comer, rezar e amar, mais aventurar e mudar
Aventura ou estabilidade? (foto: Alvaro Tallarico)

A coragem de enfrentar a mudança. “Comer, Rezar, Amar” é livro de auto-ajuda segundo alguns, e também um filme. Não diria que isso importa, mas sim a mensagem que passa de aceitação da mudança. Afinal, se tem uma coisa certa na vida é a mudança. É um tema no qual sempre acabo pensando. Apesar de ter traços aventureiros que já me levaram a algumas viagens, seja sozinho ou acompanhado, também tenho um apreço pela estabilidade. Deve ser a tal segurança. Contudo, sabemos que é algo ilusório. Ainda mais no Rio de Janeiro.

Os relacionamentos amorosos, por exemplo. Muitos começam com aquele fogo da paixão, o qual, aos poucos vai arrefecendo e dando lugar ao cotidiano voraz. Aquela mania da pessoa que antes era quase fofa, hoje é quase uma tortura; o que pouco incomodava, hoje é motivo de briga. Lava a louça!

Lembro de uma pessoa que namorei durante uns meses. Era ótima a relação, bom encaixe sexual, diálogos razoáveis, companheirismo. Na época, eu não queria algo tão sério quanto a pessoa. Acabamos terminando. Algum tempo depois, ela casou, voltou com o ex-namorado. Está com dois belos filhos e fotos dignas de comercial de margarina no intervalo do jornal. Admito, em certo momento, vendo as fotos dela com o marido nas redes sociais, pensei: “poderia ser eu”.  O caminho das aventuras é saboroso, mas também perigoso e instável. Além disso, a sociedade tem dogmas e pressões sobre nossas escolhas, sobre a nossa idade. Vejo diversos amigos casados, com seus filhos. Uns bem tranquilos e satisfeitos, enquanto outros queriam ter tido mais… aventura.

Ronco noturno

Inclusive, se ontem pensei nessa pessoa que namorei quase com um arrependimento, hoje lembrei que ela tinha um pequeno ronco noturno, bem baixinho, mas contínuo, que atrapalhava meu sono. Frescura? Não sei, porém, lembrar disso agora me tranquilizou. E, acima de tudo, perceber que ela alcançou o que desejava me trouxe alegria. Acabei sendo ponte de alguma forma, e segui pela minha estrada sinuosa cheia de florestas. Ela gostava de Paris e eu sonho com a Tailândia.

O aventureiro é admirado, odiado, invejado, julgado. Dizem que a inveja é uma forma de admiração. Ah, nada de admiração, então, por favor, deixa eu mergulhar quieto nessa praia escondida, nadar pelado na cachoeira sem ninguém saber, apreciar o sol se pondo, e agradecer aos céus pela oportunidade. Eu e Gaia, a Mãe Terra. Quem acha errado ou não tem lá essa coragem talvez sejam aqueles mais adaptados a esse mundo a cada dia mais maluco.

Entretanto, devo dizer, até a aventura pode virar rotina, e às vezes dá vontade sim, do sossego da cama, do lar antigo, do beijo conhecido. De comer, rezar, amar, em paz, debaixo da coberta com a pessoa certa. Pessoa certa? Aí já complica. Temos momentos e vibrações diferentes que atraem situações específicas. Mas, por fim, é a mudança que acaba nos movendo, que tira daquela zona de conforto da qual não queríamos sair, mas precisávamos. Outras vezes, joga no abismo, porém, depois, quando menos espera, tu alças voo e viras pássaro. É no doce sabor do vento que invento a liberdade.

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