. Vida saudável é a caminhada na trilha Claudio Coutinho, na Praia Vermelha, ou nas Paineiras ou no Alto da Boa Vista, respirando a Floresta da Tijuca. Um bacalhau no Adonis, em Benfica, ou uma sardinha na Cadeg, ali mesmo, em meio às flores, também vai bem… Sepetiba, Pedra de Guaratiba… Maciço da Pedra Branca… E o centro com seus museus, suas igrejas. Rio, eu gosto de você!

Quando e porquevocê entrou na política?

Comecei a me politizar com os livros do socialismo francês indicados por minha madrinha, Magdala Ribeiro Costa, irmã do urbanista Lúcio Costa. Minha trajetória política – entendendo o termo “política” no sentido amplo – começou na JEC, Juventude Estudantil Católica, ainda adolescente, e no Grêmio do Colégio de Aplicação da UERJ, do qual fui presidente.

Depois, minha “universidade” foi o movimento das associações de moradores do Rio de Janeiro. Fui vice-presidente da Famerj, que é a federação que congrega as diversas associações, desde aquelas organizadas nas favelas até as dos demais bairros da cidade. Daí em diante fui vereador, deputado estadual e, depois, deputado federal.

Entretanto, posso dizer com tranquilidade que me apaixonei pela política quando me tornei professor de história, formado na Universidade Federal Fluminense. A partir de então, sempre trabalhei para entender o processo de desenvolvimento brasileiro a partir dos “de baixo”, e encontrei no parlamento um espaço privilegiado para lutar pela inversão de prioridades que pode dar condições dignas de vida para a maior parte da nossa gente.

Para Chico Alencar deve-se apresentar uma nova proposta de relacionamento do ser humano com a natureza, de modo a não permitir que os recursos naturais Qual deve ser a principalprioridade ambiental de umprefeito do Rio de Janeiro?

Nós queremos apresentar uma nova proposta de relacionamento do ser humano com a natureza, de modo a não permitir que os recursos naturais, que são patrimônio de todos, sejam destruídos para agradar a interesses privados. Também precisamos valorizar mais a natureza do Rio de Janeiro, motivo de admiração no mundo inteiro. Prova de que o atual prefeito não investe no setor é que a gelada Buenos Aires recebe mais turistas que o Rio de Janeiro, mesmo que o carioca tenha sido abençoado com um Pão de Açúcar, um Morro do Corcovado, a Floresta da Tijuca, as praias belíssimas, entre outras belezas naturais da nossa cidade.

Por fim, o mais importante de tudo – e que será nossa prioridade ambiental: envolver e motivar a população local a preservar o meio-ambiente, tendo por base o preceito do eco-socialismo, ou seja, empreender uma política de desenvolvimento que não seja baseada em critérios monetários, e sim no respeito ao equilíbrio ecológico tão necessário para a manutenção da qualidade de vida de todos.

Qual foi o momento mais marcante do Rio de Janeiro nos últimos 10 anos?
Com certa nostalgia, digo que foi aquele 27 de outubro de 2002, quando o Rio deu a Lula extraordinária votação no 2º turno da eleição presidencial, contra Serra (PSDB).

A festa da esperança, que afinal vencia o medo, foi linda, iluminou a Cinelândia. Mas a esperança virou lambança e cacos de sonho, onde alguns, inadvertido, se cortam, incoerentes, sem perceber, anestesiados ou endinheirados.

Qual deve ser o principal parceiro da Prefeitura do Rio?

A principal parceria da Prefeitura do Rio de Janeiro deve ser com o cidadão do Rio de Janeiro. Cada carioca deve sentir-se também prefeito da cidade. Para isso, ele precisa ser estimulado a participar da administração do seu município, interferir nas decisões que causarão impactos em seu bairro.

Nós apostamos muito na formação de conselhos poo que aconteceu de errado na Providência e no Projeto Cimento Social?pulares e acreditamos que o melhor governo é o governo que anima a população a sentir a cidade como sua, resgatando os espaços públicos. Também queremos chamar cada servidor municipal para participar diretamente da gestão da cidade. Temos excelentes professores, médicos, engenheiros, garis e servidores públicos em geral, extremamente capazes de pensar e definir rumos para o desenvolvimento equilibrado e justo do Rio. Essa deve ser nossa aposta, essa deve ser nossa principal parceria, da cidadania como coletivo de cidade.

O que aconteceu de errado na Providência e no Projeto Cimento Social?

Chico Alencar acredita que houve abuso de poder típico dos tempos da ditadura Tudo. Desde o provável uso eleitoral de uma obra pública até a privatização nebulosa do serviço, passando pelo abuso de poder típico dos tempos da ditadura. O senador Marcelo Crivella é o “patrono” da iniciativa no Morro da Providência, cunhada de “Cimento Social” e derivada de “destaque orçamentário” de sua autoria. Uma empresa privada, licitada pelo próprio Exército, executa as obras.

Há provas testemunhais irrefutáveis: rapazes pobres e negros detidos “por desacato à autoridade” foram levados em viatura militar não para a delegacia policial, como determina a lei, mas para o quartel do Santo Cristo próximo à comunidade, em abuso de poder típico dos ásperos tempos de ditadura. Depois, foram entregues pelos militares a criminosos que atuam em outra comunidade pobre: “terceirizaram” a tortura e o assassinato!

A Comissão de Direitos Humanos realizará audiência pública, na quinta-feira (26/6), com a presença do ministro da Defesa, do comandante do Exército, do delegado responsável e de cidadãos do Morro da Providência. Também solicitei ao Comando Militar do Leste todo o processado a respeito da presença e atuação do Exército na comunidade e, ao Ministério Público, instauração de procedimento investigatório para apurar eventual uso eleitoral da presença do Exército na comunidade. Dos Ministérios das Cidades e da Defesa aguardamos cópia de todos os processos dos convênios e das licitações que contrataram serviços e obras no Morro da Providência.

Só assim teremos o mais pleno conhecimento dos fatos e podemos cobrar das autoridades não só a pronta responsabilização dos culpados, mas também a reparação a que as famílias violentadas têm direito.