paulo josé cronica
Cena de "O Palhaço"

“Nunca construí personagem nenhum. Sempre fui eu mesmo”. Frase de Paulo José. Perdemos dois dos maiores atores da história do Brasil na mesma semana. Tarcísio Meira e Paulo José. Máximo respeito pelo Tarcísio Meira, nos anos 90 seu rosto estava sempre presente em muitas coisas que eu assistia, com aquele sorriso de desmontar qualquer um. Ele tinha aquele ar de galã e uma elegância extrema.

Porém, pessoalmente, sempre me conectei mais com Paulo José. Ele fazia o cara comum, o palhaço, o apaixonado, o sonhador, o bêbado e o equilibrista. Paulo foi todos os Paulos do mundo. Esse ator fazia o satélite artificial parecer estrela cadente. Tinha poesia nos olhos.

No clássico “Macunaíma”, lá está Paulo José. Outro filme que me marcou foi “Benjamim”, onde contracena com Cléo Pires. Baseado em um livro de Chico Buarque, tem uma despedida marcante do personagem que o ator vive. Paulo também fez teatro de arena, bem perto do público. Ele nunca foi daquele tipo de ator ostentador. No documentário “Todos os Paulos do Mundo” temos um recorte de muitas de seus trabalhos e como era seu jeito de ser. Altamente recomendável.

Gentileza

Além disso, como esquecer de “Policarpo Quaresma” ou “O Palhaço”? Em 2009, fez o profeta Gentileza, na novela “Caminho das Índias”, de Glória Perez. Ou seja, outro personagem que admiro muito. Quem teve o privilégio de conhecê-lo pessoalmente diz que era um papel que lhe caía com perfeição. Afinal, era um homem gentil e poeta.

Quantas vidas Paulo viveu? Em quantas morreu? Agora, sua morte tem jeito de definição. Não verei um novo papel de Paulo José. Não encontrarei novamente seu olhar bonachão. Apesar de que já estou encontrando agora enquanto vejo um de seus filmes.

Paulo fez mais de 18 peças, mais de 50 filmes. Deixou a faculdade de arquitetura para ser ator. Foi expulso de casa quando afirmou isso para o pai. Ele lhe sugeriu ir para o Rio ou São Paulo. E disse que lhe ajudaria. Um bom pai.

Paulo José é o narrador do curta-metragem maravilhoso chamado “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado. Lembro de ver esse filme no ensino médio, numa aula de geografia. Sua voz entrava com suavidade, cheia de ironia e expressividade, nos meus ouvidos ingênuos, ensinando sobre a realidade.

Deu no Diário do Rio que um projeto de lei na Câmara Municipal do Rio de Janeiro deseja renomear o Teatro Ipanema para Teatro Paulo José, em homenagem a ele. Seria bonito.

Enfim, quando o documentário “Todos os Paulos do Mundo”, o qual inspirou essa crônica, acabou, veio a palavra FIM. Assim mesmo, em letras garrafais. Ali, admito, me deu vontade de chorar. Marcava o fim de uma vida. Uma bela vida. Valeu, Paulo. Gratidão pela gentileza de nos presentear com sua presença.

1 COMENTÁRIO

  1. Bêbado = governo do PT. Agora precisa de um equilibrista para melhorar sobretudo a educação dos curumins. Escolas muito ruins na gestão do petismo.

    Todo Petista e seus puxadinhos (Renan, amante do Petismo©, o amazonense chefão lá, analfabeto, o Voz-Fina puxa saco da religião cujo nome é Petismo©, PCdoB© etc.) ruminam direto, e sem exceção, uma vez que são GADOS do aPedeuTa lula© — o picareta — e da medíocre dilma®. Eles em vez construírem hospitais durante a “Copa das Copas®” do PT®, construíram foi prédios inúteis. O Petismo© é puro vigarismo. E truculência.

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