Crônica sobre Artur Xexéo
foto: Alvaro Tallarico

Era um pré-adolescente quando comecei a ler crônicas. E lá estava Artur Xexéo. Com sua escrita fluida, falando de cultura diversa. Eram novelas e filmes, livros e espetáculos teatrais. Por ali também lia João Ubaldo Ribeiro. Foram alguns de meus professores e inspirações para que me tornasse jornalista. E hoje, veja só, escrevo crônicas em um jornal.

Escrever é muito mais do que saber normas de português. Aliás, sem desrespeitar minha amada companheira, a língua portuguesa, isso está longe de ser o mais importante. É só ler algum livro de Patativa do Assaré e você vai entender melhor o que digo. Porém, essa volta toda é só para refletir sobre o quanto um cronista pode fazer diferença na vida de alguém.

Opinião

Artur Xexéo me mostrou que era possível escrever com opinião, sem ofender e com afeto. Ensinou-me mais sobre o valor da cultura em suas tantas vertentes. Escrevia de forma que a leitura não era pesada, mas sim agradável. Tinha talento. Quantas pessoas seus textos influenciaram e influenciarão? Sem dúvidas é uma responsabilidade que muitos não se dão conta. Mas ele conseguia com leveza.

Sacava do seu cotidiano os assuntos mais simples e, das aparentes banalidades, trazia mensagens e críticas políticas, muitas vezes com ironia sagaz. Foi um dos grandes responsáveis pela popularização dos cadernos de cultura dos jornais. Os meus preferidos.

Em tempos onde a ignorância é louvada por tantos perdemos mais uma voz em prol das artes. Artur Xexéo defendia a cultura com sensibilidade e humor. Sabia que quando mais cultura temos, quanto mais valorizamos as artes, a leitura, a liberdade, maiores somos. Melhores somos. E, mais do que nunca, precisamos ser melhores.

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