O Diário do Rio já vem falando sobre isso há meses e hoje o Tutty Vasques resolveu falar na Veja Rio.

Leia parte do texto.

Pan do Brasil é o escambau!

Tutty Vasques

(…)

Esse papo mole todo para dizer o seguinte: o carioca já está tão acostumado ao papel de bandido a que sua cidade se presta na crônica policial que nem se deu conta de que estão tentando surrupiar o que há de bom para acontecer no balneário agora em julho. E, já que o povo não saiu às ruas para reclamar, abro eu aqui minha faixa de protesto
contra a TV Globo: “Pan do Brasil é o escambau!”. A emissora, na contramão até da grande imprensa paulista, decidiu nacionalizar um gênero de evento esportivo que, historicamente, tem a chancela da cidade que o sedia. O maior feito do basquete brasileiro – tirar o ouro dos americanos na casa deles – aconteceu no Pan de Indianápolis,
em 1987. O Setembro Negro e o terror fizeram história nas Olimpíadas de Munique (1972). Já começaram os preparativos para as Olimpíadas de Pequim, em 2008.

Copa do Mundo é diferente. O futebol, até pela logística dos estádios, tem sua festa maior realizada simultaneamente em várias cidades de um determinado país escolhido para sede da competição. Por isso chamamos a última de Copa da Alemanha e a próxima de Copa da África do Sul. Trata-se de uma convenção internacional do mundo dos esportes: o que determina o batismo nacional ou local dos grandes certames planetários é a geografia da disputa em questão. Quando todas as provas ocorrem em uma mesma cidade, o evento leva o nome do município-sede. Simples assim!

Então, por que diabos todo programa esportivo e telejornal da TV Globo chama os Jogos Pan-Americanos de 2007 de “Pan do Brasil”? Alguém do marketing da emissora pode ter consultado um numerólogo ou um pai-de-santo, sei lá, não consigo pensar em um bom motivo para não chamar a coisa de Pan do Rio, como foi o Pan de Santo Domingo (2003) e será o Pan de Guadalajara (2011). Será que a Globo achou melhor não associar os Jogos ao Rio de Janeiro para não assustar os telespectadores? Se quisesse dar maior amplitude ao evento, então por que não chamá-lo logo de Pan das Américas?

“Pan do Brasil”, francamente, era só o que faltava para banir de vez o Rio da editoria de boas notícias. Pode ser a gota d’água na crise de auto-estima que anestesia o carioca desgostoso de sua cidade. Ei, você aí, acorda: a Globo está roubando o Pan do Rio de Janeiro. Vamos lá, proteste, mande cartas, e-mails, telefone para o Departamento de
Esportes da emissora, procure o Sidney Garambone em meu nome. Troque de estação ou desligue a televisão toda vez que, no intervalo entre uma notícia e outra sobre balas perdidas no Rio, anunciarem o “Pan do Brasil”!

Repitam comigo: “Pan do Brasil é o escambau!”. É Pan do Rio, tanto quanto o boi-bumbá é de Parintins e o Círio de Nazaré é de Belém. Paixão de Cristo é a de Pernambuco, farra do boi é lá de Santa Catarina, parada gay só a de São Paulo, tem o Leblon do Manoel Carlos, o rodeio de Barretos, Martinho da Vila, tutu à mineira e Ronaldinho
Gaúcho. Brasil não é denominação de origem genérica de tudo o que acontece por aqui como quer a TV Globo na cobertura dos Jogos Pan-Americanos 2007. Se tudo der errado, capaz de no fim chamarem a bagunça de “Pan do Rio”.

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