OSB recebe vencedor do Concurso Chopin dia 12/12 na Cecília Meirelles

Vencedor do Concurso Chopin, pianista canadense Bruce Liu é o solista do próximo concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira

foto Cicero Rodrigues

Concurso Chopin de Varsóvia tem, desde a sua primeira edição, em 1927, projetado a carreira de grandes talentos do piano. Nomes como os de Maurizio Pollini, Martha Argerich e Arthur Moreira Lima figuram entre os laureados desta competição, confirmando o alto nível do certame e assegurando o seu prestigioso status. A XVIII edição do Concurso aconteceu em outubro de 2021 e revelou ao mundo o pianismo cintilante do jovem canadense Bruce Liu, agraciado com o 1º prêmio. Acompanhado da Orquestra Sinfônica Brasileira e sob a regência do maestro Roberto Tibiriçá, o pianista se apresenta pela primeira vez no Brasil, dia 12 de dezembro, na Sala Cecília Meireles. No programa, algumas das obras de Chopin que consagraram sua passagem pelo Concurso.

Abrindo o concerto, Liu toca o “Andante Spianato e Grande Polonaise Brilhante Op. 22”. Escrito em um estilo que muito lembra um noturno, o Andante é uma peça tranquila e cristalina que funciona como prelúdio para a Polonaise. A mão esquerda desenha arpejos aquáticos, enquanto a mão direita canta a melodia. Uma seção central ritmada à moda das mazurkas interrompe a fluidez dos arpejos, mas a atmosfera “spianata”, isto é, “serena”, jamais se dissipa. Ao fim do andante, as trompas anunciam novos ares, e a orquestra faz sua aparição. Após uma sequência de pizzicati, é a vez do piano se impor. Se o “spianato” funciona como adjetivo ideal para caracterizar o andante, “brilhante” serve de perfeita descrição para a polonaise, seja pela sua sofisticada escrita pianística, seja pela ornamentação resplandecente e elegante dos temas.

Na parte central do programa estão as “Mazurkas Op. 33”. Impressiona a maneira expressiva e concentrada com que o gênio poético de Chopin consegue, nessas pequenas jóias do repertório pianístico, abarcar uma enorme multiplicidade de sentimentos. A sombria mazurka que introduz o opus é de natureza intimista, escrita na pouco usual tonalidade de sol sustenido menor. A Mazurka Op.33 No. 2, por sua vez, não poderia ser mais diferente. Trata-se de uma dança em dó maior, calorosa e com feições de intermezzo. A 3ª mazurka, composta em Ré Maior, é reminiscente da dança polonesa “oberek”. Ela marca o momento de maior exuberância deste opus com seu tema alegre e graciosamente adornado. A peça que encerra o ciclo contrasta com as demais em termos de caráter, mas também de extensão: a Mazurka Op. 33 No, 4, em Si menor, é uma das mais longas que Chopin escreveu. Seções de lirismo, de arrebatamento e de serenidade meditativa se interpõem com a repetição insistente do melancólico tema principal.

FinBruce (Xiaoyu) Liu – Foto: Wojciech Grzedzinski

O tour de force da noite é certamente o “Concerto para Piano e Orquestra No. 1, em Mi Menor, Op.11”. A obra foi escrita em 1830 – quando Chopin tinha apenas 20 anos – com o objetivo de catapultar a carreira do jovem compositor e pianista. Cronologicamente, este é o segundo concerto de Chopin, mas foi publicado antes que aquele em Fá menor. Carregada de sentimento e altamente virtuosística para o solista, a composição possui 3 movimentos. No “Allegro maestoso” há uma longa exposição orquestral em que os temas são apresentados. Em seguida, o piano toma a palavra de forma ardente e cheio de elã. O movimento lento – uma “Romanza” – tem o clima sereno que posteriormente caracterizaria alguns noturnos do compositor. Em carta ao seu amigo Tytus Woyciechowski, Chopin escreveu: “[o movimento] Não pretende ser poderoso, é mais romântico, calmo, melancólico, deve dar a impressão de um olhar agradável em direção a um lugar onde milhares de boas lembranças vêm à mente.”. O Rondó que leva o concerto à sua conclusão tem ecos da dança polonesa “cracoviana”. Marcado “Allegro vivace”, o movimento alterna seções temáticas e episódicas, com um finale repleto de brilhantismo que é de tirar o fôlego.

PROGRAMA:

Frédéric Chopin – Andante Spianato e Grande Polonaise Brilhante Op. 22, para Piano e Orquestra

Frédéric Chopin – Quatro Mazurkas Op. 33

     No. 1, em Sol Sustenido menor

     No. 2, em Dó Maior

     No. 3, em Ré Maior

     No. 4, em Si menor

Frédéric Chopin – Concerto para Piano e Orquestra em Mi Menor, Op.11

     I.        Allegro maestoso

   II.        Romanza: Larghetto

 III.        Rondo: Vivace

Orquestra Sinfônica Brasileira

Roberto Tibiriçá, regência

Bruce Liu, piano

SERVIÇO:
Dia 12 de dezembro 2021 (domingo), às 17h
Local: Sala Cecília Meireles (Rua da Lapa, 47 – Centro, Rio de Janeiro)
Ingressos: R$ 40,00 (R$20,00 meia)
À venda na bilheteria da Sala e no site Sympla

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