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A desorganização no trânsito sempre foi um dos grandes dramas do Rio de Janeiro.  A criação das faixas exclusivas para ônibus na cidade, o Bus Rapid Service (BRS), em fevereiro de 2011, representou um desafogo no então caótico trânsito da capital.

Desde a sua implementação, até o fim de 2016, foram criados 21 corredores, sendo que o ex-prefeito, Marcelo Crivella, criou apenas um trecho durante todo o seu governo: o da Avenida Mem de Sá, no Centro. A falta de fiscalização, por sua vez, deteriorou a eficiência do sistema. Não é incomum vermos taxistas e motoristas de aplicativos esperando passageiros na faixa da esquerda, reduzindo o espaço reservado aos veículos de passeio.

A administração de Eduardo Paes, empenhada na reorganização da cidade, pretende criar 3 novos corredores: 2 na Tijuca, na Zona Norte; e 1 em Copacabana, na Zona Sul. Especialistas da área de Transportes advertem  que antes de expandir o sistema é preciso solucionar os problemas atuais, como: a falta de fiscalização, a sinalização deficitária, a má distribuição de radares pela cidade, e a má conservação da pavimentação das vias.

Economia de tempo

A população abraçou o BRS porque viu a eficiência do corredor na redução de tempo nas suas jornadas no trânsito. De acordo com dados da CET-Rio, nos locais onde o BRS foi implantado, houve uma redução de 25% no tempo de deslocamento, na comparação com o período anterior ao projeto. Durante a pandemia, essa redução foi ainda mais considerável: 47%.

No fim de 2016, foi divulgado pela equipe de transição da prefeitura, um projeto de expansão dos corredores e uma lista com as vias que deveriam receber o sistema. A meta, segundo o projeto, era a criação de mais 70 quilômetros distribuídos por 17 novas faixas exclusivas. Nada disso saiu do papel, apesar de o BRS representar uma medida de baixo custo, aplicação imediata e com forte adesão da sociedade.

Novas faixas

A secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, garantiu que haverá uma mudança de rumo na condução do sistema de faixas exclusivas. Segundo a secretária, já existe um mapeamento das áreas candidatas a receber o BRS por serem vias de baixa velocidade operacional dos ônibus, como Tijuca e Copacabana. A criação dessas novas áreas depende das provisões orçamentárias da Prefeitura, que deve terminar a análise sobre a expansão das faixas de ônibus no primeiro semestre.

Desordem

Os ônibus do BRS foram divididos por linhas que recebiam nomes como BRS 1, BRS 2 e BRS 3, cada 1 com pontos específicos, centralizando as aparadas. Com o abandono da fiscalização das linhas, na gestão Crivella, e a diminuição do número de fiscais nas ruas, as faixas exclusivas foram dominadas pela desordem. Muitos motoristas de ônibus e passageiros simplesmente não respeitam mais os pontos dos ônibus. Para piorar a situação, muitos coletivos já não exibem a indicação no display sobre a qual BRS pertence, deixando os passageiros perdidos.

Em nota, Rio Ônibus, sindicato das empresas do setor, destacou que, mesmo amargando queda de receita, as empresas de ônibus, investem na sinalização e no treinamento de motoristas, priorizando o embarque seguro da população.

Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Cidade do Rio de Janeiro (PMUS)

A Secretaria municipal de Transportes informou, em nota, que dará prioridade aos corredores de BRS previstos no Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Cidade do Rio de Janeiro (PMUS), dando ênfase às vias com fluxo mais intenso de transito e baixa velocidade a partir dos dados de GPS dos ônibus. Em seguida, criará novos corredores de BRS, considerando os trechos defendidos no plano.

4 COMENTÁRIOS

  1. A Estrada dos Bandeirantes, trecho Curicica Vargem Grande, daria um excelente corredor, traria conforto para milhares de pessoas. É preciso investir aqui também. Vamos parar com essa discriminação.

  2. Essa fiscalização provavelmente custará menos se for eletrônica. Há toda tecnologia pra fazer isso. Agora temos o Eduardo Paes, que prometeu tudo mudar na sua gestão. Agora, sem grana, é que ele provará ser o bom gestor que apregoam.

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